quarta-feira, 29 de setembro de 2021

TERCEIRO ANO DA MORTE DA CANTORA ÂNGELA MARIA (29 DE SETEMBRO DE 2018)

 

Morre Angela Maria, a cantora que mesmerizou Getúlio Vargas

A artista tinha 89 anos, teve infecção generalizada. Em 2017, gravou um disco com músicas de Roberto Carlos e Erasmo Carlos

A cantora Angela Maria, a Sapoti (como queria o presidente Getúlio Vargas), morreu no sábado, 29, aos 89 anos, em São Paulo. A artista estava internada para se tratar de infecção generalizada, segundo médicos do Hospital Sancta Maggiore, do Itaim Bibi.

Angela Maria — cujo nome era Abelim Maria da Cunha — nasceu em Conceição de Macabu, no Rio de Janeiro. Começou a cantar aos 19 anos, em 1947. Era chamada de Rainha do Rádio. Ela cantava samba-canção. Sua voz bonita e afinada mesmerizava a plateia.

Em 2017, a cantora lançou “Angela Maria e as Canções de Roberto & Erasmo”, seu último disco, pela gravadora Biscoito Fino. Artista foi parceira de Roberto Carlos, Gal Costa, Caetano Veloso, Agnaldo Timóteo, Alcione, Cauby Peixoto, Fafá de Belém e Ney Matogrosso.

Biografia de Angela Maria extraída da Wikipédia

“Intérprete de canções como Babalu (Margarita Lecuona), Gente Humilde (Garoto/Chico Buarque/Vinicius de Moraes), Cinderela (Adelino Moreira) e Orgulho (Waldir Rocha/Nelson Wederkind), serviu como fonte de inspiração para artistas como Elis Regina, Djavan, Milton Nascimento, Ney Matogrosso, Cesária Évora e Gal Costa, além de ter sido, comprovadamente pelo Ibope, por um longo período, a cantora mais popular do Brasil e conquistado a admiração de personalidades como Edith Piaf, Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, Amália Rodrigues e Louis Armstrong.

A cantora nasceu em 1929 no interior fluminense, na cidade de Macaé, no distrito de Macabu. Em 1952 este distrito foi emancipado de Macaé, tornando-se a atual cidade de Conceição de Macabu. De família muito humilde, sua mãe era dona-de-casa e seu pai pastor de igreja evangélica. Por conta disso, desde criança cantava no coral de uma Igreja Batista próxima a sua casa e com isso foi aprendendo a amar a música e o universo das melodias. Durante sua infância e adolescência, devido a dificuldades financeiras, morou com a família nas cidades de Niterói, São Gonçalo e São João de Meriti, em busca de uma vida melhor em cidades com mais recursos. Durante sua juventude trabalhou em uma fábrica de lâmpadas e foi operária tecelã em uma indústria de tecidos, mas sempre quis ser cantora. Sonhava com a vida nas rádios e com o sucesso, mas seu pai era contra por ser muito religioso, querendo que a filha se convertesse na igreja evangélica e casasse cedo. Ângela não tinha o desejo de viver assim, e foi atrás do seu grande sonho, que era cantar

Angela Maria sempre contou em entrevistas ter sofrido na vida pessoal. Nunca pode ter filhos, por problemas em seu útero, que ela descobriu ter ainda na adolescência. Foi constantemente alvo da mídia, que sempre tocava no assunto ou inventava boatos a deixando magoada, pois ela sempre quis ser mãe. Apesar de ter feito inúmeros tratamentos, nunca conseguiu engravidar. A cantora foi casada seis vezes e teve muitos namorados, e revela que sempre sofreu na mão de todos eles com humilhações e até agressões físicas, contando que isso interferiu na sua carreira. A cantora revelou que tentou o suicídio. Conta que quase perdeu tudo, já que seu patrimônio era administrado por seus assessores, que mesmo ela dando o dinheiro a eles, não pagavam suas contas e a roubavam constantemente. Em 1967, desesperada com sua vida, fugiu para São Paulo, e passou a ser cada vez mais roubada, não dava sorte e sempre encontrava empresários golpistas e namorados ladrões, porém deu a volta por cima anos depois, apesar de ter ficado muito tempo vivendo em grande pobreza, ganhando muito pouco, cantando em boates e tendo que complementar a renda fazendo faxina para sobreviver. Angela Maria revelou que seu melhor amigo sempre foi Cauby Peixoto e que tinha uma grande admiração por Dalva de Oliveira.

