145 a. nasce BRAZILIO TABORDA. natural do Estado do PARANÁ, em 20 de maio de
1877, filho do Sr. Manoel Paulino da Silva. Após o término de sua educação
básica, assentou ele praça aos 17 anos de idade, no 13º Regimento de Cavalaria,
a 26 de novembro de 1894. O soldado recruta Brazilio Taborda, graças a sua
inteligência e dedicação incontestes à carreira militar que abraçara, ascendeu
em pouco tempo às graduações de anspeçada, cabo e furriel, vindo a ser
promovido a segundo sargento em 16 de março de 1895, quando ainda neste mesmo
mês conseguiu realizar seu grande sonho, ingressar na Escola Militar com
destino à sua formação para ser oficial do Exército Brasileiro. De fato, após
ser aprovado nos exames de ingresso, seguiu com destino à Escola Militar do Rio
Grande do Sul, de onde foi aluno dos anos de 1895 a 1897, dali sendo
transferido para a Escola Militar do Ceará, lá permanecendo de 1897 a 1898,
vindo a concluir a sua formação na Escola Militar do Brasil em 1904, com os
títulos de bacharel em Matemática e Ciências Físicas e de engenheiro militar. Distinguido
com o posto honorífico de Alferes-Aluno, a 1º de maio de 1901, BRAZÍLIO TABORDA
demonstrava desde os bancos acadêmicos a característica inconteste que o
caracterizou por toda a vida, qual foi, a determinação com a qual se dedicava
às suas obrigações, aos seus afazeres e mais tarde, durante a Revolução
Constitucionalista de 1932, da qual foi um de seus maiores comandantes, aos
ideais por uma São Paulo grande, dentro de um Brasil maior.
O primeiro posto do oficialato, o de segundo tenente, BRAZÍLIO
TABORDA o atingiu aos 29 anos de idade, em 10 de janeiro de 1907, para a arma
de Artilharia, a qual muito soube honrar nos seus quase cinqüenta anos de
carreira militar.
Como oficial subalterno, serviu ele em vários corpos de
tropa, fossem regimentos de infantaria e artilharia, tendo sido ainda professor
de Aritmética e Geometria do Colégio Militar de Porto Alegre nos anos de 1912 e
1913.
Pouco antes, em 25 de outubro de 1909, fora ele promovido
ao posto de primeiro tenente e, a 7 de novembro de 1917, ao posto de capitão.
Em 1921, passou para a segunda classe do Exército para tratamento de saúde,
tendo revertido para a primeira classe no ano seguinte, para então realizar
curso na Escola de Estado Maior do Exército.
A 20 de abril de 1923, aos 46 anos incompletos, atinge o
posto de major para dali a um ano participar da Revolução de 1924, ao lado da
legalidade como chefe do Estado-Maior do Destacamento João Gomes.
Seguiram-se então transferências para várias unidades e
missões das mais variadas, quando em 13 de outubro de 1927, foi ele promovido
ao posto de tenente coronel, vindo a comandar o 5º Regimento de Artilharia
Montada e posteriormente o 2º Regimento de Artilharia Montada, este último durante
a Revolução de 1930.
Em 15 de outubro de 1931, decreto o promove ao posto de
coronel e concomitantemente o classifica diretor do Centro de Preparação de
Oficiais da Reserva da 5º Região Militar.
Quando a revolução constitucionalista de 1932, a 9 de julho
daquele ano, era deflagrada, encontrava-se o coronel BRAZÍLIO TABORDA servindo
no Estado Maior do Exército, no RIO DE JANEIRO.
Profundo entendedor do momento critico em que se encontrava
a nacionalidade brasileira e o esforço hercúleo que o Estado de São Paulo havia
tomado para levantar toda o país e fazer valer a Constituição, a Liberdade e a
Democracia, BRAZÍLIO TABORDA deixa o rio no dia 14 de julho desse ano, com
destino a Santos, onde por ordem do general BERTOLDO KLINGER, comandante
militar da Revolução, deveria elaborar o plano de defesa daquela importante
cidade portuária.
