1945
a. da erupção do VESÚVIO, em 24 de agosto de 79 d.C. De repente, ouve-se uma
explosão. Espanto! Num instante, todos os habitantes de POMPÉIA estão na rua.
Espetáculo alucinante, o topo do VESÚVIO havia se partido
Assim,
duas horas se passam. O que fizeram os habitantes de POMPÉIA durante esse
período? Não se sabe muito. Em compensação, sabemos o que fez o VESÚVIO. No
interior da cratera, após a expulsão da tampa de lava, a pressão começou a cair
vertiginosamente. O magma vulcânico, que dormia há séculos, começou lentamente
a espumar e, às 13 horas, rasgando o ar, destruindo as casas, virando de
ponta-cabeça as colunas dos pórticos, saiu bruscamente numa série de explosões.
Do vulcão vê-se escapar uma nuvem monstruosa em forma de pinheiro – um
cogumelo, como nós diríamos hoje. E,
subitamente, fez-se noite em pleno dia. Uma noite marcada por alguns raios
lívidos. As cinzas agora caem na forma de uma chuva tão densa que obscurece o
sol. Infelizmente, a chuva não é somente densa: ela está carregada de vapores
clorídricos. É pela intoxicação por gás, e não por soterramento que morrerão as
pessoas em POMPÉIA. A primeira guerra química contra o homem foi feita pelo
VESÚVIO. Só agora, enfim, os habitantes de POMPÉIA decidem fugir. Mas eles
haviam perdido duas horas preciosas. Abandonando seus abrigos, suas casas,
tomando ou não o cuidado de levar
consigo seus tesouros, milhares de dirigem às portas da cidade nesta noite
negra.
Aqueles
que moravam no noroeste se precipitaram naturalmente para a porta de
HERCULANUM. Alguns carregavam diante de si uma lâmpada de óleo, como se uma
chama pudesse resistir algum tempo àqueles vetos, àquela chuva viscosa de
cinzas. A maioria colocou sobre a boca uma almofada ou uma telha encontrada
pelo caminho. Mas será que alguém pode se defender contra um inimigo que se
insinua em todas as partes através de uma fina poeira carregada de vapores
clorídricos? Mas não há caminho para a salvação. Todas as vias estão
bloqueadas. Na noite escura, no meio de assovios do vento que, à beira do mar,
recobrou toda a sua fúria, as pessoas se esmagam umas contra as outras. Muitos
morrerão pisoteados. Morte relativamente doce, no entanto, se pensarmos que,
nessa mesma margem, todos os sobreviventes terminarão com os pulmões tomados de
gases. Não havia porta de salvação para os habitantes de POMPÉIA. Chance de
salvação só houve para aqueles que moravam no sul e no sudeste da cidade. E,
ainda assim, somente se eles não tivessem demorado para fugir e, durante a
fuga, tivessem passado pela porta de NOCERA em vez da porta de STÁBIA. A porta
de STÁBIA também tinha sido soterrada. Mas essa dupla condição foi poucas vezes
encontrada. Desse lado, portanto, foram igualmente numerosas as cenas de
desolação. Mesmo a porta de NOCERA não foi para todos a porta da salvação. Um
jovem casal chegou até ela e conseguiu mesmo atravessá-la. Como os outros, os
dois se trancaram em casa durante o primeiro bombardeio de pedras-pomes. Agora,
para avançar, tinham de lutar contra essa tempestade de cinzas que cega, que se
cola à pele e queima a garganta. Grande, vigoroso, com corpo de atleta, o homem
caminha na frente, tentando abrir passagem para sua companheira em meio dos
montes de lixo. De repente, a mulher cai com o rosto no chão e não consegue
mais se levantar. O homem quer ajudá-la, mas também cai. Num último esforço,
suas mãos tentam unir-se, mas a chuva de cinzas lhe nega esse último favor.
Muitos outros episódios inenarráveis aconteceram na tentativa de fuga. Vinte
séculos mais tarde, modelados pelas cinzas, na mesma posição, com as expressões
de seus últimos momentos, as vítimas poderiam mostrar o que teria acontecido
naquele dia 24 de agosto de 79 d.C. Durante todo o dia 24 e todo o dia 25, e
ainda no dia 26, a chuva de cinzas não parou. Quando, enfim, na aurora do dia
27, o sol reapareceu, o VESÚVIO tinha mudado de forma. Ele possuía agora um
topo duplo e, no lugar da antiga cratera, um cone havia se formado.
Quanto
aos habitantes de POMPÉIA, 80% deles – 16 mil numa população de 20 mil – jaziam
a vários metros de profundidade. A cidade estava morta, mas uma morte que a
tornaria imortal.
A
REVISTA HISTÓRIA VIVA, ano III, nº 30, publica na capa “POMPÉIA, CIDADE DO
PRAZER”. Novas descobertas arqueológicas contam o cotidiano da província
soterrada pelo VESÚVIO em 79 D.C. É um dos documentos muito bem elaborado,
devido às imagens remanescentes. As escavações conseguiram retratar um
cotidiano vivido há dois milênios, como aconteceu
Nenhum comentário:
Postar um comentário