quinta-feira, 5 de maio de 2016

ASSASSINATO DE REPUTAÇÕES - MUITO ALÉM DA LAVA JATO - MEUS CUMPRIMENTOS AOS CORONÉIS PM TOGNETTI E TOROS.

ASSASSINATO de REPUTAÇÕES II. MUITO ALÉM da LAVA JATO

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TOGNETTI, Americo

Anexos01:41 (Há 6 horas)
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Repasso... Me perguntando, na forma habitual, sobre como o brasileiro quis e conseguiu eleger uma quadrilha mafiosa das mais sofisticadas e deletérias do mundo, em termos de roubos, falcatruas, crimes de vários tipos e etc, para acabar com o futuro da sua família e de toda uma nação...

-------- Mensagem encaminhada --------
Assunto: ASSASSINATO DE REPUTAÇÕES II. MUITO ALÉM DA LAVA JATO
Data:Tue, 3 May 2016 21:28:15 -0300
De:Toros Kharman 
: ASSASSINATO DE REPUTAÇÕES II. MUITO ALÉM DA LAVA JATO

A amiga Vera Lúcia Prestes, à propósito do livro O chefe, de Ivo Patarra, me cita Assassinato de reputações, de Romeu Tuma Júnior e Cláudio Tognolli (de quem adaptei a frase Não se escreve corrupto sem PT, par encerrar muitos de meus e-mails, ver ao final).

Esse livro possui 3 versões:

1. - Assassinato de reputações. Um crime de estado - capa vermelha, 2014, 560 pp (livro), ISBN 978-85-7475-228-0 - não possuo
2. - Assassinato de reputações. Um crime de estado - capa verde-amarela (bandeira do Brasil), 2016, 400 pp (livro), ISBN 978-85-8230-240-8 - não possuo
3. - Assassinato de reputações II. Muito além da Lava-jato - capa preta (digital vermelha), 2016, 264 pp (livro), 224 pp (pdf), ISBN 978-85-8230-242-2 - versão que possuo e aqui compartilho

http://images.livrariasaraiva.com.br/imagemnet/imagem.aspx/?pro_id=6395715&qld=90&l=370&a=-1 +
http://images.livrariasaraiva.com.br/imagemnet/imagem.aspx/?pro_id=9279873&qld=90&l=370&a=-1 +
http://images.livrariasaraiva.com.br/imagemnet/imagem.aspx/?pro_id=9270088&qld=90&l=370&a=-1


Chamo atenção para o prefácio que reproduzo abaixo. Na verdade o prefácio é quase um livro - acho mesmo que chega a ser indelicado para com o autor. De qualquer forma mostra como as autoridades policiais e governamentais paulistas, onde se inclui o governador Geraldo Alckmin, Alberto Goldman, José Serra e Cláudio Lembo foram coniventes, simplesmente ignorando as gravíssimas acusações que afloravam gritantemente.
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Nem a ficção daria conta deste relato

Em setembro de 2012 foi noticiado, sem o destaque merecido, um depoimento ao Ministério Público Federal (MPF) de Marcos Valério Fernandes de Souza, o famigerado operador, primeiro, do Mensalão tucano, sistema de corrupção para financiar a reeleição de Eduardo Azeredo ao governo de Minas. E, depois, do Mensalão petista, em teoria para garantir o apoio de pequenos partidos da base aliada ao governo federal. Na ocasião, ele manifestou sua vontade de fazer uma delação premiada para tentar aliviar penas de alguns processos pelos quais ainda não havia sido julgado. Para dar uma ideia do que poderia informar, contou à subprocuradora-geral da República, Cláudia Sampaio Marques, e à procuradora regional da República, Raquel Branquinho P. M. Nascimento, que havia participado da negociação da qual resultou falso empréstimo de R$ 6 milhões ao empresário de viações de ônibus em Santo André, Ronan Maria Pinto, para livrar Lula e Zé Dirceu de chantagem referente à morte de Celso Daniel, ex-prefeito de Santo André e na ocasião responsável pelo programa de governo da campanha vitoriosa do petista à presidência da República.

O depoimento é todo muito grave, pois nele o mineiro delatou a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em várias reuniões para tratar de falcatruas que resultaram na Ação Penal (AP) 470, que se tornaria célebre pela denominação de Mensalão.  Nesse  depoimento, ao longo de três horas e meia (das 9h30 às 13  horas), Marcos Valério contou ter sido procurado por Silvio Pereira, tratado pelo depoente como “braço direito de Dirceu”, assim como Delúbio Soares era tido como “braço direito de Lula”. Em encontro na lanchonete do Sofitel, na Rua Sena Madureira, lugar muito frequentado por Dirceu e por quem fosse ao escritório dele, localizado ali perto, para tratar de qualquer negócio, Silvinho, como era conhecido o hierarca do Partido dos Trabalhadores na ocasião, lhe pediu para ajudar com empréstimos.