Em 1979, com 51 anos e vivendo sozinha, conheceu um homem que mudaria sua vida: um rapaz de dezoito anos que mexeu com seu coração. Ele era noivo de uma moça da faixa etária dele, porém o garoto, chamado Daniel D’Angelo, gostou de Angela, abandonou a noiva e os dois passaram a ter um envolvimento amoroso intenso. Daniel a ajudou quando sofreu um novo golpe, lhe arranjando trabalhos. Eles foram morar juntos com poucos meses de namoro, até que em 13 de maio de 2012, no dia do seu aniversário de 83 anos (e ele com 51) casaram-se oficialmente, no civil e na igreja. Ela foi pedida em casamento dias antes, e aceitou. Embora tenha sido pedida outras vezes, nunca quis se casar oficialmente, até aquele momento. A celebração do casamento foi realizada com uma grande festa para os familiares e amigos. Angela dizia que ele havia sido o único homem que lhe fez verdadeiramente feliz. A cantora era casada com Daniel desde 1979 e adotaram quatro filhos: Ângela Cristina, Lis Ângela, Rosângela e Alexandre.

Carreira

Em 1947, aos dezenove anos, trabalhava de dia, e à noite, tentando por todos os meios conseguir vaga em algum programa de música, indo de rádio em rádio fazer inscrições para sorteios, até que conseguiu ser premiada e se apresentou aos jurados em uma rádio, e passou no teste. Com isso, começou a apresentar-se como cantora no Pescando Estrelas, um programa de calouros. Adotou o nome de Angela Maria para não ser identificada pela família, que se soubesse, não a deixaria mais sair de casa. Sua interpretação era considerada belíssima, sempre tirava nota máxima e ganhava todos os concursos. Todos a queriam para cantora e assim, foi cantar no famoso Dancing Avenida e depois na rádio Mayrink Veiga. Em 1951, com a família já sabendo de tudo e mesmo a contragosto, após muitas brigas, acabaram aceitando a vontade da filha, Angela gravou o primeiro disco. Veio assim os sucessos que a consagraram.

Com grande sucesso no Brasil, passou a viajar o mundo com canções belíssimas em sua voz considerada muito harmônica. Além de cantora, fez cursos de teatro, e atuou em cinema, no longa-metragem Portugal, Minha Saudade em 1973.

Angela Maria consagrou-se como uma das grandes intérpretes do gênero samba-canção (surgido na década de 1930), ao lado de Maysa, Nora Ney e Dolores Duran.

Gravou dezenas de sucessos como Não Tenho Você, Babalu, Cinderela, Moça Bonita, Vá, mas Volte, Garota Solitária, Falhaste coração, Canto paraguaio, A noite e a despedida, Gente humilde, Lábios de mel, e outros.

Em 1994 foi homenageada pela escola de samba paulistana Rosas de Ouro, que com o enredo Sapoti, foi consagrada campeã do carnaval de São Paulo naquele ano.

Em 1996, foi contratada pela gravadora Sony Music e lançou o CD Amigos, com a participação de vários artistas como Roberto Carlos, Gal Costa, Caetano Veloso, Alcione, Fafá de Belém entre outros. O trabalho foi um sucesso, celebrado num espetáculo no Metropolitan, atual Claro Hall, no Rio de Janeiro, e um especial na Rede Globo. O disco vendeu mais de quinhentas mil cópias.

Foi uma fase muito feliz da carreira da cantora que, no ano seguinte, apresentou o álbum Pela Saudade que Me Invade, com sucessos de Dalva de Oliveira, e um ano depois gravou, com Agnaldo Timóteo, o CD Só Sucessos, também na lista dos cem álbuns nacionais mais vendidos. Após a saída da Sony, Angela voltou a gravar em 2003, desta vez pela Lua Discos, o Disco de Ouro, com um viés eclético, abrangendo compositores que vão de Djavan a Dolores Duran.

No ano de 1994, o cantor Ney Matogrosso gravou o disco Estava escrito, em homenagem a Angela Maria. O álbum contém canções do repertório da cantora e que ficaram consagradas em sua voz.

Em 2011, após 45 anos do surgimento da série Depoimentos para a Posteridade do Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro, foi convidada em 23 de agosto para deixar registrada sua história. Na entrevista contou passagens importantes de sua carreira artística, afirmando ter gravado 114 discos e vendido cerca de 60 milhões de exemplares.

Nas eleições municipais de 2012, candidatou-se a vereadora da cidade de São Paulo pelo PTB, porém não se elegeu.

Em 2015, é lançada a sua biografia escrita pelo jornalista Rodrigo Faour, que contou com depoimentos preciosos da cantora.”



Uma das maiores vozes do Brasil, Angela Maria ganha biografia detalhada

Rodrigo Faour faz retrato extenso da cantora que conquistou o Brasil

Rebeca Oliveira
postado em 28/10/2015 07:30

Dona de voz quente e agradável, Angela Maria impactou gerações

O 1,5m de altura de Angela Maria impactou o jornalista Ricardo Galeno. Ele foi um dos primeiros a escrever um artigo sobre ela, no comecinho da década de 1950, para o periódico Diário Carioca. ;É ;deste tamanho; o diabo da nova cantora;, afirmou, embasbacado com o talento da artista que nem sequer tinha discos lançados e havia acabado de assinar contrato com a rádio Mayrink Veiga.

