domingo, 16 de outubro de 2022

93º ANIVERSÁRIO DA ATRIZ FERNANDA MONTENEGRO (16 DE OUTUBRO DE 1929)

 





  93 a. da atriz FERNANDA MONTENEGRO. ARLETTE PINHEIRO ESTEVES DA SILVA nasceu em 16 de outubro de 1929. Como rádio-atriz e locutora, ARLETTE manteve o nome de batismo, mas percebeu a necessidade de uma outra assinatura para os cargos de redatora e adaptadora, já que uma de suas funções na Rádio MEC foi a de adaptar romances para programas literários, muitos deles franceses. O nome FERNANDA surgiu da imaginação da leitora voraz de clássicos franceses, que associava o nome a heroínas de BALZAC e PROUST. Já o MONTENEGRO veio de um antigo médico homeopata da família, que não chegou a conhecer, mas que, segundo os parentes, fazia milagre. Mas FERNANDA MONTENEGRO ainda pisaria num palco como ARLETTE. Depois da primeira peça, um dramalhão chamado OS DOIS SARGENTOS, que encenou aos 8 anos, nos fundos de uma paróquia vizinha, ela entraria em cena de novo aos 16, numa peça A NOSSA NATASHA, do autor espanhol CASONA. A estreia profissional, porém, só viria em 1950, na peça ALEGRES CANÇÕES NAS MONTANHAS, de JULIAN LUCHAIRE.  Além de marcar a estreia da atriz essa peça foi fundamental para outro integrante de seu elenco. Estudante de medicina, FERNANDO TORRES encenava ao lado da futura mulher, seu primeiro espetáculo após tomar a decisão de abandonar a faculdade para ser ator. Na TUPI, FERNANDA ficou até 1952, quando os constantes atrasos de salário fizeram-na voltar ao teatro. Nesse mesmo ano, encenou ESTÁ LÁ FORA UM INSPETOR e LOUCURAS DO IMPERADOR, até receber o convite para ingressar na Companhia Teatral da atriz francesa HENRIETTE MORINEAU, tida na época como a melhor do RIO. A atriz casou-se com FERNANDO TORRES em 1953. Eles decidiram trabalhar juntos na Companhia de MORINEAU, que, em 1954, transferia-se para SÃO PAULO. Na mudança, a atriz abandonou o emprego na RÁDIO MEC, mas não se arrependeu. Com a saída da COMPANHIA de MORINEAU, no fim daquele ano, e o ingresso na de MARIA DE LA COSTA, o casal viveu a efervescência cultural de SÃO PAULO. FERNANDA, ao lado do marido e de ÍTALO ROSSI, SÉRGIO BRITTO e GIANNI RATTO criaram o TEATRO DOS SETE, em 1959, com a encenação de O MAMBEMBE. Antes disso, a atriz ingressou no TEATRO BRASILEIRO DE COMÉDIA – TBC. Além do TBC, FERNANDA voltou à tevê em 1956, para o GRANDE TEATRO TUPI, comandado por SÉRGIO BRITTO. Quando esperava o primeiro filho, a atriz era a protagonista da novela A MORTA SEM ESPELHO, de NELSON RODRIGUES, na TUPI. Na gravidez de FERNANDA TORRES, nascida em  1965, não foi diferente. Convidada por WÁLTER CLARK, que saíra da TV RIO para reformular a recém-inaugurada programação da TV GLOBO, encenou grávida o teleteatro da nova emissora.  No período entre os dois partos, ainda estreou no cinema em A FALECIDA (1964), de NELSON RODRIGUES; encenou a peça MARY, MARY (1963), de JEAN KERR, e retomou o trabalho no TEATRO DOS SETE, interrompido com a gravidez de CLÁUDIO, com MIRANDOLINA (1964), de CARLO GOLDONI. No fim dos anos 60 e início dos 70, a peça CALABAR, de CHICO BUARQUE e RUY GUERRA, produzida por FERNANDO TORRES, foi proibida, assim como O ELEFANTE NO CAOS, de MILLÔR. Em 1980, a atriz participaria, ao lado de GIANFRANCESCO GUARNIEI, do sucesso de ELES NÃO USAM BLACK-TIE, de LEON HIRSZMAN. Era o seu quinto filme no cinema, veículo que dezoito anos mais tarde a levaria à consagração internacional. Com a filha, ela contracenou pela primeira vez em 1981, na novela BRILHANTE, de GILBERTO BRAGA. Na peça THE FLASH AND CRASH DAYS, de GERALD THOMAS, FERNANDA MONTENEGRO e FERNANDA TORRES simulavam um jogo de cartas, numa mesa, onde não havia diálogos. FERNANDA aumentou sua projeção nacional a reboque das grandes audiências das novelas da GLOBO. Após a decisão tomada em 1971, com o marido FERNANDO TORRES, de priorizar o teatro, ela voltou à tevê em 1980, em BAILA COMIGO. Com o reconhecimento pelas atuações em GUERRA DOS SEXOS (1983) e CAMBALACHO (1986), ficou impossível a família sair à rua sem ser abordada por fãs. Como a DORA do filme CENTRAL DO BRASIL, de WÁLTER SALLES, a atriz chegou, aos 74 anos, ao topo da carreira iniciada em 1950. Um dos cinco concorrentes ao OSCAR de melhor filme estrangeiro, CENTRAL DO BRASIL rendeu à FERNANDA a indicação ao OSCAR de melhor atriz de 1999. O OSCAR daquele ano ficou com GWYNETH PALTROW, pela atuação em SHAKESPEARE APAIXONADO, mas FERNANDA já esperava o resultado. Não faltaram, porém, prêmios para ratificar o desempenho de FERNANDA MONTENEGRO no filme de WÁLTER SALLES. A atriz ganhou o URSO DE PRATA de melhor atriz no Festival de Cinema de BERLIM, foi indicada para o GLOBO DE OURO, escolhida melhor atriz no Festival de HAVANA e recebeu, por unanimidade, o prêmio da Associação Americana de Críticos de Cinema, uma associação criada pelo cineasta D.H. GRIFFITH, autor do clássico INTOLERÂNCIA, de 1916. Com cerca de 60 peças no currículo, a atriz se deu conta que, em 2003, completou dois anos sem pisar num palco, pela primeira vez, ao longo dos 53 anos de carreira. A ausência é justificada pelas oficinas de leitura dramática que FERNANDA ministra em diversos pontos do País.  No dia 28 de maio de 2004, estreia no filme O OUTRO LADO DA RUA, onde faz o papel de REGINA. Vive a espiar a vizinhança e numa certa noite assiste a uma cena de assassinato no apartamento em frente ao seu. Ou pelo menos isso é o que ela acha ter visto, já que o suposto assassino (RAUL CORTEZ), que é juiz, convence a polícia de que a morte se deu em decorrência de uma longa enfermidade. REGINA (FERNANDA MONTENEGRO) mostra um pequeno compêndio sobre a solidão, a decadência e a feiura, não só de REGINA, mas também do mundo que ela habita, o mundo dos velhos.

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