sábado, 19 de agosto de 2023

69 ANOS DA APRESENTAÇÃO À IMPRENSA DOS IMPLICADOS NO CRIME DA RUA TONELERO, EM 19 DE AGOSTO DE 1954.

 


69 a. da apresentação à imprensa, no GALEÃO, no RIO, dos implicados no CRIME DA RUA TONELERO: GREGÓRIO FORTUNATO, JOÃO VALENTE, ALCINO JOÃO DO NASCIMENTO, NELSON RAIMUNDO e CLIMÉRIO. Também no dia 19 de agosto de 1954, foi preso em MURIAÉ, em MINAS GERAIS, o sócio e compadre de CLIMÉRIO, JOSÉ ANTÔNIO SOARES, que estava fugindo para a cidade de CAMPOS, no RIO.

Foram detidos também no dia 19 de agosto, pela Aeronáutica e presos no GALEÃO o ex-secretário particular do presidente da República, ROBERTO ALVES e seu assistente ARQUIMEDES MANHÃES. Foram demitidos na ocasião por causa do escândalo do algodão (compraram o produto em baixa e o venderam ao BANCO DO BRASIL pelo valor do financiamento que haviam feito).

CARLOS LACERDA esteve em SÃO PAULO discursando no Instituto de Engenharia, na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, e numa cadeia de emissoras radiofônicas da capital e do interior do Estado, onde apresentou diversos documentos do arquivo de GREGÓRIO.

Em SÃO PAULO, o presidente da Assembleia Legislativa, VICENTE DE PAULA LIMA, da UDN, assim se expressou: “Sou favorável à renúncia do senhor GETÚLIO VARGAS. É a única solução para a normalização da vida nacional”. Na Câmara Federal, o deputado CASTILHO CABRAL, do PSP/SP, que presidiu a CPI do escândalo que envolveu SAMUEL WAINER e seu jornal, ÚLTIMA HORA, sustentou que acórdãos de diversos tribunais, publicados na revista FORENSE, obrigavam a renúncia do presidente da República. O Instituto dos Advogados, em reunião de seus integrantes, pediu às Forças Armadas que retirassem GETÚLIO do CATETE e garantissem a posse de CAFÉ FILHO, vice-presidente eleito, para que a legalidade fosse restaurada no País. A Comissão de Inquérito Policial Militar da Aeronáutica, constituída para apurar o CRIME DA RUA TONELERO, após analisar os documentos apreendidos no CATETE, pertencentes ao arquivo de GREGÓRIO FORTUNATO, divulgou o conteúdo à imprensa. Tal fato constituiu uma peça importante da escalada oposicionista, habilmente explorada pela imprensa e pelos parlamentares da UDN, que exigiam a renúncia de GETÚLIO. O exame desse material revelou a cumplicidade do ex-chefe da guarda numa série de transações financeiras vultosas e ilícitas, envolvendo negociatas com departamentos e diversos membros do governo. O escândalo envolvia inclusive o jogo do bicho no RIO, que contribuía financeiramente para uma caixinha administrada por GREGÓRIO. A denúncia mais grave foi a obtenção de um empréstimo de três milhões de cruzeiros, junto ao BANCO DO BRASIL, para a compra de um pedaço de terra de uma fazenda de propriedade de MANUEL VARGAS, o MANECO, filho do presidente da República.

Estarrecido e decepcionado com o conteúdo dos documentos divulgados, foi chamado ao Palácio do CATETE o CORONEL JOÃO ADIL DE OLIVEIRA, que confirmou os fatos que estavam sendo apurados. Á medida que o responsável pelo IPM narrava ao presidente os escândalos, a corrupção, seu acabrunhamento crescia. Sua fisionomia tornou-se contristada. Ele intercalou a narrativa com expressões como: “Que coisa incrível!”, “Que miséria!”, “É de estarrecer!”, “É de pasmar!”. Ao término da explanação do CORONEL ADIL, o presidente GETÚLIO VARGAS desabafou: “Tenho a impressão de me encontrar sobre um mar de lama!”.    

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