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MEMÓRIA NO DIA DO
SOLDADO DE 2015 no 212º ANIVERSÁRIO DO DUQUE DE CAXIAS PATRONO DO EXÉRCITO E O
INSPIRADOR DE SUA DOUTRINA MILITAR
Cel Cláudio Moreira
Bento - Historiador Militar e Jornalista,
Presidente da FAHIMTB e AHIMTB |Resende
Marechal Mário Travassos
Introdução
No
trancurso, em 25 de Agosto, do 212º aniversário de nascimento do Duque de
Caxias e do 91º aniversário de consagração de seu aniversário como o Dia do
Soldado, pelo Ministro da Guerra Marechal Fernando Setembrino de Carvalho - O
Pacificador do Século XX - A FAHIMTB e a AHIMTB/Resende Marechal Mário
Travassos prestam, com este artigo, uma homenagem a Caxias, o Pacificador do
Século XIX, Patrono do Exército, da FAHIMTB e de suas academias federadas.
O Coronel Amerino Raposo
Filho, veterano da FEB e patrono em vida de cadeira especial da FAHIMTB, em Caxias
e os problemas militares brasileiros (Rio de Janeiro: SGeEx, 1969, v. 1
- série subsídios doutrinários), intitulou Caxias de O inspirador de nossa doutrina militar”
(capítulo VI).
Nele, o pensador militar Coronel Amerino destacou e
demonstrou a notável visão estratégica de Caxias e a sua capacidade de adaptação,
ao realizar, durante a sua vida, operações militares completamente diversas e
em Teatros de Operações distintos.
Inicialmente, foram
os raids audaciosos para conter as revoluções em São Paulo e Minas Gerais;
depois no Rio Grande do Sul; e, finalmente, no Paraguai, as manobras de flanco
de Humaitá e Piquiciri, esta última culminando em cerco.
Vale lembrar que, na Guerra de 1851-52, empreendimento militar que Caxias liderou, ele adotou uma estrutura operacional e logística que deu excelentes resultados.
Como Ministro da
Guerra (1856),
ele a transplantou para o Exército, o que veio a
constituir profunda Reforma Administrativa, caracterizada pela criação das
figuras do Ajudante-General, do Comando das Armas da Corte e do
Quartel-Mestre-General, este encarregado da Logística, e todos diretamente a ele subordinados.
Na segunda vez em que assumiu o Ministério da Guerra (1861), apoiado na imensa experiência operacional que colhera adotou, com adaptações às realidades operacionais sul-americanas vivenciadas em cinco campanhas vitoriosas que comandara, as Ordenanças
de Portugal para as armas, ‘até
que se dispusesse’, como declarou, ”de uma doutrina específica genuinamente nossa”. Adaptação no contexto da humilhante Questão
Christie,
Para o autor antes citado, a Manobra de Flanco do
Piquiciri, na Guerra do Paraguai, seria ímpar na História Militar Universal.
Foi de concepção audaciosa, aliada à rapidez e à surpresa da sua
execução que culminou com o cerco de todo o Exército adversário na frente
secundária de fixação. O adversário foi batido quando intentava a fuga, e não
uma Retirada. Caxias teria sido, assim, o pioneiro em Manobra de Cerco.
Para o pensador militar Coronel Amerino, as atuações operacionais de Caxias estariam a sugerir uma Doutrina Militar
fundamentada na Segurança,
tática
e estratégica em todas as direções. Sua não observância pelo adversário, resultou para este em derrota, na
Dezembrada.
Para o hoje
patrono em vida de cadeira especial da
FAHIMTB, Cel Amerino, Caxias não foi um teórico, mas essencialmente um prático
em Arte e Ciência Militar.
Para o pensador militar e patrono de Cadeira da FAHIMTB
Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco:
“Caxias possuía em alto
grau o senso do praticável e a
convicção de que a Arte Militar é toda execução”.
Desse modo, Caxias teria lançado as bases da nossa Doutrina Militar Terrestre com a ponta da sua invicta espada e no
campo de batalha,
tal como o fizeram Frederico - o Grande, Napoleão, Suvorov e Sherman.
Amerino Raposo sugeriu, aos profissionais com responsabilidade na formulação da Doutrina
Militar Terrestre Brasileira, que mergulhassem no estudo crítico de nossas
guerras internas e externas, para delas emergir aquilo que orientaria o novo
comportamento, no sentido do que deveria animar a nossa Força Terrestre e, em
consequência,
ajudar a caracterizar, em caso de guerra, de como ela deveria ser conduzida nos
diversos Teatros de Operações do País e da América do Sul.
Quando alguém pediu, ingenuamente, à Missão Militar
Francesa, logo que aqui chegou, que ensinasse tática e estratégia brasileiras, os franceses informaram que ambas estavam
embutidas na nossa História Militar e de onde, com apoio num estudo histórico
militar crítico, à luz dos Fundamentos da Arte e Ciência Militares, elas deviam
ser retiradas. E foi deste contexto des estudos aconselhados, que deles saiu,
como exemplo eloquente,
o General Augusto Tasso Fragoso, com suas obras A
Batalha do Passo do Rosário e A Guerra da Tríplice
Aliança contra o Paraguai, que o consagraram como o Pai da
História Militar nosso Exército.
