DIA DE SANTA MARIA MADALENA. Nascida em MAGDALA, na GALILÉIA, teve
participação importante na passagem de JESUS pela Terra. Arrependida de suas
faltas esteve ao lado de NOSSA SENHORA aos pés da Cruz, no alto do CALVÁRIO.
Foi testemunha do sepulcro vazio. Foi a primeira a ver NOSSO SENHOR no Domingo
de ALELUIA e anunciou a ressurreição. É exemplo de coragem.
Santa Maria Madalena
Contrição
perfeita que levou à santidade
Quando
todos os Apóstolos fugiram por ocasião da Paixão, um grupo de mulheres, entre
elas Maria Madalena, permaneceu fielmente junto a Nossa Senhora aos pés da Cruz
Plinio Maria Solimeo
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Os Santos Evangelhos referem-se a uma
Maria pecadora (Lc 7, 36-50), a uma Maria irmã de Marta e Lázaro (Lc 10, 38-42,
Jo 11), e a uma Maria Madalena. Os Padres gregos entendem que elas são três
pessoas distintas. Os Padres latinos, entretanto –– desde Tertuliano, Santo
Ambrósio, São Jerônimo, Santo Agostinho, São Gregório Magno, até São Bernardo e
Santo Tomás de Aquino –– reconhecem nas três uma e mesma pessoa: a Santa Maria
Madalena penitente, que seguiu Nosso Senhor durante a Paixão.
Baseados
nesta autorizada opinião, que foi adotada pela Igreja, seguiremos os traços da
vida de Santa Maria Madalena –– cuja festa é celebrada a 22 de julho ––
seguindo os Santos Evangelhos e as várias tradições que chegaram até nós.
A pecadora da cidade de Magdala
Maria
Madalena teria nascido em Betânia, cidade da Judéia, de pais muito ricos, tendo
por irmãos Marta e Lázaro. Como parte de sua herança, recebera o castelo de
Magdala, de onde lhe veio o nome.
Uma
lenda fala de sua esplêndida formosura, cabeleira famosa, de seu engenho, e
apresenta-a casada com um doutor da Lei que, muito ciumento, a trancava em casa
quando saía. Cheia de vida, altiva e impetuosa, Maria teria sacudido esse jugo
e fugido com um oficial das tropas do César. Estabeleceram-se no castelo de
Magdala, perto de Cafarnaum, de onde em breve o rumor de suas desordens e
escândalos encheu a região.
Enquanto
isso, o divino Salvador havia iniciado sua peregrinação, e a fama de seus
milagres e santidade de vida estendia-se pelas terras da Palestina. Atormentada
por demônios e pelos remorsos de sua consciência culpada, Maria foi procurar o
grande Taumaturgo que alguns apontavam como sendo o Messias prometido. Não
sabia que seus irmãos já se tinham tornado seus discípulos e rezavam
fervorosamente por sua conversão.
O
Senhor apiedou-se dela e livrou-a de sete demônios (Mc 16, 9), tocando-lhe
também profundamente o coração.
Lágrimas de compunção sincera
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A
partir de então, começou para Madalena a completa conversão. Horrorizada ante
seus inúmeros pecados, e cativada pela bondade e mansidão de Jesus, ela
procurava uma ocasião em que pudesse mostrar-Lhe seu reconhecimento e profundo
arrependimento.
Essa
ocasião surgiu na casa de Simão — um fariseu, provavelmente de Cafarnaum —, que
havia convidado o Mestre para uma refeição. O ágape seguia seu curso normal,
quando inesperadamente Madalena irrompeu na sala, foi diretamente até Jesus,
rompeu um vaso de alabastro que levava apertado ao peito, e “começando a banhar-Lhe os pés com lágrimas,
enxugava-os com os cabelos da sua cabeça, beijava-os e os ungia com o bálsamo”
(Lc 7, 38). Simão tomou a mal esse ato. Como ousava uma pecadora pública entrar
assim no santuário de seu lar e profaná-lo com sua presença? Ademais, cogitou
ele, “se este fosse profeta, com
certeza saberia quem e qual é a mulher que o toca, pois é pecadora”. O
divino Salvador, lendo seu pensamento, respondeu-lhe com uma parábola: “Um credor tinha dois devedores: um
devia-lhe quinhentos denários, o outro cinquenta. Não tendo eles com que pagar,
perdoou a ambos a dívida. Qual deles o amará mais?”. Simão respondeu
acertadamente: “Creio que aquele a
quem perdoou mais”. Respondeu-lhe Jesus: “Julgaste bem”. E, voltando-se para a mulher, disse a Simão: “Vês esta mulher? Entrei em tua casa, não me
deste água para os pés; e esta, com as suas lágrimas, banhou os meu pés e
enxugou-os com os seus cabelos. Não me deste o ósculo (da paz), porém esta,
desde que entrou, não cessou de beijar os meus pés. Não ungiste a minha cabeça
com bálsamo; entretanto, esta ungiu com bálsamo os meus pés. Pelo que te digo:
são-lhe perdoados muitos pecados, porque muito amou” (Id., ib. 39-50).
