É com muita alegria que nos reunimos hoje para comemorar mais uma primavera
do 44º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano.
Criado através do Decreto nº 50.264 de 29 de novembro de 2005, tendo como
primeiro Comandante o Major de Polícia Militar Eduardo Espósito.
Sediado nesta cidade de Guarulhos é responsável pelo policiamento ostensivo
preventivo fardado de Cumbica e Pimentas, dois grandes centros que agregam
atividades comerciais e empresariais, além de uma densa concentração populacional.
Quero também, nesta data festiva, aproveitando a oportunidade, mais uma
vez, galardoar virtuosos Policiais Militares. Policiais Militares que não
mediram esforços para bem cumprir seus deveres, tanto na nossa Organização
quanto no seio de sua família. Homens e mulheres dotados de caráter ímpar, que
mesmo diante de assombrosas adversidades souberam vence-las, tornando-se
exemplos, ou tiveram a humilidade de pedir ajuda, vencendo a dependência de
vícios nocivos ao convívio social e familiar e hoje são exemplos de superação.
Homenagear também personalidades civis que, cada um a sua maneira, colabora
incansavelmente para o sucesso deste grupo de profissionais de segurança
pública. E, neste momento rendo homenagens a Srª Leidjane Vieira, esposa do Soldado
de Policia Militar Marcelo Carlos Gomes, deste Batalhão, que estando no lugar
certo e na hora certa com calma e sabedoria adotou os procedimentos emergenciais
de primeiros socorros salvando a vida de uma criança que convulsionava.
Homenagiar um grande guerreiro e amigo pessoal o 3º Sargento de Polícia
Militar Ivan Rodrigues, armífero que combateu o bom combate e hoje, do oriente
eterno, nos observa e nos auxilia.
Nesta data faremos a entrega de comendas da Sociedade Veteranos de 32 –
MMDC, as quais refletem valores de moral, civismo, liberdade e democracia.
Desde já agradeço ao Cel de Polícia Militar Mario Fonseca Ventura da
Associação Veteranos de 32 – MMDC, ao Tenente Coronel de Polícia Militar Walter
Castro Garcia da do Núcleo Norte General __________________________ e ao 1º
Tenente de Polícia Militar Natanael Soares dos Santos do Núcleo Leste Juventude
Constitucionalista. Muito obrigado.
Teremos também a entrega de comendas da Associação Brasileira das Forças
Internacionais de Paz da ONU “os boinas azuis” que atuam no mundo todo na
resolução de conflitos e reestabelecimento da ordem social. Sr Walter Mello de Vargas
muito obrigado.
Em parceria com o 7º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano, na pessoa
de seu comandante o Tenente Coronel de Policia Militar Marcos Antonio Félix, a
quem eu desde já agradeço, teremos a entrega de medalhas do 50º aniversário
daquela Unidade.
Por fim, teremos a entrega de medalhas de personalidades ilustres, patronos
das armas das forças armadas brasileira, como é o caso de Duque de Caxias que
por seus feitos e dedicação exemplar é o Patrono do Exercíto Brasileiro. Agradeço
o Subtenente do Exercito Brasileiro Marco Aurélio Nunes Brasil, que não se faz
presente no memento, leve-se ao conhecimento do mesmo minha gratidão.
Neste momento, quebrando o protocolo quero reverenciar o heroismo e a dedicação
da mulher. Mulheres como Maria Quitéria de Jesus Medeiros, a
mulher-soldado, que nasceu no ano de 1797, na antiga Província da Bahia.
Nos idos de 1822, sob o
ideal de liberdade, o Recôncavo Baiano lutava contra o dominador português que
se negava a reconhecer a Independência do Brasil. A necessidade de efetivos fez
com que a Junta Conciliadora de Defesa, sediada em Cachoeira – BA, conclamasse
os habitantes da região a se alistarem para combater os portugueses.
Maria Quitéria, uma
humilde sertaneja baiana, atendeu ao chamado, motivada pelos ideais de
liberdade que envolvia seus conterrâneos. Ante a posição contrária do pai, foge
de casa e, com o uniforme de um cunhado, incorpora-se inicialmente ao Corpo de
Artilharia e, posteriormente, ao de Caçadores, com nome de Soldado Medeiros. O
seu batismo de fogo ocorre em combate na foz do rio Paraguaçu, ocasião em que
ficam evidenciados seu heroísmo invulgar e sua real identidade.
