92 a. do DIA DA JUVENTUDE
CONSTITUCIONALISTA DE 1932. Pela manhã, o interventor Federal em São Paulo,
Embaixador PEDRO DE TOLEDO declara:
“O trabalho diabólico
desenvolvido no RIO, por alguns políticos coligados, visa enfraquecer minha
autoridade e impedir a solução do caso paulista”.
Por volta das 16 horas,
realiza-se na Praça do Patriarca, o comício monstro em favor do
restabelecimento da autonomia do Estado e da reconstitucionalização do país. O povo em
massa dirige-se aos CAMPOS ELÍSEOS e exige por meio de discursos inflamados a
organização do secretariado do governo em consonância com a vontade do povo.
E nessa oportunidade que
assomando â janela do palácio o professor FRANCISCO MORATO anuncia a escolha
dos novos secretários do Interventor Federal.
O Secretariado ficou assim
constituído: Educação - Dr JOSÉ RODRIGUES ALVES SOBRINHO; Agricultura –
FRANCISCO DA CUNHA JUNQUEIRA; Fazenda – PAULO MORAIS BARROS; Justiça –
Professor WALDEMAR FERREIRA; Viação – FONSECA TELLES; Departamento de
Organização Municipal – JOAQUIM SAMPAIO VIDAL; Prefeitura da Capital –
GODOFREDO DA SILVA TELES.
No cair da tarde e o surgir
da noite a massa humana se agiganta pelo Pátio do Colégio, ruas e praças
contíguas. Populares sacam de suas armas e fazem disparos para o ar a guisa de
salvas no momento em que SILVA GORDO passa a Secretaria da Justiça a WALDEMAR
FERREIRA. O povo, não satisfeito com as vitórias alcançadas dirige-se à sede
dos jornais: “RAZÃO”, órgão de OSVALDO ARANHA, o “CORREIO DA TARDE”, de MIGUEL
COSTA, incendiando-os.
Daí o povo ruma contra a
sede da LEGIÃO REVOLUCIONÁRIA, o PARTIDO POPULAR PAULISTA, o qual era chefiado
por MIGUEL COSTA nos altos da Rua BARÃO DE ITAPETININGA, esquina da PRAÇA DA
REPÚBLICA.
Por volta das 20:30 horas
na PRAÇA DA REPÚBLICA o povo atacava a sede do PPP, instalado à Rua BARÃO DE
ITAPETININGA, número 60 (hoje Prédio 298, esquina da Praça). A fuzilaria é
intensa de lado a lado. Todos os lampiões de gás nas imediações e as poucas lâmpadas
estavam quebradas por tiros. Os atacantes, uns atrás das árvores, outros
deitados, defendiam-se, atacavam e socorriam os feridos. As ambulâncias ficam
postadas nas Ruas SÃO LUÍS, 7 DE ABRIL e 24 DE MAIO. Enquanto um mulato
distribuía munições, o povo lutava desesperadamente a fim de invadir o prédio.
Quando era meia-noite, os
atacantes já tinham duas baixas: EUCLYDES MIRAGAIA e ANTÔNIO AMÉRICO DE CAMARGO
ANDRADE, morador de CAMPINAS. Alguns atacantes conseguiram trazer um bonde e o
colocaram, como muralha, parado à porta do prédio.
Era uma hora e trinta
minutos da madrugada quando DRÁUSIO MARCONDES DE SOUZA, ao forçar a porta do
prédio, foi alvejado mortalmente vindo a falecer no dia 28 devido aos
ferimentos recebidos. DRÁUSIO tinha apenas 14 anos, morador na Rua OSCAR
FREIRE, ferido na fossa ilíaca esquerda. O tiro saiu na fossa ilíaca direita.
A luta já durava horas, mas
os atacantes não esmoreciam. Havia muita gente ferida e não se sabia ao certo o
número de mortos.
Naquela madrugada
sangrenta, naquele desespero, muitas pessoas deixaram os abrigos e avançaram
para o prédio com o propósito de tomá-lo. Num destes ataques MARIO MARTINS DE
ALMEIDA foi atingido por uma rajada de balas no peito no meio da Rua BARÃO DE
ITAPETININGA. Não é decorrido muito tempo quando soldados acercaram-se do
prédio, assestam uma metralhadora, fazem disparos e recebem um comunicado que
transmitem aos populares dizendo que os sitiantes se rendiam e iam desocupar o
prédio, o que realmente aconteceu.
