
89 a. da
CESSAÇÃO DAS HOSTILIDADES DO MOVIMENTO CONSTITUCIONALISTA DE 32. Em 2 de outubro de 1932, às 15:30 horas, o CORONEL
EDUARDO LEJEUNE, o MAJOR MÁRIO RANGEL e o CAPITÃO JOÃO FRANCISCO DA CRUZ, todos
da FORÇA PÚBLICA DE SÃO PAULO, apresentaram-se diante do GOVERNADOR PEDRO DE
TOLEDO, comunicando-lhe que ele estava deposto, que o CORONEL HERCULANO DE
CARVALHO E SILVA havia sido nomeado GOVERNADOR MILITAR DO ESTADO e que
terminava a luta. Diante desses fatos, elaborou-se um documento, encabeçado
pelo próprio PEDRO DE TOLEDO, sempre altivo, com minudentes e corajosas
explicações “AO POVO DE SÃO PAULO”. Houve inconformismo popular, difícil de ser
contido. Na frente de batalha, mesmo diante da situação totalmente adversa,
alguns soldados não aceitaram o final das hostilidades. Não concordando com
aquele epílogo, o CORONEL EUCLYDES DE FIGUEIREDO pretendeu resistir, com uns
poucos e obstinados combatentes. Mas, todos foram presos doze dias após.
IBRAHIM NOBRE, exaltado, fez um desabafo: “A Revolução não deveria terminar
assim. Depois que fossem os filhos, iriam os pais. Depois que eles morressem,
iriam as irmãs, as mães, as noivas. Todos morreriam. Mais tarde, quando alguém
passasse por aqui, neste SÃO PAULO deserto, sem pedra sobre pedra, levantando
os olhos para o céu, haveria de ler, no epitáfio das estrelas, a história de um
povo que não quis ser escravo”. Com as esperanças perdidas, porém com a
dignidade conservada, os líderes civis e militares da Revolução foram presos.
Arbitrariamente, a Ditadura remeteu-os na direção do Nordeste, pelo navio-presídio
“PEDRO I”, do qual foram transferidos para o “SIQUEIRA CAMPOS”, em RECIFE. Esperava-os
o exílio, no acolhedor PORTUGAL.
89 anos
passados, lembramos os grandes feitos dos nossos três irmãos gaúchos
sacrificados em SÃO JOÃO;
daquela moça loira que nos ombros de dois rapazes fazia ondear a bandeira
paulista no Centro da Capital Federal, RIO DE JANEIRO; os artilheiros afogados
e metralhados no RIO AMAZONAS; daquele herói juvenil paraense, PAULO CÍCERO
TEIXEIRA, lutando uma noite inteira e morrendo com o dedo no gatilho; daqueles
estudantes baianos feridos na Faculdade de Medicina; dos 38 mil voluntários
paulistas; dos quase 300 mortos nas fileiras da FORÇA PÚBLICA, a maioria filhos
de outros Estados; daqueles outros 330 voluntários que deram seu sangue pela
causa constitucionalista; daquelas heróicas mulheres curitibanas; das 72 mil
mulheres paulistas que deixaram o lar para servir à Revolução. Que sejam
lembrados neste dois de outubro também os voluntários gaúchos que formaram em SÃO PAULO o BATALHÃO BENTO
GONÇALVES; e também os mineiros, que a exemplo dos gaúchos, organizaram o
BATALHÃO TIRADENTES; dos heróis matogrossenses de PORTO MURTINHO, COXIM, TRÊS
LAGOAS; dos voluntários do PARANÁ; do BATALHÃO GOIANO; da FRENTE ÚNICA do RIO
GRANDE DO SUL; dos estudantes de BELAS ARTES do RIO; dos heróis de ÓBIDOS, no
AMAZONAS; dos de SOLEDADE, no RIO GRANDE DO SUL; do Batalhão de garimpeiros de
MATO GROSSO; dos constitucionalistas de ARAPONGA, em MINAS; dos combatentes
pela causa paulista de CASTRO e SENGÉS, no PARANÁ. Quero frisar com essas
palavras o caráter nacional da Revolução Constitucionalista de 1932, afastando
de uma vez por todas o mito do separatismo que pairava sobre SÃO PAULO, fruto
de uma bem urdida manobra de GÓIS MONTEIRO, chefe das forças ditatoriais.
Acredito mesmo que o tempo fez esquecer toda essa gente que lutou ao lado de
SÃO PAULO. O momento dessa solenidade de 2 de outubro é o ideal para
agradecermos aos nossos irmãos do BRASIL que comungaram conosco o ideal de
Direito, da luta pela constitucionalização do BRASIL, conspurcada pelo governo
ditatorial de VARGAS. Um aplauso veemente a todos aqueles que lutaram pelo
BRASIL e daqueles que no nosso tempo veneram os HERÓIS DE 32.
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