O dia 4 de julho, no calendário hagiográfico da Igreja Católica, é
dedicado a SANTA ISABEL, rainha de PORTUGAL, filha de PEDRO III do Reino de
ARAGÃO, onde ela nasceu em 1271 e foi casada com DOM DINIZ, Rei de Portugal,
cuja Corte tornou-se foco de intensa vida literária, por motivo da participação
ativa do régio trovador, célebre por suas “cantigas de amor” e “cantigas de
amigo”, além das “baladas e pastorelas”, impregnadas de profundo lirismo.
ISABEL,
sobrinha neta da filha homônima do rei ANDRÉ II DA HUNGRIA, da dinastia
Arpadiana e chefe da 5ª Cruzada, era devota de sua tia, também canonizada pela
Igreja, em 1235. Em PORTUGAL, a memória de SANTA ISABEL, conhecida como RAINHA
SANTA, é intensamente cultuada pelo povo, sobretudo na cidade de COIMBRA,
banhada pelo histórico MONDEGO, onde a Rainha, após da morte do marido,
ocorrida em 7 de janeiro de 1325 (do calendário juliano), internou-se no
Convento de SANTA CLARA, que mandou reconstruir, sob o hábito das Irmãs
Terceiras da Ordem de SÃO FRANCISCO DE
ASSIS, quando contava 55 anos de idade, a fim de entregar-se à prática da
caridade e filantropia em prol dos pobres e doentes dessa região, e onde jaz
seu corpo junto do altar-mór, num artístico sarcófago, em cumprimento à verba
do seu último testamento, ditado em 1327.
A piedosa
Rainha, a despeito das humilhações suportadas com as infidelidades conjugais do
marido, sobreviveu onze anos à sua morte, falecendo no dia 4 de julho de 1336,
numa quinta-feira, aos sessenta e cinco anos, afastada, de seu retiro de SANTA
CLARA, na cidade de ENTREMÓZ, sob inclemente calor do verão europeu, vítima de
pertinaz moléstia, de onde seu corpo foi transportado até COIMBRA, vencendo a
distância de seis léguas, sem qualquer sinal de deterioração, e cuja
incorruptibilidade, confirmada em 26 de março de 1612, fora considerada prova
inquestionável de sua santidade.
Ali repousa a
Rainha Santa, a quem a população atribui inúmeros milagres, sobretudo o “das
rosas”, que FERNANDO BARROS LEITE relata numa exaustiva biografia (“O Rei Dom
DINIZ e a Rainha SANTA ISABEL”, ed. 1993), louvado nos melhores autores coevos,
e que alcançou a glória dos altares no pontificado de URBANO VIII, no dia 25 de
maio de 1625, festivamente comemorado em LISBOA, COIMBRA, MADRID e SARAGOÇA.
Aliás, na Sé
Catedral desta histórica cidade da ESPANHA, às margens do EBRO, celebram-se
festas em memória da nobilíssima Rainha, havendo na alcova onde ela nasceu em
1271, uma lápide de mármore com a data de seu nascimento, além da indicação de
sua nobre ascendência e condição de mulher de Dom DINIZ, rei de PORTUGAL, em
como a de sua canonização, no referido ano de 1625, pelo citado PAPA URBANO
VIII. Vale notar que nesse pontificado, que durou vinte e um anos, não houve
outra canonização, exceto o de SANTA ISABEL, sendo sua festa, inicialmente
fixada para o dia 8 de julho, por concorrer no dia 4 a oitava dos apóstolos
PEDRO e PAULO, acabou sendo modificada pelo PAPA BENTO XIV, que autorizou a comemoração no dia de sua morte, a 4 de
julho de cada ano.
Na capital
bandeirante, os devotos de SANTA ISABEL, liderados pelo saudoso padre
napolitano CIRO TURINO promoveram um movimento comunitário para a construção de
uma igreja em sua homenagem, hoje situada na Alameda RAINHA SANTA, 323, VILA
SANTA ISABEL, entre as Vilas FORMOSA e VILA CARRÃO, no bairro do TATUAPÉ, no
mesmo local onde havia uma capela consagrada por MARIETA TEIXEIRA DE CARVALHO à
memória da orago, obedecendo sua edificação a um projeto de BENEDITO CALIXTO
NETO, cuja magnífica torre, medindo 93 metros de altura, servida por extensa
escadaria de 407 degraus, foi inspirada na Catedral de SANTA MARIA DEL FIORE,
em FLORENÇA, na ITÁLIA. A entrada do templo, dotada de três grandes portas,
simboliza a SANTÍSSIMA TRINDADE, enquanto os vitrais, sobretudo os do fundo,
retratam os diferentes momentos da vida da Padroeira que salvou a dinastia
portuguesa, ameaçada pelas divergências entre seu falecido marido e
pretendentes da coroa, além da alusão ao célebre “MILAGRE DAS ROSAS”, segundo o
qual a piedosa Rainha, ao ser surpreendida pelo marido, no momento em que
distribuía moedas de ouro aos operários do convento de SANTA CLARA, as peças de
metal, transformaram-se em flores no regaço da Rainha !
Patrona espiritual
da SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE SÃO PAULO, seu glorioso nome foi atribuído com
inegável merecimento ao hospital anexo ao prestimoso nosocômio paulista,
situado na Rua DONA VERIDIANA, quando de sua solene inauguração em 1972, na
gestão do Provedor CRISTIANO ALTENFELDER SILVA, ato esse que constou com a
presença de inúmeras autoridades, inclusive o então presidente da República
GENERAL EMÍLIO GARRASTAZU MÉDICI, que percorreu, na ocasião, algumas de suas
modernas dependências.
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