A História Militar Crítica foi
a projeção da atuação como instrutor e
comandante da ECEME e Chefe do EME do Marechal Castelo Branco, por sua
influência, implantada na AMAN, a partir de 1959, pelo então Tenente-Coronel
Francisco Ruas Santos e que foi
ministrada por cerca de 40 anos, até por volta de 1999, na AMAN, por oficiais
instrutores com o Curso da ECEME e orientação recebida da Cadeira de História
Militar da AMAN por todos os atuais
generais combatentes do nosso Exército.
Ensino militar crítico apoiado de 1978 a 1998,
por cerca de 20 anos, pelos livros textos azuis História da Doutrina Militar
e História Militar do Brasil, patrocinados pelo Estado-Maior do Exécito.
Ponto de inflexão do Ensino de História Militar na AMAN, decorrente da
Modernização do Ensino e caracterizado pelo Capitão Elton Licério Rodrigues
Machado na p. 24 de sua palestra na Escola Naval, sob o título “A História
Militar e o Curso de História Militar na Formação de Oficiais Combatentes do
Exército Brasileiro - 200 anos de História”, publicada nos Anais do VI
Encontro Pedagógico do Ensino Militar Superior, realizado de 2 a 6 de
setembro de 2012, ano do Bicentenário da AMAN.
O Coronel Amerino sugeriu doutrinas táticas terrestres com apoio nas atuações de Caxias. E explicou:
“Doutrina com
intensa solicitação à surpresa, à audácia, à rapidez de movimentos; às
manobras flexíveis, com estruturas leves e aptas a viver em grandes espaços,
isoladas e, até à própria sorte. Doutrina que responda às peculiaridades de
nossos teatros de operações, de nosso potencial humano e de nossas
possibilidades econômico-industriais”.
O que sugeriu pode ser facilmente identificado na
expulsão de feitorias europeias
no Baixo Amazonas e afluentes, por Pedro Teixeira,
liderando guerrilha fluvial, bem como na luta de trinta anos, de 1724-54, contra
os holandeses na Bahia e Pernambuco e contra as invasões espanholas no Sul
(1763-77).
Nelas,
desenvolveu-se uma doutrina militar terrestre brasileira genuina ‘A
guerrilha fluvial’, vitoriosa no Baixo Amazonas, ‘A guerra brasílica em Pernambuco e Bahia e,
no Rio Grande do Sul, ‘A guerra à gaúcha’.
Com apoio na guerrilha “a estratégia do fraco contra o
forte”, esse tipo de guerra teria sido apropriado por Caxias, na Revolução
Farroupilha, ao entregar a condução das operações, no campo tático, a dois especialistas nessa maneira de guerrear, o General Bento
Manuel Ribeiro e guerrilheiro imperial Ten Cel da Guarda Nacional Francisco
Pedro de Abreu, o ‘Moringue’, que estabeleceu a base da Coluna Esquerda do
Exército do Barão de Caxias em Canguçu atual, nas Serras do Sudeste então
distrito da Capital Farroupilha Piratini, onde era mais forte a resistencia. Distrito
de Canguçu considerado pelo guerrilheiro imperial Francisco Pedro “como o
distrito de mais perigo e mais farrapo.”
Vale lembrar que,
na pacificação do Maranhão, Caxias usou a
guerrilha para combater a guerrilha balaia, ação que mais tarde
inspirou comandos paraguaios para a solução de problemas semelhantes.
Mais tarde, na luta pela independência do Acre, o gaúcho
Plácido de Castro também desenvolveu uma doutrina militar genuína para
enfrentar os bolivianos, apropriando-se em muito na Guerra à gaúcha que ele
praticara na Guerra Civil de 1893/195 no Rio Grande do Sul, como major
federalista.
Doutrinas com
essas características e inspiração, citadas pelo pensador militar Amerino
Raposo e com os
precedentes históricos que apontamos, seguramente podem e devem ser
implementadas para a defesa preventiva da Amazônia Brasileira. Aumentaria, em
muito, a capacidade dissuasória das forças terrestres encarregadas de sua
defesa, com apoio no e na experiência do Centro de Instrução de Guerra na Selva
(CIGS), contra tentativas várias que possam pôr em risco a Integridade, a Unidade
e a Soberania do Brasil na área, no insondável Terceiro Milênio.
Sobre a defesa da Amazônia
leia-se o valioso artigo do General Luiz Alberto Bringel ‘A Estratégia
da Lassidão’, que
responde às nossas reflexões e considerações aqui feitas e do qual tomamos
conhecimento depois de havermos escrito esta parte. Ensina-nos
o General Bringel:
“Lassidão é a estratégia do
fraco que, valendo-se de alguns fatores a seu favor, reage no campo militar,
evitando um engajamento decisivo contra uma esmagadora superioridade militar,
impondo-lhe o máximo desgaste e lhe enfraquecendo assim, a vontade de combater,
visando obter na opinião pública do adversário, forte pressão sobre o seu
Congresso no sentido de suspender as ações armadas”.
