69 a. da apresentação à imprensa, no GALEÃO, no RIO, dos
implicados no CRIME DA RUA TONELERO: GREGÓRIO FORTUNATO, JOÃO VALENTE, ALCINO
JOÃO DO NASCIMENTO, NELSON RAIMUNDO e CLIMÉRIO. Também no dia 19 de agosto de
1954, foi preso em MURIAÉ,
Foram detidos também no dia 19 de agosto, pela Aeronáutica e
presos no GALEÃO o ex-secretário particular do presidente da República, ROBERTO
ALVES e seu assistente ARQUIMEDES MANHÃES. Foram demitidos na ocasião por causa
do escândalo do algodão (compraram o produto em baixa e o venderam ao BANCO DO
BRASIL pelo valor do financiamento que haviam feito).
CARLOS LACERDA esteve em SÃO PAULO discursando no Instituto de
Engenharia, na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, e numa cadeia de
emissoras radiofônicas da capital e do interior do Estado, onde apresentou
diversos documentos do arquivo de GREGÓRIO.
Em SÃO PAULO, o presidente da Assembleia Legislativa, VICENTE DE
PAULA LIMA, da UDN, assim se expressou: “Sou favorável à renúncia do senhor
GETÚLIO VARGAS. É a única solução para a normalização da vida nacional”. Na
Câmara Federal, o deputado CASTILHO CABRAL, do PSP/SP, que presidiu a CPI do
escândalo que envolveu SAMUEL WAINER e seu jornal, ÚLTIMA HORA, sustentou que
acórdãos de diversos tribunais, publicados na revista FORENSE, obrigavam a
renúncia do presidente da República. O Instituto dos Advogados, em reunião de
seus integrantes, pediu às Forças Armadas que retirassem GETÚLIO do CATETE e
garantissem a posse de CAFÉ FILHO, vice-presidente eleito, para que a
legalidade fosse restaurada no País. A Comissão de Inquérito Policial Militar
da Aeronáutica, constituída para apurar o CRIME DA RUA TONELERO, após analisar
os documentos apreendidos no CATETE, pertencentes ao arquivo de GREGÓRIO
FORTUNATO, divulgou o conteúdo à imprensa. Tal fato constituiu uma peça
importante da escalada oposicionista, habilmente explorada pela imprensa e
pelos parlamentares da UDN, que exigiam a renúncia de GETÚLIO. O exame desse
material revelou a cumplicidade do ex-chefe da guarda numa série de transações
financeiras vultosas e ilícitas, envolvendo negociatas com departamentos e
diversos membros do governo. O escândalo envolvia inclusive o jogo do bicho no
RIO, que contribuía financeiramente para uma caixinha administrada por GREGÓRIO.
A denúncia mais grave foi a obtenção de um empréstimo de três milhões de
cruzeiros, junto ao BANCO DO BRASIL, para a compra de um pedaço de terra de uma
fazenda de propriedade de MANUEL VARGAS, o MANECO, filho do presidente da
República.
Estarrecido e decepcionado com o conteúdo dos documentos
divulgados, foi chamado ao Palácio do CATETE o CORONEL JOÃO ADIL DE OLIVEIRA,
que confirmou os fatos que estavam sendo apurados. Á medida que o responsável
pelo IPM narrava ao presidente os escândalos, a corrupção, seu acabrunhamento
crescia. Sua fisionomia tornou-se contristada. Ele intercalou a narrativa com
expressões como: “Que coisa incrível!”, “Que miséria!”, “É de estarrecer!”, “É
de pasmar!”. Ao término da explanação do CORONEL ADIL, o presidente GETÚLIO VARGAS
desabafou: “Tenho a impressão de me encontrar sobre um mar de lama!”.
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