43 a. do BEBÊ DE PROVETA.
LOUISE BROWN nunca ganhou um prêmio NOBEL nem descobriu a cura de nenhuma
doença. Seu nome, entretanto, é um símbolo da medicina moderna. Seu grande
mérito foi simplesmente ter nascido, a partir de um óvulo fertilizado em
laboratório, no dia 25 de julho de 1978. LOUISE foi o primeiro ser humano
gerado fora do útero, em cima de uma placa de vidro, inicialmente. A
fertilização “in vitro” foi vista por muitos como uma aberração moral e um
atentado contra a vida. Para o VATICANO era “um evento que poderia ter graves
conseqüências para a humanidade”. ROBERT EDWARDS e PATRICK STEPTOE, entretanto,
não se intimidaram. Por mais de três anos, os dois pesquisadores britânicos
travaram uma batalha científica para reproduzir no laboratório o que a natureza
havia desenvolvido ao longo de milhões de anos de evolução. Foram necessárias
centenas de tentativas, na base da tentativa e erro, até se chegar a LOUISE.
“Foi uma realização fantástica, que envolvia muito mais do que a infertilidade”,
afirmou EDWARDS, em uma de suas raras entrevistas. “Envolvia temas como
células-tronco e a ética da concepção humana. Eu queria saber exatamente quem
estava no comando, se era DEUS ou os cientistas no laboratório!”. A conclusão
“Éramos nós”, responde o pesquisador. No quarto de século que se seguiu, mais
de um milhão de crianças foram concebidas por fertilização “in vitro”. A
tecnologia evolui rapidamente e a reprodução humana se transformou em uma das
principais fronteiras da ciência. A década de 80 foi voltada quase que
inteiramente para o tratamento da infertilidade feminina. Surgiram o ultra-som
e os medicamentos para estimulação hormonal dos ovários. Na década de 90, a
atenção voltou-se para os homens. LUCI DA SILVA BUNN, de SÃO JOSÉ (SC) diz: “Tinha
uma filha de um ano na época, e a história me marcou. Estávamos curiosos para
saber se ela seria uma criança normal. Algumas pessoas acreditavam que ela era
uma aberração e não sobreviveria.”

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