Para entendermos melhor o que foi narrado às procuradoras pelo réu do Mensalão, é melhor citar, ipsis litteris e sem correções de eventuais omissões ou equívocos de grafia, o conteúdo do “termo do depoimento”. Assim está registrado nos autos:

“Que, nessa ocasião, Sílvio Pereira informou que Gilberto Carvalho, Lula e José Dirceu estavam sendo chantageados por um empresário da área de transporte de ônibus, chamado Ronan Pinto, de Santo André; Que, o depoente usou a seguinte expressão para ficar fora dessa questão: “me inclua fora disso”; Que, Sílvio Pereira solicitou que ao menos fosse na reunião com Ronan Pinto, marcada no Hotel Mercure (hoje Hotel Puma), localizado na Avenida 23 de Maio em São Paulo; Que, nesse encontro Ronan Pinto chegou acompanhado de Breno Altman, que trabalhava para o José Dirceu e era do PT e posteriormente, Sílvio Pereira disse ao depoente, que Breno Altman era a pessoa utilizada para o PT para ser o contato com o empresário Ronan Pinto; Que, Ronan Pinto disse ao depoente e a Sílvio Pereira que pretendia comprar o jornal Diário do ABC que estava divulgando notícias que o vinculavam à morte do prefeito Celso Daniel; Que, indagado o depoente declarou que Sílvio Pereira não lhe informou o motivo da chantagem de Ronan Pinto em relação ao ex Presidente Lula, José Dirceu e Gilberto Carvalho e o depoente também não se interessou em saber porque não queria se envolver nesse assunto; Que,Ronan Pinto pediu R$6.000.000,00 para comprar o jornal Diário do  ABC: Que, após esse encontro Sílvio Pereira indagou ao depoente o que ele achava da situação e o depoente sugeriu que fosse localizada uma pessoa de extrema confiança do presidente para fazer esse empréstimo; Que, Sílvio Pereira informou que eles tinham outras empresas que atuavam, em outros segmentos, da mesma forma que a SMP&B na área de publicidade para o Governo; Que, o depoente insistiu que o assunto era delicado e seria melhor a localização de uma pessoa de confiança do presidente e deles; Que, posteriormente, Sílvio Pereira disse ao depoente que esse empréstimo de R$ 6.000.000,00 seria feito no Banco Chain por José Carlos Bulay, um dos maiores pecuaristas do Brasil, amigo de Lula, dono da empresa Constran (famosa  construtora): Que, o depoente ficou  sabendo  que  o  dinheiro  foi  transferido para Ronan que comprou os 50% do jornal e, posteriormente o restante”.

Nesse depoimento de setembro de 2012, Valério informou ao Ministério Público Federal que a construtora do banqueiro Carlos Eduardo Schahin comprou sondas de petróleo que foram alugadas pela Petrobras, “por intermédio de  seu diretor Guilherme Estrella, como uma forma de viabilizar o pagamento da dívida”. A denúncia já era gravíssima, mas não há notícia de que o MPF, a Polícia Federal ou qualquer outro órgão do governo que seja responsável por investigações criminais tenha dado início a alguma investigação sobre essas informações.

Na verdade, ninguém se interessou pela denúncia no Congresso, nos meios de comunicação ou em qualquer outro lugar, apesar de sua evidente gravidade. É que o padim Lula Romão Batista era o mais recente e venerado santo do Brasil e José Dirceu, o ex-herói do povo brasileiro, ainda fazia sucesso exibindo o punho direito para o alto, fingindo-se de chefe de rebelião contra a “zelite” branca “nacionar”. Enquanto Marcos Valério, condenado a mais de 40 anos de prisão, não passava de um malandro campainha, daqueles que se anunciam à porta das casas antes de assaltá-las.

Pobre Marcos Valério! Por conta das próprias estripulias, perdeu até, ora veja, o direito de ostentar a profissão. Sempre que era definido como publicitário, logo aparecia um colega de ofício para reclamar: não, ele não era digno de tal apodo de ofício. Era uma injustiça com os demais. Ele era o bandido perfeito, aquele que sabia demais, mas era um arquivo queimado em vida. Ninguém dava crédito ao que falava nem prestava atenção ao que ele podia ter a contar. Então, nenhum meio de comunicação fez estardalhaço sobre seu depoimento. Essa situação só mudou, e muito, quando começaram a ser publicadas as “delações premiadas seletivas”. Dois anos depois do depoimento tido como absurdo, porém, veio à cena um documento que o confirma: a contadora Meire Poza havia entregado à PF o papel que comprovava a  informação dele: sim, havia um documento legítimo referente ao “empréstimo” de R$ 6 milhões por Bumlai para calar a boca do empresário de Santo André que chantageava Lula e Dirceu.

Uma bomba! Pois sim. Esse pedaço de papel, de posse dos federais, é a prova óbvia de que nenhum desses escândalos de corrupção era isolado, mas todos eram um só: não era só o caso Celso Daniel que seria o objeto da chantagem evitada com o dinheiro. Nem o Mensalão, pelo qual Valério, Dirceu e outros foram condenados por corrupção pela instância máxima da Justiça, o Supremo Tribunal Federal (STF). Nem o tal Petrolão, devassado pela Operação Lava Jato. Não. Tudo isso é um escândalo só – junto e misturado, como se diz na gíria da malandragem de baixa extração.

