Socorristas resgatam duas mulheres que passaram mais de 200 horas nos escombros após terremotos na Turquia e na Síria
Na Turquia, barcas e navios de guerra viraram hospitais improvisados. Muitos sobreviventes ficaram expostos ao frio e a doenças como gripe e tifo.
Os bombeiros brasileiros foram chamados para uma nova busca, em Kahramanmaras, uma das cidades mais atingidas pelos terremotos. Os cães farejadores identificaram a presença de pessoas.
“Os nossos cães localizam tanto vivo quanto morto. Então a gente não consegue precisar se a vítima está com vida ou não”, conta o bombeiro Clovis Benedito de Souza.
Para aprofundar as buscas, os bombeiros brasileiros usam o equipamento chamado “detector de vida”
“A gente vai ter que sair agora, todos as pessoas, e desligar todos os motores, porque vai passar o detector de vida, e ele é muito sensível. Ele é tão sensível que pega até o batimento cardíaco. Por isso se tiver alguma coisa perto vibrando ou a gente, vai acabar pegando a gente também”, diz a bombeira Daniela Santos Oliveira.
Dois bombeiros brasileiros subiram nos escombros para trabalhar com a máquina. O restante da equipe aguardou em frente aos escombros, num bairro abandonado.
Bombeiros do mundo todo compartilham a mesma aflição: cada resgate pode ser o último. Muitas famílias esperam um sinal, ou ao menos os corpos. Um homem diz que dois meninos morreram, mas que ainda esperam os corpos dos pais para que todos sejam enterrados juntos. O estádio da cidade virou um acampamento para 1,6 mil pessoas.
Na Síria, a chegada da ajuda de fora ainda é prejudicada pela guerra civil. Em muitos lugares, depende mesmo da solidariedade dos vizinhos, que preparam refeições para 1,5 mil pessoas em um acampamento em Jandaris.
Voluntários também montaram um ambulatório móvel num caminhão e atendem os sobreviventes em tendas no território controlado pelos rebeldes.
Na Turquia, barcas e navios de guerra viraram hospitais improvisados. Muitos sobreviventes ficaram expostos ao frio e a doenças como gripe e tifo.
Em Kahramanmaras, a equipe brasileira seguia aguardando.
“Ele passou o detector pela parte superior, de cima para baixo, porque ele faz em todas as direções. Agora ele vai passar na lateral”, explica a bombeira Daniela.
O trabalho pode parecer em vão. Já faz nove dias desde o terremoto, e as probabilidades de encontrar alguém com vida são baixas, mas nesta quarta-feira (15) na mesma cidade uma mulher foi resgatada depois de 222 horas. Quatro horas mais tarde, outra mulher foi salva. A comemoração dos socorristas foi grande, um sentimento que a equipe brasileira também deseja ter.

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