segunda-feira, 4 de julho de 2022

4 DE JULHO - DIA DE SANTA ISABEL

 


O dia 4 de julho, no calendário hagiográfico da Igreja Católica, é dedicado a SANTA ISABEL, rainha de PORTUGAL, filha de PEDRO III do Reino de ARAGÃO, onde ela nasceu em 1271 e foi casada com DOM DINIZ, Rei de Portugal, cuja Corte tornou-se foco de intensa vida literária, por motivo da participação ativa do régio trovador, célebre por suas “cantigas de amor” e “cantigas de amigo”, além das “baladas e pastorelas”, impregnadas de profundo lirismo.

ISABEL, sobrinha neta da filha homônima do rei ANDRÉ II DA HUNGRIA, da dinastia Arpadiana e chefe da 5ª Cruzada, era devota de sua tia, também canonizada pela Igreja, em 1235. Em PORTUGAL, a memória de SANTA ISABEL, conhecida como RAINHA SANTA, é intensamente cultuada pelo povo, sobretudo na cidade de COIMBRA, banhada pelo histórico MONDEGO, onde a Rainha, após da morte do marido, ocorrida em 7 de janeiro de 1325 (do calendário juliano), internou-se no Convento de SANTA CLARA, que mandou reconstruir, sob o hábito das Irmãs Terceiras da Ordem de  SÃO FRANCISCO DE ASSIS, quando contava 55 anos de idade, a fim de entregar-se à prática da caridade e filantropia em prol dos pobres e doentes dessa região, e onde jaz seu corpo junto do altar-mór, num artístico sarcófago, em cumprimento à verba do seu último testamento, ditado em 1327.

A piedosa Rainha, a despeito das humilhações suportadas com as infidelidades conjugais do marido, sobreviveu onze anos à sua morte, falecendo no dia 4 de julho de 1336, numa quinta-feira, aos sessenta e cinco anos, afastada, de seu retiro de SANTA CLARA, na cidade de ENTREMÓZ, sob inclemente calor do verão europeu, vítima de pertinaz moléstia, de onde seu corpo foi transportado até COIMBRA, vencendo a distância de seis léguas, sem qualquer sinal de deterioração, e cuja incorruptibilidade, confirmada em 26 de março de 1612, fora considerada prova inquestionável de sua santidade.

Ali repousa a Rainha Santa, a quem a população atribui inúmeros milagres, sobretudo o “das rosas”, que FERNANDO BARROS LEITE relata numa exaustiva biografia (“O Rei Dom DINIZ e a Rainha SANTA ISABEL”, ed. 1993), louvado nos melhores autores coevos, e que alcançou a glória dos altares no pontificado de URBANO VIII, no dia 25 de maio de 1625, festivamente comemorado em LISBOA, COIMBRA, MADRID e SARAGOÇA.

Aliás, na Sé Catedral desta histórica cidade da ESPANHA, às margens do EBRO, celebram-se festas em memória da nobilíssima Rainha, havendo na alcova onde ela nasceu em 1271, uma lápide de mármore com a data de seu nascimento, além da indicação de sua nobre ascendência e condição de mulher de Dom DINIZ, rei de PORTUGAL, em como a de sua canonização, no referido ano de 1625, pelo citado PAPA URBANO VIII. Vale notar que nesse pontificado, que durou vinte e um anos, não houve outra canonização, exceto o de SANTA ISABEL, sendo sua festa, inicialmente fixada para o dia 8 de julho, por concorrer no dia 4 a oitava dos apóstolos PEDRO e PAULO, acabou sendo modificada pelo PAPA BENTO XIV, que autorizou   a comemoração no dia de sua morte, a 4 de julho de cada ano.

Na capital bandeirante, os devotos de SANTA ISABEL, liderados pelo saudoso padre napolitano CIRO TURINO promoveram um movimento comunitário para a construção de uma igreja em sua homenagem, hoje situada na Alameda RAINHA SANTA, 323, VILA SANTA ISABEL, entre as Vilas FORMOSA e VILA CARRÃO, no bairro do TATUAPÉ, no mesmo local onde havia uma capela consagrada por MARIETA TEIXEIRA DE CARVALHO à memória da orago, obedecendo sua edificação a um projeto de BENEDITO CALIXTO NETO, cuja magnífica torre, medindo 93 metros de altura, servida por extensa escadaria de 407 degraus, foi inspirada na Catedral de SANTA MARIA DEL FIORE, em FLORENÇA, na ITÁLIA. A entrada do templo, dotada de três grandes portas, simboliza a SANTÍSSIMA TRINDADE, enquanto os vitrais, sobretudo os do fundo, retratam os diferentes momentos da vida da Padroeira que salvou a dinastia portuguesa, ameaçada pelas divergências entre seu falecido marido e pretendentes da coroa, além da alusão ao célebre “MILAGRE DAS ROSAS”, segundo o qual a piedosa Rainha, ao ser surpreendida pelo marido, no momento em que distribuía moedas de ouro aos operários do convento de SANTA CLARA, as peças de metal, transformaram-se em flores no regaço da Rainha !

Patrona espiritual da SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE SÃO PAULO, seu glorioso nome foi atribuído com inegável merecimento ao hospital anexo ao prestimoso nosocômio paulista, situado na Rua DONA VERIDIANA, quando de sua solene inauguração em 1972, na gestão do Provedor CRISTIANO ALTENFELDER SILVA, ato esse que constou com a presença de inúmeras autoridades, inclusive o então presidente da República GENERAL EMÍLIO GARRASTAZU MÉDICI, que percorreu, na ocasião, algumas de suas modernas dependências.

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