sexta-feira, 3 de novembro de 2023

159 ANOS DO FALECIMENTO DO POETA ANTÔNIO GONÇALVES DIAS, EM 3 DE NOVEMBRO DE 1864.

 


159 a. falece ANTÔNIO GONÇALVES DIAS. Nasceu no MARANHÃO, em 10 de agosto de 1823, de pai português e mãe brasileira. A primeira geração de poetas românticos, aquela que introduziu as ideias do Romantismo no BRASIL, teve como principais representantes GONÇALVES DE MAGALHÃES e GONÇALVES DIAS. Embora seja um dos melhores líricos da nossa literatura, GONÇALVES DIAS é frequentemente lembrado como poeta indianista, pois foi o único que conseguiu dar realmente uma dimensão poética ao tema do índio. Exaltou principalmente o sentimento de honra e a valentia do índio (“I-JUCA PIRAMA”, “CANÇÃO DO TAMOIO”), cantou seu sentimento amoroso (“LEITO DE FOLHAS VERDES”) e escreveu poesias expressivas sobre a destruição provocada pelos colonizadores brancos (“CANTO DO PIAGA”, “DEPRECAÇÃO”). Como poeta lírico amoroso, cantou os temas consagrados pelo Romantismo – amor, saudade, tristeza, melancolia – mas nunca foi levado pelo excesso de sentimentalismo. Nessa linha temática destacam-se os poemas: “SE SE MORRE DE AMOR”, “COMO? ÉS TU?”, “AINDA UMA VEZ-ADEUS”, “SEUS OLHOS”, entre outros. Além desses temas, expressou com rara perícia o sentimento da solidão e do exílio (“CANÇÃO DO EXÍLIO”) e compôs belas poesias impregnadas de religiosidade sobre a majestade da natureza (“O MAR”, “A NOITE”, “A TARDE” e outras). Deixou os seguintes livros de poesias: PRIMEIROS CANTOS (1846), SEGUNDOS CANTOS (1848), SEXTILHAS DE FREI ANTÃO (1848), ÚLTIMOS CANTOS (1851), OS TIMBIRAS (incompleto, 1857), CANTOS (1857). Em 1862, interrompe seus trabalhos no BRASIL e volta à EUROPA para tratamento da saúde, bastante abalada. Percorre inutilmente vários países. Desenganado, embarca de volta ao MARANHÃO a 10 de setembro. No dia 3 de novembro de 1864, o navio em que estava naufraga e o poeta falece próximo a seu estado natal.

 

                                      CANÇÃO DO EXÍLIO

 

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá;

As aves, que aqui gorjeiam,

Não gorjeiam como lá.

Minha terra tem palmeiras,

 

Nosso céu tem mais estrelas,

Nossas várzeas têm mais flores,

Nossos bosques têm mais vida,

Nossa vida mais amores.

                                                                

Em cismar, sozinho, à noite,

Mais prazer encontro eu lá;

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá.    

 

Minha terra tem primores,

Que tais não encontro eu cá,

Em cismar – sozinho, à noite -

Mais prazer encontro eu lá;

Minha terra tem palmeiras,

Onde canta o Sabiá.

Nossas várzeas têm mais flores,

Não permita Deus que eu morra,

Sem que eu volte para lá;

Sem que desfrute os primores

Que não encontro por cá;

Sem qu´inda aviste as palmeiras,

Onde canta o Sabiá

 

O poeta escreveu essa poesia em COIMBRA, julho de 1843.

GONÇALVES DIAS, POESIA, RIO DE JANEIRO, AGIR

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