55 a. falece o cantor VICENTE CELESTINO, em 23 de agosto de 1968.
Antônio
Vicente Filippe Celestino (Rio de Janeiro, 12 de setembro de 1894 — São Paulo, 23 de agosto de 1968) foi um cantor Ítalo-brasileiro famoso
na primeira metade do século XX.
Biografia
Celestino nasceu na rua do
Paraíso no bairro de Santa Teresa
em 12 de setembro de 1894, embora tenha sido registrado como nascido no dia 22
do mesmo mês e ano. Outra divergência encontra-se na ordem de seus prenomes,
pois foi registrado como "Filippe Antônio Vicente", mas durante sua
vida assinou "Antonio Vicente Filippe". Primeiro filho de José
Celestino e Serafina Gammera, imigrantes
italianos originários da Calábria, Celestino teve onze irmãos, dos
quais cinco eram mulheres e seis eram homens. Cinco De seus irmãos homens
dedicaram-se ao canto e um ao teatro um exemplo foi seu irmão Amadeu Celestino. Desde os oito anos, por sua
origem humilde, Celestino teve de trabalhar como sapateiro, vendedor de peixe,
jornaleiro e, já rapaz, chefe de seção numa indústria de calçados.
Começou cantando para
conhecidos e era fã de Enrico Caruso.
Antes do teatro cantava em festas, serenatas e chopes-cantantes.
Estreou profissionalmente cantando a valsa
Flor do Mal no teatro São José e
fez muito sucesso e, também, entrou no seu primeiro disco vendendo milhares de
cópias em 1915 na Odeon (Casa
Edison).
Foi o primeiro cantor a
gravar o hino nacional brasileiro.
Há 100 anos, em 1920 aos
26 anos, Vicente montou uma companhia de operetas, mas sem nunca deixar o carnavalesco de lado, emplacando sucessos como
Urubu Subiu. Rapidamente, depois de oportunidade no teatro, alcançou
renome. Formou companhias de revistas e operetas com atrizes-cantoras, primeiro
com Laís Areda e depois com Carmen Dora. As excursões pelo Brasil renderam-lhe muito dinheiro e só
fizeram aumentar sua popularidade. Nos anos 20, reinava absoluto como ídolo da
canção. Vicente Celestino teve uma das mais longas carreiras entre os cantores
brasileiros. Quando morreu, às vésperas dos 74 anos, no Hotel Normandie, em São
Paulo, estava de saída para um show com Caetano Veloso e Gilberto Gil, na
famosa gafieira "Pérola Negra", que seria gravado para um programa de
televisão.
Vicente Celestino e Gilda Abreu, 1933.
Na fase mecânica de
gravação, fez cerca de 28 discos com 52 canções. Com a gravação elétrica, em
1927, sentiu uma certa inaptação quanto ao rendimento técnico, logo superada.
Aí recomeçaria os sucessos cantados em todo o Brasil. Em 1935 a RCA Victor
contratou-o, sendo praticamente sua única gravadora até morrer. No total,
gravou em 78 RPM cerca de 137 discos com 265 canções, mais dez compactos e 31
LPs, nestes também incluídas reedições dos 78 RPM.
Vicente Celestino, que
tocava violão e piano, foi o compositor inspirado de muitas das suas criações.
Duas delas dariam o tema, mais tarde, para dois filmes de enorme público: O Ébrio (1946),
que foi transformada em filme por sua esposa, e Coração Materno (1951).
Neles Vicente foi dirigido por sua mulher Gilda Abreu (1904-1979), cantora, escritora,
atriz e cineasta.
Celestino passaria
incólume por todas as fases e modismos, mesmo quando, no final dos anos 50,
fiel ao seu estilo, gravou "Conceição", "Creio em Ti" e
"Se Todos Fossem Iguais a Você". Seu eterno arrebatamento, paixão e
inigualável voz de tenor, fizeram com que o povo o elegesse como A Voz
Orgulho do Brasil.
Em 1965, recebeu o título
de Cidadão Paulistano pela Câmara de Vereadores daquela cidade. No dia 23 de
agosto de 1968, quando se preparava para gravar um programa de televisão, em que
seria homenageado pelo MOVIMENTO TROPICALISTA, passou mal no quarto do Hotel
Normandie, em São Paulo, falecendo do coração minutos depois. Seu corpo foi
transferido para o Rio de Janeiro, onde foi velado por uma multidão na Câmara
dos Vereadores e sepultado sob palmas do público no Cemitério
de São João Batista no Rio de Janeiro.
Nunca saiu do Brasil e manteve sua voz de tenor que era
marca registrada independente do estilo musical que estava executando. Teve
suas canções regravadas por grandes nomes, como Caetano Veloso, Marisa Monte e Mutantes.
Sucessos
Urubu Subiu,
autor desconhecido (c/Bahiano; 1917)
À Luz do Luar,
de sua autoria (1928)
Ai, Ioiô (Linda
Flor), Cândido Costa e Henrique Vogeler
Bem-Te-Vi,
Melo Morais Filho e Emílio Pestana (1928)
Caiuby (Canção
da Cabocla Bonita), Pedro de Sá Pereira (1923)
Coração Materno,
de sua autoria (1937)
Dileta, Índio (1933)
Flor do Mal,
Domingos Correia e Santos Coelho (1915)
Malandragem, Ari Barroso (1933)
Mia Gioconda,
de sua autoria (1946)
Nênias, Índio (1929)
Noite Cheia de Estrelas, Cândido das Neves (1932)
O Cigano,
Gastão Barroso e Marcelo Tupinambá (1924)
O Ébrio,
de sua autoria (1936)
Vicente Celestino em O Ébrio, 1946.
Ontem ao Luar, Catulo da Paixão
Cearense e Pedro de Alcântara (1918)
Ouvindo-Te,
de sua autoria (c/Gilda de Abreu;
1935)
Patativa,
de sua autoria (1937)
Porta Aberta,
de sua autoria (1946)
Serenata,
de sua autoria (1940)
Gaúcha Que Eu Adoro (1951)
Os Que Sofrem (1915)
Legado
Há
21 anos no dia 13 de Março de 1999 foi inaugurado em Conservatória distrito de Valença
no Rio o "Museu Vicente Celestino e Gilda de Abreu ", com acervo em
sua maior parte doado pela família do cantor, incluindo fotografias, recortes de jornais e revistas,
instrumentos musicais, roupas e objetos pessoais do artista, inclusive o figurino
utilizado no filme O Ébrio. Os visitantes do museu
também podem assistir a vídeos e ouvir gravações do artista.


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