Em memória do Capitão PM Mendes Júnior.
Morreu como um bravo, sepultado como herói!!!!!

Ontem (10), mesma data em que o Brasil estava atento à audiência do ex- Presidente Lula, em Curitiba-PR, a cargo do Juiz Moro, data em que se comemorava o "DIA DAS MÃES DE 1970", há 47 anos, a Sra. Angelina Plácido Mendes tragicamente perdia um de seus dois filhos: o 2º Tenente PM ALBERTO MENDES JÚNIOR, com 23 anos, pertencente ao BTA- BATALHÃO TOBIAS DE AGUIAR (ROTA). Seu pai, Sr. Alberto Mendes, e seu irmão, Sr. Adauto Mendes, fizeram parte dessa triste trilogia. No dia 10 de maio de 1970 o Tenente PM MENDES JÚNIOR também ficaria noivo...
Carinhosamente chamado pelos demais colegas de Turma pelo termo “PORTUGUÊS”, nasceu em 24 de janeiro de 1947, na zona norte da Capital Bandeirante. Ingressou na Academia em 15 de fevereiro de 1965, no então Curso Preparatório de Formação de Oficiais- CPFO. Após grande esforço, forma-se na Academia, sendo declarado Aspirante a Oficial em 21 de abril de 1969 (mesmo dia em que o Patrono das Polícias Militares, Tiradentes, fora enforcado, decorrência de sua liderança na Inconfidência Mineira), com 22 anos.
No dia 2 de junho de 1969 foi apresentado no 15º BP- Batalhão de Polícia, em Guarulhos, cidade da Grande SP, classificado naquela Unidade. 15 de dezembro de 1969 marca sua promoção ao posto de Oficial (2º Tenente PM). Finalmente, no dia 06 de fevereiro de 1970 foi apresentado no tradicional BTA- BATALHÃO TOBIAS DE AGUIAR, local que passou a servir.
Dois meses após sua apresentação no BTA (precisamente no final de abril de 1970), foi descoberto um foco terrorista no litoral sul do Estado de São Paulo. Tropas do Exército, Força Aérea e Marinha, além do efetivo Bandeirante, representado pelo BTA, incluso o 2º Tenente MENDES JÚNIOR, deslocaram-se para aquela região.
Durante patrulha do BTA, por volta das 22h00 de 08 de maio de 1970, o Tenente PM MENDES JÚNIOR, comandante do pelotão (14 praças) foi emboscado. No VALE DO RIBEIRA, sul do Estado de São Paulo, entre os municípios de Sete Barras e São João Arcanjo, área de matas densas, caiu em uma cilada, liderada por CARLOS LAMARCA, capitão desertor do Exército Brasileiro, membro do grupo guerrilheiro VPR – VANGUARDA POPULAR REVOLUCIONÁRIA, de ideologia marxista, que tentava, por meio das armas, "AVERMELHAR", com o "FOICE E O MARTELO", nossa Bandeira VERDE E AMARELA.
Com grande número de feridos, a tropa da Polícia Militar já não tinha condição de prosseguir no combate. Superada a resistência, os guerrilheiros parlamentaram, permitindo o socorro dos feridos, desde que os demais policiais militares permanecessem como prisioneiros. Neste momento, o 2º Tenente PM MENDES JÚNIOR adiantou-se e, oferecendo-se pelos seus homens, conseguiu a liberação de todo o efetivo capturado, que foi conduzido ao hospital de Registro, permanecendo como único prisioneiro, com os pulsos amarrados às costas.
Todavia, como as demais tropas das Forças Armadas e Polícia Militar Paulista cercavam o VPR naquela localidade, após um “Tribunal Revolucionário”, decidiram executar nosso herói dois dias após sua prisão (10 de maio de 1970). Seus algozes: CARLOS LAMARCA, YOSHITANE FUGIMORE (vulgo, "Joel"), ARISTON OLIVEIRA LUCENA (vulgo, "Rogério"), DIÓGENES SOBROSA DE SOUZA (hoje nome de rua, na cidade de Porto Alegre-RS) e um integrante conhecido como Araújo ou Adail..
O grupo guerrilheiro "VPR" ainda elaborou um Comunicado sobre a morte do 2º Tenente PM MENDES JÚNIOR:
"Foi julgado e condenado por ser um repressor consciente, que odiava a classe operária – por ter conduzido à luta seus subordinados que não tinham consciência do que faziam, iludidos em seus idealismos de jovens, utilizados como instrumento de opressão contra o seu próprio povo, iludindo os jovens, ensinando-os a amar a farda, quando deveriam amar o povo – por ter rompido com a palavra empenhada em presença de seus subordinados – por ter tentado denunciar a nossa posição. A sentença de morte de um Tribunal Revolucionário deve ser cumprida por fuzilamento. No entanto, nos encontrávamos próximo ao inimigo, dentro de um cerco que pode ser executado em virtude da existência de muitas estradas na região. O tenente Mendes foi condenado a morrer à coronhadas de fuzil, e assim o foi, sendo depois enterrado."
Seu corpo, desumanamente desfigurado, foi abandonado na mata, região de Registro, no sul do Estado... Só foi encontrado após 4 meses, em 09 de setembro daquele ano, através de longas buscas levadas a efeito por indicação de um dos terroristas participantes, Ariston Oliveira Lucena, que fora preso posteriormente no bairro da Vila Mariana, na Capital (traficante de maconha).
A Polícia descobriu sua ligação com os demais terroristas assassinos do Tenente MENDES JUNIOR. Através da arcada dentária, formação craniana, altura, bota "comando" e os restos da farda o Instituto Médico-Legal identificou-o.
No dia 11 de setembro fora velado, inicialmente, na sede do CQG-Quartel do Comando Geral da PMESP, e, posteriormente, transladado (menos de 400 metros) para a sede do Batalhão "TOBIAS DE AGUIAR" (ROTA), o qual pertencia o Tenente PM MENDES JÚNIOR, sempre guarnecida por CADETES da Academia.
15h00 começa o deslocamento para sua última morada, o Cemitério do Araçá, 6 Km distante. Coberto pela Bandeira Nacional, o caixão deixou o BTA em um carro do Corpo de Bombeiros da PMESP. A frente do carro, motociclistas batedores da Instituição, seguidos pelo Corpo Musical, que entoou marchas fúnebres; um destacamento da Cavalaria e, após, o carro do Corpo de Bombeiros com a esquife. Atrás, uma enorme massa humana acompanha sua despedida (em torno de 100 mil pessoas em todas as fases-velório, deslocamento e enterro), composta por autoridades civis e militares, militares das Forças Armadas e PMESP, VETERANOS DE 1932 e o povo... Iniciou-se o deslocamento pela Av. Tiradentes, Prestes Maia, Senador Queiroz, Cásper Líbero e Ipiranga, Rua da Consolação e Av. Dr. Arnaldo, alcançando o Cemitério do Araçá.

