88 a. falece o
escritor HUMBERTO DE CAMPOS em 5 de dezembro de 1934. Nasceu na pequena
localidade de Piritiba, no Maranhão, em 1886. Foi menino pobre. Estudou com
esforço e sacrifício. Ficou órfão de pai aos 5 anos de idade. Sua infância foi
marcada pela miséria. Em suas "Memórias", ele conta alguns episódios
que lhe deixaram sulcos profundos na alma. Tempo depois, mudou-se para o Rio de
Janeiro, então Capital da República, onde se tornou famoso. Brilhante
jornalista e cronista perfeito, suas páginas foram "colunas" em todos
os jornais importantes do País. Dedicou-se inteiramente à arte de escrever, e
por isso eram parcos os recursos financeiros. A certa altura da sua vida,
quando minguadas se fizeram as economias, teve a ideia de mudar de estilo. Adotando
o pseudônimo de Conselheiro XX, escreveu uma crônica chistosa a respeito da
figura eminente da época - Medeiros e Albuquerque-, que se tornou assim motivo
de riso, da zombaria e da chacota dos cariocas por vários dias. O Conselheiro,
sibilino e mordaz, feriu fundo o orgulho e a vaidade de Medeiros, colocando na
boca do povo os argumentos que todos desejavam assacar contra Albuquerque. O
sucesso foi total.
Tendo feito, por experiência, aquela crônica, de um
momento para outro se viu na contingência de manter o estilo e escrever mais,
pois seus leitores multiplicaram, chovendo cartas às redações dos jornais,
solicitando novas matérias do Conselheiro XX. Além de manter o estilo, Humberto
se foi aprofundando no mesmo, tornando-se para alguns, na época, quase imortal,
saciando o paladar de toda uma mentalidade que desejava mais liberdade de
expressão e mais explicitude na abordagem dos problemas humanos e sociais.
Quando adoeceu, modificou completamente o estilo. Sepultou o Conselheiro XX, e
das cinzas, qual Fênix luminosa, nasceu outro Humberto, cheio de piedade, compreensão
e entendimento para com as fraquezas e sofrimentos do seu semelhante. A alma
sofredora do País buscou avidamente Humberto de Campos e dele recebeu
consolação e esperança. Eram cartas de dor e desespero que chegavam às suas
mãos, pedindo socorro e auxílio. E ele, tocado nas fibras mais sensíveis do
coração, a todas respondia, em crônicas, pelos jornais, atingindo milhares de
leitores em circunstâncias idênticas de provações e lágrimas. Fez-se amado por
todo o Brasil, especialmente na Bahia e São Paulo. Seus padecimentos, contudo,
aumentavam dia-a-dia. Parcialmente cego e submetendo-se a várias cirurgias,
morando em pensão, sem o calor da família, sua vida era, em si mesma, um quadro
de dor e sofrimento. Não desesperava, porém, e continuava escrevendo para
consolo de muitos corações.
A 5 de dezembro de 1934, desencarnou. Partiu levando da
Terra amargas decepções. Jamais o Maranhão, sua terra natal, o aceitou. Seus
conterrâneos chegaram mesmo a hostilizá-lo. Três meses apenas de desencarnado,
retornou do Além, através do jovem médium Chico Xavier, este, com 24 anos de
idade somente, e começou a escrever, sacudindo o País inteiro com suas crônicas
de além-túmulo. O fato abalou a opinião pública. Os jornais do Rio de Janeiro e
outros estados estamparam suas mensagens, despertando a atenção de toda gente.
Os jornaleiros gritavam. Extra, extra! Mensagens de Humberto de Campos, depois
de morto! E o povo lia com sofreguidão...Agripino Grieco e outros críticos
literários famosos examinaram atenciosamente a produção de Humberto, agora no
Além. E atestaram a autenticidade do estilo. "Só podia ser Humberto de
Campos!" - afirmaram eles. Começou então uma fase nova para o Espiritismo
no Brasil. Chico Xavier e a Federação Espírita Brasileira ganharam notoriedade.
Vários livros foram publicados. Aconteceu o inesperado. Os familiares de
Humberto moveram uma ação judicial contra a FEB, exigindo os direitos autorais
do morto! Tal foi a celeuma, que o histórico de tudo isto está hoje registrado
num livro cujo título é "A Psicografia ante os Tribunais", escrito
por Dr. Miguel Timponi. A Federação ganhou a causa. Humberto, constrangido,
ausentou-se por largo período e, quando retornou a escrever, usou o pseudônimo
de Irmão X. Nas duas fases do Além, grafou 12 obras pelo médium Chico Xavier. "Crônicas
de Além-Túmulo", "Brasil, Coração do Mundo, Pátria do
Evangelho", "Boa Nova", "Novas Mensagens", "Luz
Acima", "Contos e Apólogos" e outros foram livros que escreveu
para deleite de muitas almas. Nas primeiras mensagens temos um Humberto bem
humano, com características próprias do intelectual do mundo. Logo depois, ele
se vai espiritualizando, sutilizando as ideias e expressões, tornando-se então
o escritor espiritual predileto de milhares. Os que lerem suas obras de antes,
e de depois, de morto, poderão constatar a realidade do fenômeno espírita e a
autenticidade da mediunidade de Chico Xavier. O mesmo estilo, o mesmo estro! Fonte: Revista REFLEXÕES Edição nº 5 - Maio
de 1999 - Fernandópolis - SP – Brasil.
HUMBERTO DE CAMPOS foi o modelo, nos anos 1949 e 1950,
para que eu iniciasse meu diário “MEMÓRIAS DO VENTURA”. A revista CRUZEIRO
publicava, em 1950, semanalmente, as “MEMÓRIAS ÍNTIMAS DE HUMBERTO DE CAMPOS.
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