quinta-feira, 23 de maio de 2024

92 ANOS DO DIA DA JUVENTUDE CONSTITUCIONALISTA DE 1932.

 





92 a. do DIA DA JUVENTUDE CONSTITUCIONALISTA DE 1932. Pela manhã, o interventor Federal em São Paulo, Embaixador PEDRO DE TOLEDO declara:

“O trabalho diabólico desenvolvido no RIO, por alguns políticos coligados, visa enfraquecer minha autoridade e impedir a solução do caso paulista”.

Por volta das 16 horas, realiza-se na Praça do Patriarca, o comício monstro em favor do restabelecimento da autonomia do Estado e da  reconstitucionalização do país. O povo em massa dirige-se aos CAMPOS ELÍSEOS e exige por meio de discursos inflamados a organização do secretariado do governo em consonância com a vontade do povo.

E nessa oportunidade que assomando â janela do palácio o professor FRANCISCO MORATO anuncia a escolha dos novos secretários do Interventor Federal.

O Secretariado ficou assim constituído: Educação - Dr JOSÉ RODRIGUES ALVES SOBRINHO; Agricultura – FRANCISCO DA CUNHA JUNQUEIRA; Fazenda – PAULO MORAIS BARROS; Justiça – Professor WALDEMAR FERREIRA; Viação – FONSECA TELLES; Departamento de Organização Municipal – JOAQUIM SAMPAIO VIDAL; Prefeitura da Capital – GODOFREDO DA SILVA TELES.

No cair da tarde e o surgir da noite a massa humana se agiganta pelo Pátio do Colégio, ruas e praças contíguas. Populares sacam de suas armas e fazem disparos para o ar a guisa de salvas no momento em que SILVA GORDO passa a Secretaria da Justiça a WALDEMAR FERREIRA. O povo, não satisfeito com as vitórias alcançadas dirige-se à sede dos jornais: “RAZÃO”, órgão de OSVALDO ARANHA, o “CORREIO DA TARDE”, de MIGUEL COSTA, incendiando-os.

Daí o povo ruma contra a sede da LEGIÃO REVOLUCIONÁRIA, o PARTIDO POPULAR PAULISTA, o qual era chefiado por MIGUEL COSTA nos altos da Rua BARÃO DE ITAPETININGA, esquina da PRAÇA DA REPÚBLICA.

Por volta das 20:30 horas na PRAÇA DA REPÚBLICA o povo atacava a sede do PPP, instalado à Rua BARÃO DE ITAPETININGA, número 60 (hoje Prédio 298, esquina da Praça). A fuzilaria é intensa de lado a lado. Todos os lampiões de gás nas imediações e as poucas lâmpadas estavam quebradas por tiros. Os atacantes, uns atrás das árvores, outros deitados, defendiam-se, atacavam e socorriam os feridos. As ambulâncias ficam postadas nas Ruas SÃO LUÍS, 7 DE ABRIL e 24 DE MAIO. Enquanto um mulato distribuía munições, o povo lutava desesperadamente a fim de invadir o prédio.

Quando era meia-noite, os atacantes já tinham duas baixas: EUCLYDES MIRAGAIA e ANTÔNIO AMÉRICO DE CAMARGO ANDRADE, morador de CAMPINAS. Alguns atacantes conseguiram trazer um bonde e o colocaram, como muralha, parado à porta do prédio.

Era uma hora e trinta minutos da madrugada quando DRÁUSIO MARCONDES DE SOUZA, ao forçar a porta do prédio, foi alvejado mortalmente vindo a falecer no dia 28 devido aos ferimentos recebidos. DRÁUSIO tinha apenas 14 anos, morador na Rua OSCAR FREIRE, ferido na fossa ilíaca esquerda. O tiro saiu na fossa ilíaca direita.

A luta já durava horas, mas os atacantes não esmoreciam. Havia muita gente ferida e não se sabia ao certo o número de mortos.

Naquela madrugada sangrenta, naquele desespero, muitas pessoas deixaram os abrigos e avançaram para o prédio com o propósito de tomá-lo. Num destes ataques MARIO MARTINS DE ALMEIDA foi atingido por uma rajada de balas no peito no meio da Rua BARÃO DE ITAPETININGA. Não é decorrido muito tempo quando soldados acercaram-se do prédio, assestam uma metralhadora, fazem disparos e recebem um comunicado que transmitem aos populares dizendo que os sitiantes se rendiam e iam desocupar o prédio, o que realmente aconteceu.  

