159 a. falece ANTÔNIO
GONÇALVES DIAS. Nasceu no MARANHÃO, em 10 de agosto de 1823, de pai português e
mãe brasileira. A primeira geração de poetas românticos, aquela que introduziu
as ideias do Romantismo no BRASIL, teve como principais representantes
GONÇALVES DE MAGALHÃES e GONÇALVES DIAS. Embora seja um dos melhores líricos da
nossa literatura, GONÇALVES DIAS é frequentemente lembrado como poeta
indianista, pois foi o único que conseguiu dar realmente uma dimensão poética
ao tema do índio. Exaltou principalmente o sentimento de honra e a valentia do
índio (“I-JUCA PIRAMA”, “CANÇÃO DO TAMOIO”), cantou seu sentimento amoroso
(“LEITO DE FOLHAS VERDES”) e escreveu poesias expressivas sobre a destruição
provocada pelos colonizadores brancos (“CANTO DO PIAGA”, “DEPRECAÇÃO”). Como
poeta lírico amoroso, cantou os temas consagrados pelo Romantismo – amor,
saudade, tristeza, melancolia – mas nunca foi levado pelo excesso de
sentimentalismo. Nessa linha temática destacam-se os poemas: “SE SE MORRE DE
AMOR”, “COMO? ÉS TU?”, “AINDA UMA VEZ-ADEUS”, “SEUS OLHOS”, entre outros. Além
desses temas, expressou com rara perícia o sentimento da solidão e do exílio
(“CANÇÃO DO EXÍLIO”) e compôs belas poesias impregnadas de religiosidade sobre
a majestade da natureza (“O MAR”, “A NOITE”, “A TARDE” e outras). Deixou os
seguintes livros de poesias: PRIMEIROS CANTOS (1846), SEGUNDOS CANTOS (1848),
SEXTILHAS DE FREI ANTÃO (1848), ÚLTIMOS CANTOS (1851), OS TIMBIRAS (incompleto,
1857), CANTOS (1857). Em 1862, interrompe seus trabalhos no BRASIL e volta à
EUROPA para tratamento da saúde, bastante abalada. Percorre inutilmente vários
países. Desenganado, embarca de volta ao MARANHÃO a 10 de setembro. No dia 3 de
novembro de 1864, o navio em que estava naufraga e o poeta falece próximo a seu
estado natal.
CANÇÃO DO EXÍLIO
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Minha terra tem palmeiras,
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá,
Em cismar – sozinho, à noite -
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Nossas várzeas têm mais flores,
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu´inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá
O poeta escreveu essa poesia em COIMBRA, julho de 1843.
GONÇALVES DIAS, POESIA, RIO DE JANEIRO, AGIR
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