quinta-feira, 7 de março de 2024

23 ANOS DA MORTE DE MÁRIOS COVAS, EM 6 DE MARÇO DE 2001.

 


DEPOIS DE LONGO SOFRIMENTO, FALECEU MÁRIO COVAS, tendo sido anunciado o seu óbito por volta das 5h30 de 6 de março de 2001. Pela manhã, o corpo deixa o INCOR em direção ao PALÁCIO DOS BANDEIRANTES, onde é velado durante todo o dia. Era um lutador, era um bravo, adorado pelos amigos, temido pelos adversários, respeitado por todos. Essa a tônica dos pronunciamentos em torno do corpo do guerreiro MÁRIO COVAS, só abatido ao final de uma guerra de mais de dois anos contra o câncer. A visitação pública, no PALÁCIO DOS BANDEIRANTES, reuniu correligionários, políticos, inimigos históricos, servidores e, sobretudo o povo, que apesar de algumas desilusões sempre o admirou. Até às 23 horas, mais de 13 mil pessoas haviam dado o último adeus ao governador, somadas as que se postaram logo cedo diante do INCOR a as que fizeram fila no velório. Nas ruas, faixas de apoio afixadas desde a internação de COVAS se misturavam as manifestações de despedida. O presidente FERNANDO HENRIQUE CARDOSO chegou ao velório à noite, com RUTH CARDOSO e dezesseis ministros, e assistiu a missa celebrada por dom CLÁUDIO HUMMES.  

Uma edição extra do O ESTADO DE SÃO PAULO chegou às bancas horas após a morte do governador de SÃO PAULO. “O BRASIL PERDE MÁRIO COVAS, O HOMEM QUE REERGUEU SÃO PAULO”, era a manchete da edição especial, de 12 páginas. Em editorial publicado na capa, sob o título “Que o seu exemplo prospere”, o jornal lembrava que COVAS era “um caso raro de conjugação de honestidade, coerência e franqueza”. A morte do governador aos 70 anos, depois de dois anos de luta contra o câncer, emocionou SÃO PAULO e o BRASIL. COVAS cumprira uma trajetória política de empenho obstinado pelo bem comum. “Ele fará uma falta imensa”, afirmou FERNANDO HENRIQUE CARDOSO. A movimentação popular começou desde cedo na porta do INCOR, onde COVAS fora internado para tratamento de uma infecção grave, associada a distúrbios metabólicos, hemodinâmicos e de coagulação, decorrentes da evolução de um câncer de bexiga, diagnosticado em dezembro de 1998. Após anúncio oficial da morte, populares foram à porta do hospital prestar homenagem ao governador.

COVAS, que cumpria seu segundo mandato consecutivo como governador, deixou como legado o saneamento financeiro do Estado e uma vida de lutas pela democracia no País. A coragem com que enfrentou a doença conquistou admiração. Compareceram ao velório o presidente FERNANDO HENRIQUE CARDOSO, líderes de todos partidos e pré-candidatos como LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA, ITAMAR FRANCO, CIRO GOMES, JOSÉ SERRA e TASSO JEREISSATI, além de governadores, ministros, empresários e artistas. Uma movimentação só vista no velório do presidente TANCREDO NEVES, em 1985. As autoridades que passaram pelo velório destacaram como principais características do governador a ética, a luta pela democracia e a austeridade como homem público.   

MARIA DA GRAÇA, assistente de gabinete, diz: “Tinha trabalhado com ele na eleição de 1994. Ele era uma pessoa simples, turrona, mas que sempre tratou todos muito bem, sem arrogância. A morte dele já era esperada, mas, mesmo assim, foi uma comoção enorme.”

 

Um amplo arquivo sobre MÁRIO COVAS foi organizado por mim ao longo de seu calvário. Não irei repetir nessas memórias o que os jornais, televisão, revistas estão publicando, pois tudo está colecionado nos arquivos que acompanham meu diário. Os comentários são inevitáveis. Em qualquer lugar onde se está o povo comenta a morte de COVAS: ônibus, metrô, banca de jornal, quartéis, banco e também na Sociedade Veteranos de 32-MMDC.

No MMDC, rascunho a ata da reunião da Diretoria Executiva e o VASCO fica encarregado de colocá-la no computador.

Com a morte de MÁRIO COVAS é decretado ponto facultativo estadual hoje e amanhã. O Comandante Geral ainda não assinou os ofícios de convocação para a reunião do Conselho Supremo em 14 de março e isso se torna um grande problema para nós. Ficará impossível o Comandante Geral assinar tais ofícios com as suas responsabilidades acarretadas com o velório e enterro de MÁRIO COVAS.

O senhor GERALDO FARIA MARCONDES não vem ao MMDC. As reuniões marcadas para amanhã são canceladas. Colocamos as bandeiras nacional, estadual e do MMDC a meio pau, em sinal de luto.

Às 15:30 horas, deixamos o MMDC. Pela televisão, acompanho as cenas do velório de MÁRIO COVAS no PALÁCIO DOS BANDEIRANTES. O luto oficial por conta da morte do governador estabeleceu uma trégua no tiroteio público entre o Palácio do Planalto, os líderes do PSDB e o senador ANTONIO CARLOS MAGALHÃES (PFL-BA). O líder do governo no Congresso, ARTHUR VIRGÍLIO NETO, que na véspera havia declarado a “guerra” contra ACM, anunciou, às lágrimas, que suspenderia a ofensiva.

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