O heroi descansa hoje no Mausoleu da PMESP, no mesmo Cemitério. Por seu nobre ato foi promovido, após sua morte, ao posto de CAPITÃO PM. A guerrilha na região foi sufocada e extinta.
Homenagens ao Capitão PM Alberto Mendes Júnior:
1. O nome do Pátio principal da Academia de Polícia Militar do Barro Branco - APMBB, desde 15 de dezembro de 1970.
1.1. No mesmo Pátio há um busto em sua homenagem, inaugurado no 23º aniversário de sua morte (10 de maio de 1993);

2. Na entrada principal do CQG-Quartel do Comando Geral da Instituição, localizado na Praça Coronel Fernando Prestes, no bairro da Luz, Capital, outro busto presta-lhe homenagem;

3. Um Memorial em mármore e bronze, com sua silhueta completa e “espada batida”, no pátio do Batalhão Tobias de Aguiar (ROTA), na Av. Tiradentes, na Capital;

4. Patrono do 14º BPM/I, com sede na cidade de Registro- SP; 5. Uma rua no bairro de Tucuruvi, na zona norte da Capital e inúmeras outras cidades do interior do Estado; 6. Uma Escola Pública Municipal, no bairro do Itaim Paulista, na zona leste da Capital; 7. Uma Escola Estadual no Jardim Vila Galvão, na cidade de Guarulhos-SP, local que havia completado o antigo curso primário.
Muitos dos integrantes daqueles "grupos revolucionários" estavam (estão) envolvidos nas tramoias do Mensalão e da Lava-Jato...
Capitão PM Mendes Jr., seu sacrifício não foi em vão!
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Capitão PMESP Sérgio Marques.
CAPITÃO
ALBERTO MENDES JÚNIOR falecido em 10 de maio de 1970. A história não pode ser
apagada, que possamos aprender com ela. Uma homenagem.
"Meu
filho, você prometeu voltar no Dia das Mães com um presente. Eis como você
veio!"
(Palavras
da mãe do Herói - D. ANGELINA PLÁCIDO MENDES)
10
de maio de 1970 – MEMÓRIA DO CAPITÃO ALBERTO MENDES JÚNIOR.
Ainda
no auge da Guerra Fria, grassavam guerrilhas comunistas na América Latina, e
vários brasileiros foram enviados à China para treinamento de guerrilha. Isto,
nos governos de Jânio Quadros e João Goulart.
Já
em 1962, o comunismo internacional usava como estratégia de expansão uma
guerrilha revolucionária e fazia erigir regimes comunistas na Europa, Ásia,
África e Cuba.
No
Brasil, durante o primeiro ano como governador e Pernambuco, Miguel Arraes,
eleito pelo Partido Social Trabalhista – PST, apoiado pelo Partido Comunista do
Brasil – PCB, homenageou Luiz Carlos Prestes, maior líder comunista brasileiro,
de quem era amigo íntimo.
Prestes
trabalhou nas campanhas políticas do amigo, também comunista, Miguel Arraes e
disse: “Nós, comunistas, estamos no governo, mas ainda não no poder”.
Quatro
anos depois, 1966, os terroristas, subversivos, utilizaram sete contra a
população, o governo e a soberania da Pátria, em Recife. Em um desses ataques
terroristas, as explosões ceifaram a vida do jornalista Edson Régis de
Carvalho, do Guarda Civil, Tomás de Aquino e do Almirante Nelson Gomes
Fernandes. Os ataques também causaram dezenas de vítimas que sofreram graves
ferimentos, amputações e problemas psicológicos.
Assim
age o terrorista, indiscriminadamente, forma tão apregoada por Carlos
