
93 a. da atriz FERNANDA MONTENEGRO. ARLETTE
PINHEIRO ESTEVES DA SILVA nasceu em 16 de outubro de 1929. Como rádio-atriz e
locutora, ARLETTE manteve o nome de batismo, mas percebeu a necessidade de uma
outra assinatura para os cargos de redatora e adaptadora, já que uma de suas
funções na Rádio MEC foi a de adaptar romances para programas literários,
muitos deles franceses. O nome FERNANDA surgiu da imaginação da leitora voraz
de clássicos franceses, que associava o nome a heroínas de BALZAC e PROUST. Já
o MONTENEGRO veio de um antigo médico homeopata da família, que não chegou a
conhecer, mas que, segundo os parentes, fazia milagre. Mas FERNANDA MONTENEGRO
ainda pisaria num palco como ARLETTE. Depois da primeira peça, um dramalhão
chamado OS DOIS SARGENTOS, que encenou aos 8 anos, nos fundos de uma paróquia
vizinha, ela entraria em cena de novo aos 16, numa peça A NOSSA NATASHA, do
autor espanhol CASONA. A estreia profissional, porém, só viria em 1950, na peça
ALEGRES CANÇÕES NAS MONTANHAS, de JULIAN LUCHAIRE. Além de marcar a estreia da atriz essa peça
foi fundamental para outro integrante de seu elenco. Estudante de medicina,
FERNANDO TORRES encenava ao lado da futura mulher, seu primeiro espetáculo após
tomar a decisão de abandonar a faculdade para ser ator. Na TUPI, FERNANDA ficou
até 1952, quando os constantes atrasos de salário fizeram-na voltar ao teatro.
Nesse mesmo ano, encenou ESTÁ LÁ FORA UM INSPETOR e LOUCURAS DO IMPERADOR, até
receber o convite para ingressar na Companhia Teatral da atriz francesa
HENRIETTE MORINEAU, tida na época como a melhor do RIO. A atriz casou-se com
FERNANDO TORRES em 1953. Eles decidiram trabalhar juntos na Companhia de
MORINEAU, que, em 1954, transferia-se para SÃO PAULO. Na mudança, a atriz
abandonou o emprego na RÁDIO MEC, mas não se arrependeu. Com a saída da
COMPANHIA de MORINEAU, no fim daquele ano, e o ingresso na de MARIA DE LA COSTA, o casal viveu a
efervescência cultural de SÃO PAULO. FERNANDA, ao lado do marido e de ÍTALO
ROSSI, SÉRGIO BRITTO e GIANNI RATTO criaram o TEATRO DOS SETE, em 1959, com a
encenação de O MAMBEMBE. Antes disso, a atriz ingressou no TEATRO BRASILEIRO DE
COMÉDIA – TBC. Além do TBC, FERNANDA voltou à tevê em 1956, para o GRANDE
TEATRO TUPI, comandado por SÉRGIO BRITTO. Quando esperava o primeiro filho, a
atriz era a protagonista da novela A MORTA SEM ESPELHO, de NELSON RODRIGUES, na
TUPI. Na gravidez de FERNANDA TORRES, nascida em 1965, não foi diferente. Convidada por WÁLTER
CLARK, que saíra da TV RIO para reformular a recém-inaugurada programação da TV
GLOBO, encenou grávida o teleteatro da nova emissora. No período entre os dois partos, ainda
estreou no cinema em A
FALECIDA (1964), de NELSON RODRIGUES; encenou a peça MARY,
MARY (1963), de JEAN KERR, e retomou o trabalho no TEATRO DOS SETE,
interrompido com a gravidez de CLÁUDIO, com MIRANDOLINA (1964), de CARLO
GOLDONI. No fim dos anos 60 e início dos 70, a peça CALABAR, de CHICO BUARQUE e RUY
GUERRA, produzida por FERNANDO TORRES, foi proibida, assim como O ELEFANTE NO
CAOS, de MILLÔR. Em 1980, a
atriz participaria, ao lado de GIANFRANCESCO GUARNIEI, do sucesso de ELES NÃO
USAM BLACK-TIE, de LEON HIRSZMAN. Era o seu quinto filme no cinema, veículo que
dezoito anos mais tarde a levaria à consagração internacional. Com a filha, ela
contracenou pela primeira vez em 1981, na novela BRILHANTE, de GILBERTO BRAGA.
Na peça THE FLASH AND CRASH DAYS, de GERALD THOMAS, FERNANDA MONTENEGRO e
FERNANDA TORRES simulavam um jogo de cartas, numa mesa, onde não havia
diálogos. FERNANDA aumentou sua projeção nacional a reboque das grandes
audiências das novelas da GLOBO. Após a decisão tomada em 1971, com o marido
FERNANDO TORRES, de priorizar o teatro, ela voltou à tevê em 1980, em BAILA COMIGO. Com
o reconhecimento pelas atuações em GUERRA DOS SEXOS (1983) e CAMBALACHO (1986),
ficou impossível a família sair à rua sem ser abordada por fãs. Como a DORA do
filme CENTRAL DO BRASIL, de WÁLTER SALLES, a atriz chegou, aos 74 anos, ao topo
da carreira iniciada em 1950. Um dos cinco concorrentes ao OSCAR de melhor
filme estrangeiro, CENTRAL DO BRASIL rendeu à FERNANDA a indicação ao OSCAR de
melhor atriz de 1999. O OSCAR daquele ano ficou com GWYNETH PALTROW, pela
atuação em
SHAKESPEARE APAIXONADO, mas FERNANDA já esperava o resultado.
Não faltaram, porém, prêmios para ratificar o desempenho de FERNANDA MONTENEGRO
no filme de WÁLTER SALLES. A atriz ganhou o URSO DE PRATA de melhor atriz no
Festival de Cinema de BERLIM, foi indicada para o GLOBO DE OURO, escolhida
melhor atriz no Festival de HAVANA e recebeu, por unanimidade, o prêmio da
Associação Americana de Críticos de Cinema, uma associação criada pelo cineasta
D.H. GRIFFITH, autor do clássico INTOLERÂNCIA, de 1916. Com cerca de 60 peças
no currículo, a atriz se deu conta que, em 2003, completou dois anos sem pisar
num palco, pela primeira vez, ao longo dos 53 anos de carreira. A ausência é
justificada pelas oficinas de leitura dramática que FERNANDA ministra em
diversos pontos do País. No dia 28 de
maio de 2004, estreia no filme O OUTRO LADO DA RUA, onde faz o papel de REGINA.
Vive a espiar a vizinhança e numa certa noite assiste a uma cena de assassinato
no apartamento em frente ao seu. Ou pelo menos isso é o que ela acha ter visto,
já que o suposto assassino (RAUL CORTEZ), que é juiz, convence a polícia de que
a morte se deu em decorrência de uma longa enfermidade. REGINA (FERNANDA
MONTENEGRO) mostra um pequeno compêndio sobre a solidão, a decadência e a
feiura, não só de REGINA, mas também do mundo que ela habita, o mundo dos
velhos.
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