Em fins de 1822, a
intrépida baiana, incorpora-se ao Batalhão dos Voluntários de D. Pedro I,
tornando-se, desse modo, oficialmente, a primeira mulher a assentar praça numa
unidade militar, em terras brasileiras.
De armas na mão,
participando de combates como o da Pituba e o de Itapuã, torna-se merecedora
das mais honrosas citações de bravura, valor e intrepidez, passando a
constituir-se em referência do heroísmo da mulher brasileira.
Isto posto, convido minha mulher Rosemary de Campos, a minha companheira de
todas as horas para se colocar em local de destaque.
Quero na pessoa de minha esposa homenagear todas as mulheres, esposas e
companheiras dos nossos policiais militares, reconhecendo nelas os valores
inerentes a heroína Maria Quitéria, por suas incansáveis horas dedicadas ao
policial militar e a própria Polícia Militar. É graças a essas bravas mulheres,
por sua intrepidez, que nós policiais militares conseguimos exercer nossas
atividades e sermos reconhecidos e valorizados como profissionais de segurança
pública. Não poderia deixar de, neste momento, citar a mulher policial militar
pela sua dupla jornada de trabalho e em ambos os casos desenvolve com
excepcional maestria, obrigado!
Convido o Cel de Polícia Militar Dimitrios Fyskatoris, Comandante do
Policiamento Metropolitano para que faça a entrega da Medalha Maria Quitéria a
Rosemary de Campos.
Dando
continuidade ao meu discurso.
Agradeço do fundo do meu coração àqueles que contribuíram para que eu aqui
estivesse: meus pais, que já se encontram no oriente eterno, meus familiares,
minha esposa, minha filha Catarina, meus amigos e principalmente a Deus o
Grande Arquiteto.
Permitam-me meus superiores,
subordinados, amigos, irmãos da Arte Real e familiares aqui presentes. Minhas palavras são dirigidas aos meus colegas e amigos de
profissão.
Este é o nono aniversário da nossa jovem Unidade Operacional e me permitam,
segundo a numerologia o nove é um número de retornos felizes e relacionado
com a conclusão de tarefas. É símbolo da realização, riqueza, abundância e
potencial. Para uma caserna como a nossa, nove é um número extremamente
auspicioso porque traduz que se atingiu uma gestão ideal com energia positiva
para todos os envolvidos. Sendo assim:
O sino da vida repicou a balada da
despedida.
Estou hoje às portas de uma nova etapa de minha vida! Confesso, neste
momento, é normal a dúvida; os questionamentos me povoam a mente sobre o que
fazer a partir de agora? É o fim da jornada policial militar, qual é meu
legado? O que ficou? As respostas para tais questionamentos são imprescindíveis
para continuar a caminhada.
É bem verdade que ao cruzar essa linha, meu peito é tomado por momentos de
euforia, satisfação inominável, e, ao olhar para frente vejo que este é apenas
o começo de uma longa caminhada a ser percorrida. Caminhada que
indubitavelmente me proporcionará encontros, desencontros e reencontros. Que
posso dizer, assim é a vida, nascemos de um encontro. O importante nessa
dinâmica da vida é que levamos marcas que norteiam e estruturam nosso jeito de
ser e de viver.
O que sou hoje é, em grande parte, fruto do caminho percorrido durante a jornada
policial militar. As alterações que em mim ocorreram são perceptíveis ao longo
desses desafiadores e, muitas vezes, dolorosos anos.
Diante da responsabilidade da profissão, estejam convictos, de que todas as
experiências podem ser proveitosas para enriquecer nosso aprendizado como seres
humanos. Certamente, servem como exemplos de ética, presteza, solicitude,
compreensão e competência profissional.
Ao longo desses 11 meses juntos fomos avançando na nossa trajetória profissional,
nos fortalecemos, nos conhecemos. O efetivo deste Batalhão, mostrou-se desde o
início, de uma heterogeneidade singular expressa, muitas vezes, através de uma harmoniosa
divergência de interesses, as vezes não tão harmoniosa assim. Pude notar que
neste Batalhão há policiais militares questionadores e motivadores; outros se
destacaram pela capacidade de expressão, serenidade e diversão; e outros por organização
e pontualidade.