Marighella, atingindo pessoas inocentes.
Alberto
Mendes Junior, apresentou-se no Batalhão Tobias de Aguiar no dia 06 de
fevereiro de 1970, logo se entrosou e era chamado pelos seus companheiros de “Português”,
era alegre, sempre sorridente e muito competente.
Em
incursão nas matas do Vale do Ribeira, vários policiais militares do Estado de
São Paulo, procuravam pelo terrorista Carlos Lamarca e seus homens que formavam
o grupo de extrema-esquerda, denominado Vanguarda Popular Revolucionária – VPR.
Era
o pelotão comandado pelo Tenente Alberto Mendes Junior. No início de maio, seu
batalhão, o Tobias de Aguiar foi destacado para apoiar a Companhia
Independente, sediada em Registro. Dois pelotões do Tobias de Aguiar foram para
lá, sob o comando do Capitão PM Carlos de Carvalho.
Encontraram-se.
Alguns policiais já estavam feridos e inaptos, pelo menos temporariamente ao
trabalho que tanto amavam. O tiroteio seguia e a desvantagem era enorme para a
PM.
O
Tenente Alberto Mendes Junior ouviu dos terroristas que se rendesse, um pedido
absurdo à um militar paulista. Contudo, em troca de sua rendição, deixariam que
os policiais feridos pudessem regressar em busca de socorro médico e os demais,
também retornarem. O tenente pode regressar para Sete Barras com seus
companheiros de farda feridos para atendimento médico, deixando ali homens
entrincheirados, resguardando as posições, mas sob a mira dos terroristas.
Retornou sozinho e cumpriu sua promessa, salvava, então as primeiras vidas. Com
o intuito de libertar seus outros companheiros, Alberto Mendes Junior
praticamente não tinha mais escolhas, foi então que perguntou à Lamarca que
libertasse seus subordinados e no lugar deles se apresentaria como refém.
Carlos Lamarca, demorou para responder, mas aceitou.
Na
tarde do dia 10 de maio, os membros da Vanguarda Popular Revolucionária e seu
refém, o Ten PM Alberto Mendes Junior, pararam para descanso em meio as longas
caminhadas na mata. Em reunião distante de Alberto, Lamarca, Fujimore e
Sobrosa, formaram um tribunal revolucionário e decidiram matar o tenente.
Com
um serviço de Inteligência que trabalhava sobremaneira, a PM de São Paulo,
prendeu Ariston de Oliveira Lucena, em São Paulo no dia 19 de agosto do mesmo
ano. Este, participante do grupo de Lamarca e um dos executores de Alberto
Mendes Junior, indicou o local onde estava enterrado o tenente. Poucos dias
depois a polícia e o terrorista foram até o local.
Quatro
meses e um dia depois o corpo do Tenente Alberto Mendes Junior foi sepultado.
Não sem antes ser velado antigo Quartel General da Polícia Militar, hoje
denominado Comando Geral da Polícia Militar, ao lado de seu Batalhão, 1°BPChq
“Tobias de Aguiar”. O féretro de Alberto Mendes Junior comoveu a todos, era um
herói que ali jazia. Mais de 100 mil pessoas participaram do evento de seu
enterro. Às 14 horas, em um caminhão do Corpo de Bombeiros, parte da Avenida
Tiradentes para o Mausoléu da Polícia Militar no Cemitério do Araçá.

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