 MÁRIO MARTINS DE ALMEIDA morre ao ser removido para o pronto-socorro da polícia central. Foram feridos também: IGNÁCIO CRUZ, de 21 anos, solteiro, residente à avenida D.PEDRO I, número 7, no IPIRANGA, com dois ferimentos produzidos por balas, na perna direita; SEBASTIÃO BERNABÉ VERGUEIRO DOS SANTOS, de 33 anos, residente à Rua VITÓRIA, número 144, com um ferimento perfuro contuso na perna esquerda; PAULO RIBEIRO, advogado, residente à Rua OSCAR PORTO, número 43, com ferimento perfuro contuso no antebraço direito; MOACYR DE OLIVEIRA, de 21 anos, residente à Rua ANTÔNIO DE GODÓI, 91 com ferimento de bala penetrante da cavidade torácica; JOÃO BAPTISTA DE OLIVEIRA FILHO, de 21 anos, solteiro, residente à Rua SOUZA LIMA, número 24, com ferimento perfuro contuso na fronte frontal esquerda; ORLANDO DE ALVARENGA, de 32 anos, casado, empregado de cartório, residente à Rua MARANHÃO, com ferimento perfuro contuso na região lombar, que viria a falecer em 12 de agosto; SEBASTIÃO ALVES DE OLIVEIRA, de 19 anos, copeiro, com ferimento de bala na região glútea direita; FRANCISCO ANTÔNIO VALENTE, de 19 anos, morador na Rua 21 de Abril, número 313, com ferimento de bala no braço esquerdo e no peito; DOMINGOS NÓBREGA FILHO, de 21 anos, açougueiro, morador à Alameda Santos, número 362, com um ferimento perfuro contuso produzido por bala no pé direito e outro na coxa do mesmo lado.

Horas depois, as iniciais dos nomes dos mortos haverão de formar a sigla da sociedade, a princípio secreta, que viria a ser forja e martelo da revolução constitucionalista: MMDC.

O poeta da Revolução Constitucionalista, GUILHERME DE ALMEIDA, canta em “A SANTIFICADA”: “E houve uma noite de heroísmo/ Que marcou o teu batismo de glória;/ e por isso é que Tens quatro letras gravadas/ Nas quatro estrelas douradas/ Do topo: MMDC.

MÁRIO MARTINS DE ALMEIDA nasceu em São Paulo, no dia 8 de fevereiro de 1901. Era filho do CORONEL JULIANO MARTINS DE ALMEIDA e de Dona FRANCISCA ALVES DE ALMEIDA. Foi estudante do MACKENZIE COLLEGE, tendo terminado os seus estudos sobre a direção do Professor ALBERTO KULLMAN. Era fazendeiro em SERTÃOZINHO estando naquele dia, isto é, 23 de maio de 1932 (31 anos) em São Paulo, de passagem em visita a seus pais. Foi sepultado no Cemitério da CONSOLAÇÃO.

EUCLIDES BUENO MIRAGAIA nasceu em SÃO JOSÉ DOS CAMPOS, no dia 21 de abril de 1911. Era filho de JOSÉ MIRAGAIA e de Dona EMÍLIA BUENO MIRAGAIA. Foi aluno da Escola de Comércio “CARLOS DE CARVALHO” de onde se transferiu no 3º ano para a ESCOLA DE COMÉRCIO “ÁLVARES PENTEADO”. A 23 de maio de 1932 (21 anos) quando foi ferido e morto era auxiliar de um Cartório em São Paulo.

DRAÚSIO MARCONDES DE SOUZA era um jovem estudante. Nasceu em São Paulo em 22 de setembro de 1917. Era filho de MANOEL OTAVIANO MARCONDES DE SOUZA e de dona OTÍLIA MOREIRA DA COSTA MARCONDES. Ferido no dia 23 (15 anos incompletos) falecia no dia 28 de maio de 1932, a 1 hora e 50 minutos.

ANTÔNIO AMÉRICO DE CAMARGO ANDRADE, nasceu no dia 3 de dezembro de 1901. Filho de NABOR DE CAMARGO ANDRADE e dona HERMELINDA NOGUEIRA DE CAMARGO. Era casado e residente em CAMPINAS. Morreu em 23 de maio de 1932 (31 anos) deixando viúva dona INALAH TEIXEIRA DE CAMARGO e 3 filhos: CLÉSIO, YARA e HERMELINDA.

Os restos mortais dos heróis repousam no Monumento Mausoléu do Soldado Constitucionalista de 1932, no IBIRAPUERA, Capital.   