A Guerra Brasílica e a Guerra à Gaúcha tiveram
características de Lassidão que encontram suas raízes no
pensamento militar português, com base no Pensamento Político de Portugal de ‘Dilatar
a Fé Católica e o Império de Portugal’ pelo mundo. Embora
um país pequeno territorialmente, conseguiu se impor e manter importantes
territórios nos quatro cantos do mundo, inclusive o Brasil, por 322 anos.
Eis
o pensamento militar português, na feliz interpretação do General Paula
Cidade:
“Julgada a causa
justa, buscar a proteção divina e atuar ofensivamente, mesmo em inferioridade
de meios”.
Dessa forma, eles conquistaram e mantiveram a
Amazônia inviolável de 1640 a 1822.
O Coronel J. B. Magalhães, também assinalado
pensador militar e também um dos biógrafos do General Osório, ao prefaciar o
trabalho focalizado do Coronel Amerino, assim viu o valor,
para o presente e futuro do Exército, do aproveitamento crítico da história das
Forças Terrestres Brasileiras, como força operacional, com experiências
guerreiras citadas expressivamente vitoriosas:
“Tudo o que existe deriva do que existiu
antes. E é isto que dá valor positivo aos registros da História, permitindo
fazer-se uma filosofia capaz de orientar com acerto as atividades humanas. E,
analisando como atuaram em bem do progresso as elites de ontem, é que as
elites de hoje e do amanhã poderão produzir eficazmente, consideradas as
modificações ambientais”.
Sobre Caxias, ele assim interpretou a projeção
como chefe militar:
“Caxias foi chefe militar de escol. Atuou em época de acentuadas transformações
nos mecanismos da guerra. Soube utilizar os meios de que dispunha, dando-lhes
uma orientação apropriada ao seu maior rendimento”.
Caxias teve à sua disposição, e empregou,
os meios que a descoberta da máquina a vapor, que gerou a Revolução
Industrial, produziram: navios de guerra a vapor; telégrafo; balões cativos,
importados do Exército do Norte dos EUA e empregados nos reconhecimentos para flanquear Humaitá;
linha férrea, construída e operada por nossa Marinha, para apoiar unidades
navais que operaram no rio Paraguai entre duas fortalezas adversárias.
Fortalezas inimigas equipadas com
munição e armamentos abundantes, produzidos industrialmente e não mais
artesanalmente.
Caxias, como Ministro da Guerra, lançou
as bases da Doutrina Militar Terrestre Brasileira no tocante à regulamentação
da Disciplina e da Justiça Militar e dos Serviços Gerais.
Desde
então as novidades tem como ponto de partida os regulamentos específicos que
baixou em 1856, 1862 e 1875.
Caxias foi o pioneiro na análise critica de
batalhas ao analisar militarmente a Batalha do Passo do Rosário, à luz dos
Fundamentos da Arte e Ciência Militar, por solicitação do Instituto Histórico e
Geográfico Brasileiro (IHGB) do qual era sócio honorário.
Instituição que, desde 1925, é
detentora da invencível espada do Duque de Caxias da qual, em 1930, o Coronel
José Pessoa, como comandante da Escola Militar do Realengo, mandou copiá-la em
escala para servir de modelo do Espadim de Caxias, arma privativa dos cadetes
do Exército. Espadim que, em 22 de agosto de 2015, novos cadetes o receberam,
como o Símbolo da Honra Militar, numa cerimônia tradicional na AMAN que há 82
anos se repete anualmente.
Como contribuição as ideias do três
pensadores militares de nosso Exército e patronos de cadeiras de nossa
guerreira FAHIMTB, o Marechal Castelo Branco e os coronéis J.B. Magalhães e
Amerino Raposo a FAHIMTB com apoio em trabalhos de seus patronos de cadeiras e
acadêmicos produziu e distribuiu amplamente seu livro Brasil - lutas contra invasões, ameaças e pressões externas...dos
quais doou 1.000 exemplares ao Departamento de Ensino e Cultura do Exército,
para uso em especial pelas escolas do Exército. E no momento desenvolve o livro
Brasil - Lutas Internas 1500-1916, com apoio em trabalhos de seus patronos de
cadeiras e acadêmicos, bem como reúne a bibliografia produzida por patronos e
acadêmicas sobre as lutas internas no Brasil de 1916 – Atualidade, para que
sejam analisadas por historiadores na oportunidade do centenário de cada uma
dessa lutas quando seus agentes não mais existam.
Editor: Cel Claudio Moreira Bento,
Historiador Militar e Jornalista Presidente da FAHIMTB e AHIMTB/ Resende –
Academia Marechal Mário Travassos

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