“Maria escolheu a melhor parte”
Perdoada,
convertida, despojada de suas galas mundanas, Maria Madalena foi viver com seus
irmãos em Betânia.
Foi
lá que as duas irmãs receberam a visita do Messias prometido. Lázaro, parece,
estava ausente. Maria sentou-se junto ao Salvador para absorver suas palavras
divinas, enquanto Marta afanava-se nos afazeres domésticos para bem receber seu
divino Hóspede. E julgou que sua irmã fazia mal, pois em vez de ajudá-la,
estava ali sentada esquecida da vida. Disse Jesus: “Marta, Marta, afadigas-te
e andas inquieta com muitas coisas. Entretanto uma só coisa é necessária. Maria
escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada” (Lc 10, 38-42).
Mais
tarde Lázaro ficou muito doente, e o Mestre divino estava longe. As duas irmãs
mandaram-lhe uma mensagem: “Senhor,
eis que está enfermo aquele que amais”. Mas Jesus não apareceu, e Lázaro
morreu. Quando foi a Betânia, Lázaro jazia no sepulcro havia já quatro dias.
Nosso
Senhor, que amava Lázaro, comoveu-se diante da dor das duas irmãs, e foi uma
das raras ocasiões em que chorou. Depois, diante de muita gente, inclusive de
fariseus, ressuscitou Lázaro (Jo 11, 1-46). Milagre estupendo, que provava sua
divindade.
Em
outra visita do divino Mestre a Betânia, Maria Madalena, já não mais “a
pecadora”, ungiu novamente os pés do Redentor com precioso perfume, o que levou
Judas a reclamar do “desperdício”, pois podiam vender o perfume e “dar o dinheiro aos pobres”. Nosso
Senhor interveio: “Deixai-a; ela
reservou isso para o dia da minha sepultura; porque sempre tendes os pobres
convosco, mas a mim não tendes sempre” (Jo 12, 1-8). Advertência muito
válida hoje em dia para os que, com o pretexto de amor aos pobres, pretendem
acabar com as pompas sagradas da Igreja!
Aos pés da cruz junto com Nossa Senhora:
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Chegou o momento da Paixão. São Pedro
negou o Mestre, e todos os Apóstolos fugiram. Somente algumas santas mulheres
percorreram a Via Dolorosa junto ao divino Redentor. Aos pés da cruz, Maria
Madalena encontrou-se acompanhando Nossa Senhora e São João Evangelista. Quando
o corpo de Jesus foi depositado no sepulcro novo de José de Arimatéia, Madalena
estudou bem o modo como ele era feito e a pedra com que selaram sua entrada.
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Narra
São João: “No primeiro dia da semana,
foi Maria Madalena ao sepulcro, de manhã, sendo ainda escuro, e viu a pedra
retirada do sepulcro”. Surpresa, ela pensou primeiro em avisar os
discípulos. Relatou o que vira a São Pedro, que com São João Evangelista correu
para o sepulcro, e os seguiu. E acrescenta São João: “Entretanto, Maria Madalena conservava-se na parte externa do sepulcro,
chorando. Enquanto chorava, inclinou-se e olhou para o sepulcro, e viu dois
anjos vestidos de branco, sentados no lugar onde fora posto o corpo de Jesus,
um à cabeceira e outro aos pés. Eles disseram-lhe: Mulher, por que choras?
Respondeu-lhes: Porque levaram o meu Senhor e não sei onde o puseram”.