MÁRIO MARTINS DE ALMEIDA morre ao ser removido
para o pronto-socorro da polícia central. Foram feridos também: IGNÁCIO CRUZ,
de 21 anos, solteiro, residente à avenida D.PEDRO I, número 7, no IPIRANGA, com
dois ferimentos produzidos por balas, na perna direita; SEBASTIÃO BERNABÉ
VERGUEIRO DOS SANTOS, de 33 anos, residente à Rua VITÓRIA, número 144, com um
ferimento perfuro contuso na perna esquerda; PAULO RIBEIRO, advogado, residente
à Rua OSCAR PORTO, número 43, com ferimento perfuro contuso no antebraço direito;
MOACYR DE OLIVEIRA, de 21 anos, residente à Rua ANTÔNIO DE GODÓI, 91 com
ferimento de bala penetrante da cavidade torácica; JOÃO BAPTISTA DE OLIVEIRA
FILHO, de 21 anos, solteiro, residente à Rua SOUZA LIMA, número 24, com
ferimento perfuro contuso na fronte frontal esquerda; ORLANDO DE ALVARENGA, de
32 anos, casado, empregado de cartório, residente à Rua MARANHÃO, com ferimento
perfuro contuso na região lombar, que viria a falecer em 12 de agosto;
SEBASTIÃO ALVES DE OLIVEIRA, de 19 anos, copeiro, com ferimento de bala na
região glútea direita; FRANCISCO ANTÔNIO VALENTE, de 19 anos, morador na Rua 21
de Abril, número 313, com ferimento de bala no braço esquerdo e no peito;
DOMINGOS NÓBREGA FILHO, de 21 anos, açougueiro, morador à Alameda Santos, número
362, com um ferimento perfuro contuso produzido por bala no pé direito e outro
na coxa do mesmo lado.
Horas depois, as iniciais
dos nomes dos mortos haverão de formar a sigla da sociedade, a princípio
secreta, que viria a ser forja e martelo da revolução constitucionalista: MMDC.
O poeta da Revolução
Constitucionalista, GUILHERME DE ALMEIDA, canta em “A SANTIFICADA”: “E houve
uma noite de heroísmo/ Que marcou o teu batismo de glória;/ e por isso é que
Tens quatro letras gravadas/ Nas quatro estrelas douradas/ Do topo: MMDC.
MÁRIO MARTINS DE ALMEIDA
nasceu em São Paulo, no dia 8 de fevereiro de 1901. Era filho do CORONEL
JULIANO MARTINS DE ALMEIDA e de Dona FRANCISCA ALVES DE ALMEIDA. Foi estudante
do MACKENZIE COLLEGE, tendo terminado os seus estudos sobre a direção do Professor
ALBERTO KULLMAN. Era fazendeiro em SERTÃOZINHO estando naquele dia, isto é, 23
de maio de 1932 (31 anos) em São Paulo, de passagem em visita a seus pais. Foi
sepultado no Cemitério da CONSOLAÇÃO.
EUCLIDES BUENO MIRAGAIA
nasceu em SÃO JOSÉ DOS CAMPOS, no dia 21 de abril de 1911. Era filho de JOSÉ
MIRAGAIA e de Dona EMÍLIA BUENO MIRAGAIA. Foi aluno da Escola de Comércio
“CARLOS DE CARVALHO” de onde se transferiu no 3º ano para a ESCOLA DE COMÉRCIO “ÁLVARES
PENTEADO”. A 23 de maio de 1932 (21 anos) quando foi ferido e morto era
auxiliar de um Cartório em São Paulo.
DRAÚSIO MARCONDES DE SOUZA
era um jovem estudante. Nasceu em São Paulo em 22 de setembro de 1917. Era
filho de MANOEL OTAVIANO MARCONDES DE SOUZA e de dona OTÍLIA MOREIRA DA COSTA
MARCONDES. Ferido no dia 23 (15 anos incompletos) falecia no dia 28 de maio de
1932, a 1 hora e 50 minutos.
ANTÔNIO AMÉRICO DE CAMARGO
ANDRADE, nasceu no dia 3 de dezembro de 1901. Filho de NABOR DE CAMARGO ANDRADE
e dona HERMELINDA NOGUEIRA DE CAMARGO. Era casado e residente em CAMPINAS.
Morreu em 23 de maio de 1932 (31 anos) deixando viúva dona INALAH TEIXEIRA DE
CAMARGO e 3 filhos: CLÉSIO, YARA e HERMELINDA.
Os restos mortais dos
heróis repousam no Monumento Mausoléu do Soldado Constitucionalista de 1932, no
IBIRAPUERA, Capital.
