136 a. nasce o tribuno
IBRAHIM DE ALMEIDA NOBRE, no coração da cidade de São Paulo, em plena RUA
DIREITA, no dia 19 de fevereiro de 1888. Não poderia haver cidadão mais
orgulhoso de sua origem do que o futuro “TRIBUNO DA REVOLUÇÃO DE 32”, que se
formou em Direito na Turma de 1909, das venerandas ARCADAS DO LARGO DE SÃO
FRANCISCO, depois de um prolongado namoro com a medicina. Participou ativamente
do Movimento Constitucionalista de 32. Na longa luta armada, militarmente
desigual, viu-se engajado como simples soldado raso, num batalhão que levava o
seu nome impoluto, sob o comando do CORONEL PEDRO DIAS DE CAMPOS, para combater
o inimigo na FRENTE SUL, nas trincheiras de OURINHOS, ITAHI, FARTURA,
BERNARDINO DE CAMPOS, XAVANTES, IPAUSSU e noutras localidades do setor de
PARANAPANEMA, até a melancólica deposição do fuzil, em fins de setembro de 32,
coroada pelas agruras do cárcere, só amenizada pela calorosa solidariedade de
seus colegas de Promotoria. Na SALA DA CAPELA, no Rio de Janeiro, IBRAHIM
dividiu a glória de seu martírio com PEREIRA LIMA, AURELIANO LEITE, WALDEMAR
FERREIRA, CÁSPER LÍBERO, GUILHERME DE ALMEIDA, PAULO DUARTE, FRANCISCO
MESQUITA, JÚLIO DE MESQUITA FILHO, VIVALDO COARACY, e dezenas de outros, que
seguiram para o exílio, em PORTUGAL, de onde retornariam à PÁTRIA, anistiados,
em 1934, em face da convocação da ASSEMBLÉIA CONSTITUINTE, tão ansiada pelo
povo. Seus restos mortais acham-se eternizados no MONUMENTO-MAUSOLÉU DO SOLDADO
CONSTITUCIONALISTA, no IBIRAPUERA. Falece a 8 de abril de 1970. Inicialmente, foi sepultado no
Cemitério São Paulo, com sua velha beca de Promotor, conforme desejo seu, no
jazigo da família, onde já se achavam os restos mortais de sua querida
BRISABELA, seu busto de bronze – moldado pelas mãos de LUIZ MORRONE – atesta a
passagem luminosa do grande orador pela Tribuna do Júri, no Palácio da Justiça.
Seu corpo foi trasladado, por ocasião das comemorações do 45º aniversário da
REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA, em 1977, para o PANTEÃO DOS HERÓIS DE 32, no
MONUMENTO–MAUSOLÉU AO SOLDADO CONSTITUCIONALISTA, no IBIRAPUERA, juntamente com
as cinzas de sua esposa, num comovente cortejo fúnebre. Ali repousa, ao lado de
GUILHERME DE ALMEIDA, separados por um altar, logo atrás do túmulo do “herói
jacente” que abriga os despojos das primeiras vítimas da DITADURA: MARTINS,
MIRAGAIA, DRÁUSIO e CAMARGO, e do bravo caboclo PAULO VIRGÍNIO, debaixo da
magnífica abóbada da cripta daquele imponente santuário da RAÇA DOS PAULISTAS.
A poucos metros do MAUSOLÉU, numa praça fronteiriça, a cavaleiro do OBELISCO,
ergue-se o vulto de IBRAHIM, lavrado no bronze eterno pelo saudoso estatuário,
discípulo de XIMENES, que uma insigne Comissão, formada por Advogados,
Promotores e Juizes mandou executar sobre um pedestal assentado em punhados de
terras colhidas dos fundos das trincheiras da GUERRA CÍVICA, misturadas com o
sangue e as lágrimas dos moços que lhe seguiram os passos, na memorável
arrancada de 32.
Um trecho de seu livro
“PAULISTAS, PAULISTAS, PAULISTA”, de 1931:
“Terra Paulista! Da tua
carne, massapé e honesta, do teu ventre de mãe, fecundo e são, veio a alma que
realizou a nacionalidade, imprimindo-lhe o sentido da Independência e os rumos
católicos da Civilização. De ti proveio o homem que defrontou a natureza peito
a peito e que a venceu e a dominou a facão e a fé! Tu deste geografia ao
Brasil” Essa terra toda, que aí se estende e se esparrama e se perde por esse
mundo grande de Deus, tudo isso tem os seus limites demarcados, não apenas
pelos rios que se vadearam, pelas grimpas transportas, pelas florestas
vencidas! Mas, sobretudo, pelas sepulturas dos teus filhos, Minha Terra!
Balizas! Viradas! Cruzes!”
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