;Tipo da garota portátil, dona de uma voz quente e agradável, Angela Maria será, dentro de muito pouco tempo ; se bem aproveitada, é claro ; , a maior intérprete da nossa música popular;, continuou o empolgado repórter que, à época, parecia prever o destino da pequena Abelim Maria da Cunha, fluminense de Conceição de Macabu, dona de uma das maiores vozes do país e que influenciou tantas outras, como Elis Regina, que costumava imitá-la.

Esse e outros recortes de jornais de 1951 até agora se juntam a relatos de parentes, amigos e parceiros musicais da Sapoti ; apelido dado a cantora pelo presidente Getúlio Vargas ; registrado no livro Angela Maria ; A eterna cantora do Brasil, lançado este mês pelo pesquisador musical e escritor Rodrigo Faour. Aos 86 anos, Sapoti é conhecida por gostar de cantar amarguras e tem como herdeiras diretas, além de Elis, nomes como Alcione e Fafá de Belém. Djavan e Milton N

Pouco antes de completar 22 anos, a intérprete tornou-se uma das mais reconhecidas voascimento também afirmam, no livro, que descobriram que podiam cantar em português ouvindo Angela Maria.
zes brasileiras, adentrando em atmosferas tão distintas que iam de classes menos favorecidas até residências oficiais. Era rainha do povo e da rádio ; onde começou a carreira, participando de festivais de calouros. A minuciosa biografia lança luz sobre detalhes pouco conhecidos da trajetória da carioca. Alguns, satélites. Outros, essenciais para compreendê-la melhor. Angela Maria gosta de praia. Às vezes, fuma. É louca por feijoada e não consegue dormir antes da meia-noite. Sonhava em cantar para o ;povão;, e não para a elite, apesar de, por certo tempo, ser considerada a cantora oficial de presidentes da República, dada a voz grandiosa que transformava qualquer letra em obra-prima. O repertório popular, que por vezes esbarrou na cafonice. A beleza e o carisma.

Ângela Maria

Abelim Maria da Cunha
 13/5/1929 Conceição de Macabu, RJ
 29/9/2018 São Paulo, SP

Biografia

Cantora.





Nascida em Conceição de Macabu, distrito de Macaé, RJ, filha do reverendo Albertino Coutinho da Cunha. Começou a cantar ainda adolescente no coro da Igreja Batista do bairro carioca do Estácio, onde seu pai era pastor. Na verdade, todos os seus irmãos cantavam durante os cultos religiosos. Sua voz, porém, era a mais apreciada. Já nessa época, trabalhava como inspetora em uma fábrica de lâmpadas, a General Eletric, onde soltava sua potente voz para encanto dos operários e desespero dos chefes. O sonho de ser cantora de rádio impulsionou sua decisão de participar de programas de calouros, o que causou um transtorno familiar. Segundo declaração da própria cantora, ao Jornal O Pasquim em 1976, "...levei muitas surras de minha mãe porque ela não queria de jeito nenhum. Eu fugia de casa para participar de programas de calouros".

O pai não admitia que sua filha desejasse a carreira artística, coisa malvista na época. Mas a jovem estava decidida a ser cantora de rádio e fazer sucesso. Por ser ardorosa fã de Dalva de Oliveira, então no auge da carreira, passou a imitá-la, arrebatando assim todos os concursos de calouros em que se inscrevia. O problema estava no fato de que ninguém a queria contratar, já que era quase cópia de Dalva de Oliveira. Decidida a abraçar a vida artística, largou escola, fábrica, igreja e foi morar com uma irmã no bairro carioca de Bonsucesso. Anos depois, recebeu de Getúlio Vargas o apelido de "Sapoti". Um dia, ao encontrá-la, o então presidente da República lhe disse: "Menina, você tem a voz doce e a cor do sapoti". Sua vida pessoal, sempre muito atribulada e freqüentemente rastreada pela imprensa, foi marcada por muitos casamentos. Apesar de não ter tido filhos, adotou algumas crianças, as quais sempre considerou como filhos legítimos. Faleceu aos 89 anos, em São Paulo, onde estava internada há 34 dias no Hospital Sancta Maggiore, em decorrência de um quadro de infecção. O Instituto Cultural Cravo Albin promoveu em sua sede um Requiem de 7º dia assumindo a acriação do Troféu Angela Maria de Ouro, dedicado a descobrir e premiar a melhor cantora iniciante a cada ano.

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