Tinha terminado de elaborar tal plano quando a 18 de julho
nova ordem do GENERAL KLINGER determinou que seguisse para o setor Sul do
Estado, mais precisamente para a cidade de Itapetininga, onde ali assumiria o
comando do Exército Constitucionalista do Setor Sul, ali em formação com vistas
a defesa do estado contra tropas adversárias advindas do Rio Grande do Sul,
Santa Catarina, Paraná, Paraíba e Pernambuco, a comando do general WALDOMIRO
CASTILHO DE LIMA.
Com a sua chegada em ITAPETININGA na manhã do dia 19 de
julho de 1932, tomou o coronel BRAZÍLIO TABORDA todas as medidas enérgicas que
a situação demandava.
De fato, a fronteira sul do estado, em Itararé, já havia
caído em poder dos adversários em 18 de julho. O mesmo havia ocorreu em Faxina
(atual Itapeva) em 19 de julho, mas a facilidade com que os adversários
avançaram encontrou fortíssima resistência na cidade de BURI, onde o coronel BRAZILIO
TABORDA comandou em pessoa a defesa desse verdadeiro bastião constitucionalista
no qual episódios de heroísmo e bravura foram consignados por combatentes da
Força Publica de São Paulo (atual PMESP) e voluntários paulistas, entre eles os
jovens acadêmicos de Direito, Medicina e Engenharia, do lendário Batalhão “14
de Julho” e também do Trem Blindado de número 1, sob o comando do valoroso
primeiro tenente Afonso Negrão, mas tarde promovido a capitão por atos de
bravura durante a revolução.
Da resistência ocorrida em BURI (25 a 26 de julho), o
coronel BRAZÍLIO TABORDA continuou a frente do Exército Constitucionalista do
Setor Sul em todos os demais combates no setor, tendo sido chamado pelo GENERAL
KLINGER para comandar a polícia do Estado de São Paulo dias antes do Armistício
ocorrido a 2 de outubro de 1932.
Reformado administrativamente a 8 de agosto daquele ano,
logo após o Armistício, seguiu o CORONEL BRAZÍLIO TABORDA e vários outros
oficiais e civis partícipes da Revolução para o exílio em PORTUGAL, de onde
voltaram ao BRASIL em 10 de julho de 1934, ficando ele entre os anistiados que
reverteram para o serviço ativo do Exército Brasileiro.
De 1935 a 1937, o coronel BRAZÍLIO TABORDA comandou a
Escola Técnica do Exército (atual Instituto Militar de Engenharia) e nos dois
anos seguintes foi comandante da 8º Região Militar, já no posto de general de
brigada, promoção essa que o atingiu a 20 de maio de 1937, endossada por WALDOMIRO
CASTILHO DE LIMA, o mesmo general que outrora fora seu adversário durante a
Revolução de 1932.
Aos quase 46 anos de serviços prestados à nação e por força
do decreto de 2 de junho de 1939, o general de brigada BRAZÍLIO TABORDA passa
para a reserva.
A Medalha da Ordem do Mérito Militar, no grau comendador,
foi a condecoração que recebeu coroando toda uma vida militar inconteste de
valor, integridade e patriotismo.
Um último reconhecimento em vida, porém, lhe estava
reservado anos depois, quando a 4 de janeiro de 1950, já reformado, recebeu do
governo decreto de 4 de janeiro de 1950, que o promovia ao posto de general de
divisão.
Seu falecimento se deu a 2 de agosto de 1973, no Rio de
Janeiro.
Seus ex-comandados, em especial os seus “rapazes” do
Batalhão 14 de Julho, nunca o esqueceram e prestaram-lhe variadas homenagens em
prosa e poesia em dezenas de livros que no correr dos anos foram publicados
sobre a Revolução de 32.
Em 7 de setembro de 2012, o prof. JEFFERSON BIAJONE,
presidente-fundador do 1º Núcleo de Correspondência da Sociedade Veteranos de
32/MMDC em ITAPETININGA, instituiu a criação da Honraria Diploma de Honra ao
Mérito GENERAL BRAZÍLIO TABORDA, com o objetivo de manter viva a memória deste
insígne brasileiro de alma e paulista de coração, cujos serviços prestados à
Constituição, à Liberdade e à Democracia jamais deverão ser esquecidos.
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