Então voltou-se e viu Nosso Senhor. Mas, devido à penumbra e pela veste, julgou
ser o jardineiro. Perguntou-lhe Jesus: “Mulher,
por que choras? A quem procuras?”. Ela, sempre pensando que fosse o
jardineiro, respondeu-lhe: “Se tu o
levaste, dize-me onde o puseste; eu irei buscá-lo”. Nosso Senhor lhe
disse então: “Maria!”. Reconhecendo
o Redentor, ela só pôde exclamar: “Raboni!”,
que em hebraico quer dizer Mestre (Jo 20, 1-18).
Mais
tarde, depois do martírio de Santo Estevão, de acordo com os Atos dos Apóstolos desencadeou-se uma
perseguição tão violenta dos judeus contra os cristãos em Jerusalém, que todos
os fiéis, com exceção dos Apóstolos, se retiraram da cidade para a Judéia e a
Samaria. O que leva a supor que também Maria Madalena e seus irmãos saíssem da
Cidade Santa dirigindo-se para a Galiléia. Quando a perseguição cessou,
voltaram eles para Jerusalém, onde permaneceram até o ano de 45, mas houve uma
segunda grande perseguição. São Pedro partiu então para Roma, e a Virgem
Santíssima foi conduzida por São João Evangelista a Éfeso. Os Padres gregos
afirmam que para lá foi também Santa Maria Madalena, tendo morrido e sido
enterrada naquela cidade.
Mas
outra tradição, não menos vigorosa, afirma que ela e seus irmãos, mais alguns
outros cristãos, foram presos pelos judeus em Jerusalém e colocados no mar num
barco sem remo, sem leme, e sem as mínimas condições para navegar, a fim de
perecerem num naufrágio. Alguns afirmam que São Maximino, um dos 72 discípulos
do Senhor, e Sidônio (o cego de nascença de que fala o Evangelho, e que foi
curado por Nosso Senhor) e mesmo José de Arimatéia sofreram a mesma sorte.
Entretanto,
o barco dirigiu-se milagrosamente para a Sicília, e de lá para a França,
chegando finalmente a Marselha, que era então um dos principais portos das
Gálias.
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São
Maximino foi bispo de Aix, e São Lázaro encarregou-se da igreja de Marselha.
Santa Marta reuniu em Tarascão uma comunidade de virgens, e Maria Madalena,
depois de ter trabalhado eficazmente na conversão dos marselheses, retirou-se
para viver na solidão, refugiando-se numa gruta que se encontra na igreja de
São Vítor, em Marselha. Mas, como não julgasse tal lugar suficientemente
recolhido, afastou-se para uma montanha entre Aix, Marselha e Toulon, “La Sainte Baume” (a Santa Montanha
ou Santa Gruta), como dizem os habitantes do lugar. Lá permaneceu cerca de
trinta anos, levando vida contemplativa e penitencial.
Enfim,
estando para morrer, os anjos levaram-na para junto de São Maximino, de quem
recebeu os últimos sacramentos, entregando sua alma a Deus. Seu corpo foi
então, segundo a tradição, levado para um povoado vizinho –– a Villa Lata, depois São Maximino –– onde esse bispo havia
construído uma capela.
No
século VIII, por temor dos sarracenos, suas relíquias foram trasladadas para um
lugar seguro, tendo ficado esquecidas até que Carlos II, rei da Sicília e Conde
da Provença, as encontrou em 1272. Entretanto, a urna de Santa Maria Madalena
desapareceu no século XVI, durante as guerras de religião entre católicos e
protestantes.
E-mail
do autor: pmsolimeo@catolicismo.com.br
____________Obras consultadas:
- Les Petits Bollandistes, Vies des Saints, Bloud et Barral, Paris,
1882, tomo VIII, pp. 583 e ss.
- Edelvives,
El Santo de Cada Dia, Editorial Luis Vives, S.A., Saragoça, 1948, tomo IV, pp.
221 e ss.
- Fr. Justo
Perez de Urbel, O.S.B., Año Cristiano, Ediciones Fax, Madri, 1945, tomo III,
pp. 166 e ss.
- Hugo Pope, Saint Mary
Magdalen, The Catholic Encyclopedia, Robert Appleton & Company, 1910,
Online edition, www.NewAdvent.org
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