Hoje mais uma vez, através da outorga de medalhas, humildemente acredito
que estou premiando e valorizando os exemplos de dedicação, persistência e
liderança.
Minha profunda gratidão a todos os policiais militares deste Batalhão, pelo
seu incansável e prestimoso trabalho. Por me permitirem “brincar de
comandante”, através do esforços de todos voces o fardo foi muito menos pesado
para mim.
Apesar das diferenças, todo o efetivo tornou-se protagonista e colaborou para
a construção de uma história de desafios, de sonhos, de esperança e de
alegrias. E, particularmente para a minha história pessoal de vida.
Deus me poupou desse momento, mas não posso deixar de reverenciar o 2º Sgt de
Polícia Militar Marcos Antonio Gonçalves, que tombou em 27Jan13, durante o
serviço, no cumprimento do dever.
Mas Deus não me poupou de chorar junto com o Soldado de Polícia Militar
Emerson Gomes da Silva a perda de sua filha Julia Frigo da Silva, muitos aqui
são pais e podemos imaginar e somente imaginar a dor desta perda.
Reverencio o nosso amigo e a filha amada e querida que partiram, que foram chamados
de volta a morada do Pai, não para trazer melancolia ao nosso evento, mas para
fazer uma justa homenagem a eles, mostrar a todos que eles não foram e nem
nunca serão esquecidos, pois moram em nossos corações.
Estejam certos meus comandados o futuro não se improvisa, ele é o fruto do
que construimos hoje. Tudo o que desejamos para nós, só será alcançado se
pudermos lançar um novo olhar sobre nós mesmos.
O futuro esta diante de nós. Para mim uma nova jornada, para voces a
continuação da jornada, sendo assim vamos tentar compreender o nosso mundo, o
nosso dia-a-dia mais profundamente, racionalizar mais nossos atos; ser mais
profundo na nossa atitude perante a condição humana. Manter em nós mesmos, uma
confiança suficientemente grande para considerar qualquer experiência vivida
como importante desde que a partir dela se aprenda e se cresça como indivíduo,
fazendo-se e definindo-se.
O desafio do tempo presente é o compromisso de colaborar para a construção
de uma sociedade melhor, mais justa e, em meio à agitada rotina da vida
profissional, encontrar tempo para refletir e agir dentro de parametros de justiça, amor e de felicidade, valores inerentes
à pessoa humana.
A felicidade do homem ou
seu fracasso na história depende dele mesmo e de mais ninguém. Na
responsabilidade de nossas mãos está o justo e o injusto, o bom e o mau, o
grande e o pequeno.
Portanto, é preciso
sensatez, equilíbrio, inteligência, amor e humildade para que façamos a escolha
certa no momento histórico adequado. O homem só é grande para os outros quando
for grande primeiramente para si próprio.
Ressalto, por fim, que caberá a nós, cada qual a seu modo, diante das
injustiças e desigualdades sociais que se instalam com mais rapidez em nosso
meio, dispor de coragem e autenticidade para fazer a diferença, em prol de uma sociedade
mais digna para todas as pessoas.
A todos o meu sincero desejo de que cada adversidade, torne-se um estímulo;
cada insucesso, uma lição para a vida; cada vitória, um impulso, para ir mais
longe e buscar novos sonhos.
Retorno às minhas
origens, à Jundiaí, interior de São Paulo, de onde parti no ardor de meus dezesseis
anos, quando, pela primeira vez, vesti a farda da gloriosa Polícia Militar, a
nossa Força Pública Bandeirante.
Dispo-a, simbolicamente hoje,
surrada pelo tempo, mas tão ilibada como antes.
Faço-o com a consciência
do dever cumprido, feliz por haver exercido a mais nobre das funções atribuídas
ao homem, ser profissional de segurança pública, da qual sempre me orgulharei.
Obrigado Senhor meu
Deus, que me proporcionou tantas vitórias e a insigne glória, a mais honrosa a
que possa aspirar um Oficial de Polícia Militar, de concluir minha carreira no
posto de Coronel de Polícia Militar.
PAUSA
Guardem estas palavras:
"Às vezes a avalanche de problemas nos faz refletir que não é o fim da
batalha, logo não devemos sequer cogitar abandonar os campos de embate."
Deus abençoe a todos e muito obrigado.
REDCLIFF
SIERRA DOS SANTOS
Ten Cel PM – Comandante do 44º BPM/M
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