segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

REFLEXÃO SOBRE A PETROBRÁS - CRÔNICA DO CORONEL PM LUIZ EDUARDO PESCE DE ARRUDA

REFLEXÃO SOBRE A PETROBRÁS
Luiz Eduardo Pesce de Arruda
Olhe bem nos olhos do velho
Olhos baços, olhos sofridos
Olhos de “preso de cadeia”
Aliás, foi assim que, mesmo doente,
ele assinou uma carta ao ditador
Cumprimentando-o pelo aniversário
Mas insistindo que o petróleo era nosso.
Um velho que só conseguiu uma cama
para se deitar na cela da Detenção
Porque seu companheiro de infortúnio
era um jovem estudante das Arcadas
Igualmente preso pelo “Estado Novo”
E que, deitando-se no frio chão de cimento,
Reverenciou o velho e lhe ofereceu o conforto que podia
Naquelas circunstâncias
O jovem se chamava Abreu Sodré
O velho se chamava Monteiro Lobato
Olhe bem nos olhos apaixonados
De militares, de estudantes, de políticos,
Muitos deles professavam a mesma ideologia
Que os donos do poder, hoje, no Brasil,
Disseram um dia professar
Foram eles que enfrentaram a ditadura
Falaram, insistiram tanto
Até que Vargas, presidente eleito democraticamente
Criou finalmente a Petrobrás, um sonho do Brasil
Que despertava para a grandeza
Olhe bem nos olhos sonhadores dessa gente
Engenheiros e técnicos, operadores de plataforma e pilotos de helicóptero
Geólogos, marinheiros, perfuradores e mergulhadores,
Quantos deles deram a própria vida
Para construir a Petrobrás,
esse orgulho de um Brasil gigante
Olhe bem nos olhos confiáveis dessa gente
Juristas e motoristas, copeiros e gestores,
Financistas e auditores
Especialistas de todo gênero
Que estudaram, foram aprovados legitimamente
em disputado concurso público,
Continuaram se aperfeiçoando
E lutaram como leões por essa empresa
Que significava, para eles e para elas,
Uma extensão de sua própria família
De sua própria vida
Olhe bem nos olhos frios dessa gente
Altos executivos, negociadores internacionais,
Especialistas em contratos,
Que enfrentaram, negociaram, ousaram, brigaram, conciliaram, blefaram e venceram
Alguns dos conglomerados monopolistas mais fechados e competentes do mundo
Defenderam a empresa, sem se corromper e, assim,
Conquistaram contratos milionários, recursos – e respeito internacional – para o Brasil
Feche os olhos por um instante
E lembre-se do tempo em que você era jovem,
O dinheiro era curto mas a vida lhe sorria
longa à sua frente
E você construía castelos de sonho com seus amigos,
Numa sala de aula, numa mesa de bar,
Às vezes, em um “aparelho” ou em uma cela do DOPS
Você também sonhou com um Brasil grande
Democrático, honrado, livre e justo
Do qual cada brasileiro e brasileira
Poderia se orgulhar
Agora, o tempo passou
Olhe bem nos olhos de sua mãe
De seus filhos
De seus netos
De seus amigos e vizinhos
(Se é que eles queiram olhar para você)
Olhe bem nos olhos de cada criança e jovem brasileiro
Olhe bem nos olhos de seu médico,
Quando estiver, um dia, retido em seu leito de morte,
Pois todo o dinheiro que você roubou não prolongará sua vida em um só instante
Não o fará mais respeitado por seus descendentes
Não o fará mais feliz
E nem lhe trará Paz!
E, por derradeiro, eu sinceramente lhe pergunto:
Olhando nos meu olhos
Você não tem vergonha
Com o que você – e seus amigos e correligionários - fizeram com a Petrobrás?
São Paulo, 17 de dezembro de 2014

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