AURELIANO LEITE lembra que o MMDC começou num jantar num restaurante da RUA DAS FLORES, hoje SILVEIRA MARTINS, o “POSILIPO”. Foi a 24 de maio, e “éramos apenas quatro” em torno à mesa: “J. A. SAMPAIO VIDAL, membro do governo empossado, PRUDENTE DE MORAIS NETO, PAULO NOGUEIRA FILHO e eu”.

Trataram de abreviar a refeição, logo puseram mãos à obra. Daí a duas horas estavam reunidas no salão de chá do CLUBE COMERCIAL (à Rua LÍBERO BADARÓ) “VINTE E TRÊS PESSOAS DISPOSTAS A TODO SACRIFÍCIO”; J.A. SAMPAIO VIDAL, pelo governo; PAULO NOGUEIRA FILHO, CESÁRIO COIMBRA, FRANCISCO MESQUITA e AURELIANO LEITE, pelo Partido Democrático; FRANCISCO ALVES DOS SANTOS FILHO, EDGAR BATISTA PEREIRA, BERNARDO DE MORAIS e ALBERTO AMERICANO, pelo Partido Republicano Paulista; CARLOS DE SOUZA NAZARETH e BRENO FERRAZ, pela Associação Comercial; ANTÔNIO CARLOS PACHECO E SILVA, pelas classes liberais; CAPITÃO ANTÔNIO PIETCHER, técnico militar; ROBERTO VITOR CORDEIRO, JOSÉ TELES MATOS, GASTÃO SARAIVA, HERMAN DE MORAIS BARROS e FLÁVIO BATISTA DA COSTA, pelos estudantes; MOACIR BARBOSA, VALDEMAR SILVA e BRÁULIO SANTOS, pelos bancários; JORGE SOUZA REZENDE e TIAGO MASAGÃO FILHO”. Assinaram no outro dia a ata da reunião: SÍLVIO DE CAMPOS, JÚLIO MESQUITA FILHO e ANTÔNIO PEREIRA LIMA.

Alguns dias depois, EDGAR BATISTA PEREIRA lembrou os quatro mortos de 23 de maio para patronos espirituais da sociedade, que até então se chamava GUARDA PAULISTA. Representar-se-iam pelas iniciais: após alguns debates a sugestão foi aceita e daí a GUARDA ficou sendo a MMDC. Dividindo a cidade em vários setores, confiando cada qual a uma liderança, em menos de dez dias já contava a MMDC com cerca de cinco mil homens.

Na primeira vez em que apareceu em público, tinha a MMDC este Conselho Diretivo: SÍLVIO DE CAMPOS, PRUDENTE DE MORAIS NETO, CARLOS DE SOUZA NAZARETH, ANTÔNIO PEREIRA LIMA, ANTÔNIO CARLOS PACHECO E SILVA, AURELIANO LEITE e CAPITÃO ANTÔNIO PIETCHER (como assessor militar). Num domingo, a concentração e parada aconteceu no CANINDÉ. Compareceram mais de mil chefes e sub-chefes de grupos. “Assombrou a cidade e alarmou o BRASIL”, daí a pouco, sabendo de tudo pelos boatos as proporções foram multiplicadas.

O Governo de SÃO PAULO oficializou a MMDC em 10 de agosto – e entregou sua direção a um decenvirato: LUIZ PIZA SOBRINHO, PRUDENTE DE MORAIS NETO, JOSÉ CÁSSIO DE MACEDO SOARES, LÉVEN VAMPRÉ, ANTÔNIO CARLOS DE ABREU SODRÉ, JOAQUIM CELIDÔNIO FILHO, ELIAS MACHADO DE ALMEIDA, CESÁRIO COIMBRA, JAIME LEONEL, MÁRIO BASTOS CRUZ, ABELARDO VERGUEIRO CÉSAAR, ALARICO SOARES CAIUBI e CARLOS DE SOUZA NAZARETH. Esse decenvirato prosseguiu até o fim do Movimento Constitucionalista.

Em seguida a esse Conselho Geral, a MMDC compreendia três grandes divisões: a DIREÇÃO GERAL DO ABASTECIMENTO, a INTENDÊNCIA GERAL e o DEPARTAMENTO DE FINANÇAS.

Originalmente, a MMDC instalou-se na FACULDADE DE DIREITO. Passou-se, depois, para o antigo edifício do FORUM à Rua do Tesouro, esquina da 15 de Novembro (onde depois foi instalada a Caixa Econômica Estadual). Depois com a ampliação de seus serviços veio a instalar-se na Escola de Comércio ÁLVARES PENTEADO. 

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