AURELIANO LEITE lembra que
o MMDC começou num jantar num restaurante da RUA DAS FLORES, hoje SILVEIRA
MARTINS, o “POSILIPO”. Foi a 24 de maio, e “éramos apenas quatro” em torno à
mesa: “J. A. SAMPAIO VIDAL, membro do governo empossado, PRUDENTE DE MORAIS
NETO, PAULO NOGUEIRA FILHO e eu”.
Trataram de abreviar a
refeição, logo puseram mãos à obra. Daí a duas horas estavam reunidas no salão
de chá do CLUBE COMERCIAL (à Rua LÍBERO BADARÓ) “VINTE E TRÊS PESSOAS DISPOSTAS
A TODO SACRIFÍCIO”; J.A. SAMPAIO VIDAL, pelo governo; PAULO NOGUEIRA FILHO,
CESÁRIO COIMBRA, FRANCISCO MESQUITA e AURELIANO LEITE, pelo Partido
Democrático; FRANCISCO ALVES DOS SANTOS FILHO, EDGAR BATISTA PEREIRA, BERNARDO
DE MORAIS e ALBERTO AMERICANO, pelo Partido Republicano Paulista; CARLOS DE
SOUZA NAZARETH e BRENO FERRAZ, pela Associação Comercial; ANTÔNIO CARLOS
PACHECO E SILVA, pelas classes liberais; CAPITÃO ANTÔNIO PIETCHER, técnico
militar; ROBERTO VITOR CORDEIRO, JOSÉ TELES MATOS, GASTÃO SARAIVA, HERMAN DE
MORAIS BARROS e FLÁVIO BATISTA DA COSTA, pelos estudantes; MOACIR BARBOSA,
VALDEMAR SILVA e BRÁULIO SANTOS, pelos bancários; JORGE SOUZA REZENDE e TIAGO
MASAGÃO FILHO”. Assinaram no outro dia a ata da reunião: SÍLVIO DE CAMPOS,
JÚLIO MESQUITA FILHO e ANTÔNIO PEREIRA LIMA.
Alguns dias depois, EDGAR
BATISTA PEREIRA lembrou os quatro mortos de 23 de maio para patronos
espirituais da sociedade, que até então se chamava GUARDA PAULISTA.
Representar-se-iam pelas iniciais: após alguns debates a sugestão foi aceita e
daí a GUARDA ficou sendo a MMDC. Dividindo a cidade em vários setores,
confiando cada qual a uma liderança, em menos de dez dias já contava a MMDC com
cerca de cinco mil homens.
Na primeira vez em que
apareceu em público, tinha a MMDC este Conselho Diretivo: SÍLVIO DE CAMPOS,
PRUDENTE DE MORAIS NETO, CARLOS DE SOUZA NAZARETH, ANTÔNIO PEREIRA LIMA,
ANTÔNIO CARLOS PACHECO E SILVA, AURELIANO LEITE e CAPITÃO ANTÔNIO PIETCHER
(como assessor militar). Num domingo, a concentração e parada aconteceu no
CANINDÉ. Compareceram mais de mil chefes e sub-chefes de grupos. “Assombrou a
cidade e alarmou o BRASIL”, daí a pouco, sabendo de tudo pelos boatos as
proporções foram multiplicadas.
O Governo de SÃO PAULO
oficializou a MMDC em 10 de agosto – e entregou sua direção a um decenvirato:
LUIZ PIZA SOBRINHO, PRUDENTE DE MORAIS NETO, JOSÉ CÁSSIO DE MACEDO SOARES,
LÉVEN VAMPRÉ, ANTÔNIO CARLOS DE ABREU SODRÉ, JOAQUIM CELIDÔNIO FILHO, ELIAS MACHADO
DE ALMEIDA, CESÁRIO COIMBRA, JAIME LEONEL, MÁRIO BASTOS CRUZ, ABELARDO
VERGUEIRO CÉSAAR, ALARICO SOARES CAIUBI e CARLOS DE SOUZA NAZARETH. Esse
decenvirato prosseguiu até o fim do Movimento Constitucionalista.
Em seguida a esse Conselho
Geral, a MMDC compreendia três grandes divisões: a DIREÇÃO GERAL DO
ABASTECIMENTO, a INTENDÊNCIA GERAL e o DEPARTAMENTO DE FINANÇAS.
Originalmente, a MMDC
instalou-se na FACULDADE DE DIREITO. Passou-se, depois, para o antigo edifício
do FORUM à Rua do Tesouro, esquina da 15 de Novembro (onde depois foi instalada
a Caixa Econômica Estadual). Depois com a ampliação de seus serviços veio a
instalar-se na Escola de Comércio ÁLVARES PENTEADO.
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