58 a. Leiam o Editorial do Jornal O Globo, em sua edição de 02 de
setembro de 1964 !! - RESSURGE A DEMOCRACIA: - Vive a Nação dias gloriosos.
Porque souberam unir-se todos os patriotas, independentemente de vinculações
políticas, simpatias ou opinião sobre problemas isolados, para salvar o que é
essencial: a democracia, a lei e a ordem. Graças à decisão e ao heroísmo das
Forças Armadas, que obedientes a seus chefes demonstraram a falta de visão dos
que tentavam destruir a hierarquia e a disciplina, o Brasil livrou-se do
Governo irresponsável, que insistia em arrastá-lo para rumos contrários à sua
vocação e tradições. Como dizíamos, no editorial de anteontem, a legalidade não
poderia ser a garantia da subversão, a escora dos agitadores, o anteparo da
desordem. Em nome da legalidade, não seria legítimo admitir o assassínio das
instituições, como se vinha fazendo, diante da Nação horrorizada. Agora, o
Congresso dará o remédio constitucional à situação existente, para que o País
continue sua marcha em direção a seu grande destino, sem que os direitos
individuais sejam afetados, sem que as liberdades públicas desapareçam, sem que
o poder do Estado volte a ser usado em favor da desordem, da indisciplina e de
tudo aquilo que nos estava a levar à
anarquia e ao comunismo. Poderemos, desde hoje, encarar o futuro
confiantemente, certos, enfim, de que todos os nossos problemas terão soluções,
pois os negócios públicos não mais serão geridos com má-fé, demagogia e
insensatez. Salvos da comunização que celeremente se preparava, os brasileiros
devem agradecer aos bravos militares, que os protegeram de seus inimigos.
Devemos felicitar-nos porque as Forças Armadas, fiéis ao dispositivo
constitucional que as obriga a defender a Pátria e a garantir os poderes
constitucionais, a lei e a ordem, não confundiram a sua relevante missão com a
servil obediência ao Chefe de apenas um daqueles poderes, o Executivo. No
momento em que o Sr. João Goulart ignorou a hierarquia e desprezou a disciplina
de um dos ramos das Forças Armadas, a Marinha de Guerra, saiu dos limites da
lei, perdendo, consequentemente, o direito a ser considerado como um símbolo da
legalidade, assim como as condições indispensáveis à Chefia da Nação e ao
Comando das corporações militares. Sua presença e suas palavras na reunião
realizada no Automóvel Clube, vincularam-no, definitivamente, aos adversários
da democracia e da lei. Atendendo aos anseios nacionais, de paz, tranquilidade
e progresso, impossibilitados, nos últimos tempos, pela ação subversiva
orientada pelo Palácio do Planalto, as Forças Armadas chamaram a si a tarefa de
restaurar a Nação na integridade de seus direitos, livrando-os do amargo fim
que lhe estava reservado pelos vermelhos que haviam envolvido o Executivo
Federal. Este não foi um movimento partidário. Dele participaram todos os
setores conscientes da vida política brasileira, pois a ninguém escapava o
significado das manobras presidenciais. Aliaram-se os mais ilustres líderes
políticos, os mais respeitados Governadores, com o mesmo intuito redentor que
animou as Forças Armadas. Era a sorte da democracia no Brasil que estava em
jogo. A esses líderes civis devemos, igualmente, externar a gratidão de nosso
povo. Mas, por isto que nacional, na mais ampla acepção da palavra, o movimento
vitorioso não pertence a ninguém. É da Pátria, do Povo e do Regime. Não foi
contra qualquer reivindicação popular, contra qualquer ideia que, enquadrada
dentro dos princípios constitucionais, objetive o bem do povo e o progresso do
País.
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