sábado, 24 de outubro de 2015

CORONEL PM RALPH ROSÁRIO SOLIMEO LEMBRA O CASO DO CABO ALVARINO - MEUS AGRADECIMENTOS AO COMANDANTE HORÁCIO.

cmhoracio@uol.com.br

Anexos22:00 (Há 1 hora)
para ralphsolimeo
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CMT RALPH
 
De há muito não lia um texto gostoso de ser apreciado e o mais importante que VEXCIA está escrevendo divinamente, sem a preocupação de estar amarrado Isso é mais que uma vitória a ser comemorada. O texto é o segundo da nova safra. continue com o mesmo estilo e picardia  que o tornam o grande orador, contador de causos e paias kkkkk
obrigado por compartilhar a leitura. Repassarei com a devida vênia
abraços  em continência kk
 
-------Mensagem original-------
 
Data: 10/24/15 19:20:16
 
Amigos
Será que o Cabo Alvarino se deixaria ser atuado pelo delegado de plantão? Sei não.
Para os que não conhecem a sua história, contamos, para os que a conhecem, recordamos.
Velhos tempos.

​                                           O CABO ALVARINO

Numa noite do mês de março de 1966, recebi um telefonema, em que alguém, com a voz mais calma do mundo, me dizia:
_ “Seu tenente, eu achava bom o senhor dar uma chegadinha até aqui, pois eu recolhi o delegado no xadrez e fechei o Plantão”.
_ “Mas, por que Alvarino?”.
_ “O safado ofendeu muito a gente”.
_ “Já estou indo, mas solte o delegado enquanto isso”.
No curto trajeto até a minha Companhia, a 1ª. do 2°BPMM, na Penha, que funcionava no mesmo prédio que o Plantão Leste, fui imaginando o que poderia ter acontecido para tirar o cabo Alvarino do sério. Ele era um cabo antigo, experiente, tranqüilo, fala mansa e cordial, como todo caipira de Pinda e com ótimo relacionamento com o pessoal da Polícia Civil. Já, o mesmo não se podia dizer do delegado Elias: com ele tudo era possível acontecer, pois se tratava, na gíria policial, de um código 13, um “doido de todo gênero”.
Chegando à Cia.o cabo me fez o seu relato:
_ “Seu Tenente, eu estava na sala do Serviço de Dia – que ficava bem à entrada do prédio –atendendo a dois soldados, que haviam trazido um desordeiro e aguardava que eles terminassem de preencher o Talão de Ocorrência, para o apresentar ao Plantão, quando o Dr. Elias entrou e aos gritos foi perguntando o que nós estávamos fazendo com aquele civil. Eu lhe expliquei a situação, mas ele não quis saber de nada e já foi dizendo que nós estávamos tomando dinheiro do detido, pois éramos uns achacadores filhos da p...”
“_Ai, eu e o soldado Roque, levantamos ele do chão pelos braços, carregamos até a carceragem e o metemos atrás das grades Ele bem que esperneou e gritou, mas nenhum dos policiais civis de serviço se mexeu para o acudir”.
Pouco tempo depois, acompanhado pelo Capitão de Permanência ao Quartel General, chegou o 1° Delegado Auxiliar, que, naquele tempo, era o responsável pelos Distritos Policiais. Por sorte minha, esse Delegado, além de ser meu amigo, pois havíamos trabalhado juntos na Vila Matilde, era um verdadeiro cavalheiro. Todos ao se referirem a ele, sempre diziam o seu nome acrescido de um epíteto: ele era o Doutor José “Boas Maneiras...”
_ “Tenente Ralph – disse-me ele – infelizmente nós vamos ter que atuar o cabo em flagrante por desacato e constrangimento ilegal”.
_ “Perfeitamente, Doutor, mas vamos ter que atuar o delegado, por desacato, também”.
_ “Como? Um delegado desacatando um cabo?”.
_ “O senhor vai me desculpar, doutor, mas o Código Penal diz, simplesmente, que desacatar funcionário público no exercício de sua função, é crime e não isenta ninguém em razão de seu cargo ou patente. O Cabo Alvarino estava na função de Cabo de Dia da minha Companhia, portanto, sem qualquer subordinação funcional para com o Delegado de Plantão, quando foi destratado e ofendido pelo mesmo, que invadiu a sua sala”.
_ “E, Tenente, mais vai ficar um negócio muito esquisito lavrar esses dois flagrantes.”.
_ “Realmente doutor. Então por que o senhor não esquece esses flagrantes, instaura Inquérito, que é muito mais substancioso, pode ser feito com mais calma, e fora da exaltação dos ânimos do momento? Pode ser, até, que haja outros implicados: segundo o Delegado Elias disse, quando aqui cheguei teria sido  fui eu que o mandara prender? Quem sabe ele tenha razão?”.
_ “Tudo bem, Tenente Ralph, mas o senhor transfere o Cabo de Companhia?”.
_ “Sem dúvida. E o senhor transfere o delegado, também, afinal ele não vai ficar bem para ele continuar trabalhando onde foi desmoralizado.”. 
“Sabe de uma coisa? O senhor tem razão.”
O cabo Alvarino e o delegado Elias foram transferidos e o Inquérito, elaborado pela Polícia Civil, se restringiu a apurar a atitude do cabo, ignorando a do delegadoindiciamento do Alvarino, isentando o delegado. 
Encabeçada pelo Comandante o Batalhão, foi feita uma “vaquinha”, em que todo o efetivo do Batalhão contribui, para a contratação de um bom advogado para defender o Cabo Alvarino. O advogado conseguiu fazer o processo ficar rolando até ser arquivado por prescrição e o Alvarino pode terminar tranquilamente o seu tempo de serviço em Pinda..

Durante muito tempo, quando um delegado de Plantão começava a criar caso com algum soldado, o escrivão logo dizia:
_ “Cuidado, Doutor, que ele chama o Cabo Alvarino”.

Ralph Rosário Solimeo – ralphsolimeo@terra.com.br


 

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