Meire Poza é a testemunha comum a todos. Ela fez a contabilidade de Waldomiro de Oliveira, enrolado na CPI do Cachoeira, protagonista da pré-história dos escândalos do PT no governo federal, e envolvido na Lava Jato como o fabricante de notas que garantiam a pilhagem via empreiteiras, provocando o funcionamento do fluxo financeiro da gatunagem.

E, ainda mais importante, como contadora de Alberto Youssef, o doleirozinho chinfrim de Londrina que virou uma espécie de Arsène Lupin (o ladrão de casaca inventado por Maurice Leblanc) petralha, ela teve a  oportunidade  única  de  documentar um amplo repertório de delitos contra  a União, patrocinado  pelos dignitários maiorais dessa República populista.

Graças aos vazamentos seletivos execrados pela “zelite” dominante no “pudê”, nós, aqui na planície, ficamos sabendo disso tudo. Agora temos a oportunidade de tomar conhecimento de ainda muito mais. Após a publicação de Assassinato de reputações – um crime  de  Estado, o autor desse sucesso editorial, Romeu Tuma Junior, passou a atuar como uma espécie de ombudsman nacional do crime de colarinho branco.  Amigo de Tuma pai e, por consequência, do filho homônimo, este escrevinhador lhe deve o imenso favor de ter confirmado uma informação dada no livro anterior, nunca contestada nem pela Justiça nem na imprensa, de que Luiz Inácio Lula da Silva foi o informante do Dops, à época da ditadura conhecido como  Barba. Só assim pude entender por que o então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema (hoje do ABC) encontrou-se com um agente do Serviço Nacional de Informações (SNI) na garçonnière de Alexandre Von Baumgarten, de cuja morte o então chefe do serviço em Brasília, general Newton Cruz, foi acusado. Mas essa história, que narrei na abertura de meu livro O que sei de Lula (Topbooks, 2011), nada tem a ver com o que aqui nos interessa diretamente. E, de fato, não podemos perder o fio da meada. O certo é que Tuma Junior foi procurado pela contadora Meire Poza, e ela é a pièce de résistance deste livro, que é sequência do primeiro e resulta do relato de muitos cidadãos dispostos a não permitir que se enterrem informações importantes, como a das onze testemunhas mortas e sepultadas e que poderiam dar informações relevantes no inquérito sobre a morte de Celso Daniel, executado, por mais uma coincidência nesta história cheia delas, exatamente na jurisdição da Delegacia Seccional de Taboão da Serra, à época ocupada pelo autor deste livro.

Antes que se assuste com tal coincidência, o leitor deve saber desde já que esta é uma história para corações fortes e mentes capazes de entender os mistérios, encontros e desencontros da vida. Geraldo Alckmin, governador de São Paulo à época e hoje, retirou Tuma Junior da investigação, que em suas mãos avançava, para pôr em ação o Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP). Certa vez, indaguei-lhe por que o fez, e ele me garantiu que foi para evitar exploração política do caso, já que o delegado se candidataria a deputado. Minha avó Nanita diria que esta é a típica desculpa amarela de cego, que é feira ruim ou saco furado.

O  certo é que, desde então, a Polícia Civil paulista, chefiada pelos tucanos Geraldo Alckmin, Alberto Goldman e José Serra e pelo democrata Cláudio Lembo, e o PT no poder federal, passaram a defender a hipótese comodista de um crime banal, com a qual nunca comungaram nem o próprio Tuma Junior, nem a família do morto, nem o Ministério Público de São Paulo. Durante todos os anos – da execução até hoje –, eles têm apostado na hipótese de crime político, provocado por um momentoso escândalo de corrupção na prefeitura de Santo André. Quem conhece o caso, porém, fica com a impressão de que quanto mais se faz para abafá-lo, mais o fantasma da vítima reaparece no noticiário. Só para mantê-lo vivo. Como diria Chapolin Colorado, essa turma não contava com a astúcia do defunto. Pois então...

Se não for por insistência do executado nunca justiçado, terá o acaso sido sempre um forte aliado da verdade e da justiça. Senão, vejamos: a Operação Lava Jato resulta de uma série de coincidências incríveis. A operação, que pôs a República brasileira de pernas para o ar e de cabeça para baixo nos últimos dois anos, começou com a investigação de um esquema de lavagem de dinheiro num remoto posto de gasolina do Distrito Federal – daí sua denominação. O comando da força-tarefa passou a ser exercido em Curitiba, capital do  Paraná, porque no Estado nasceu, vivia e prosperou o doleiro Alberto Youssef. À frente de procuradores e agentes federais, está um juiz preparado para entender o complexo emaranhado de fios e fatos que têm a ver com lavagem de dinheiro, Sérgio Moro, desde que voltou à primeira instância, finda sua profícua assessoria à ministra Rosa Weber no Supremo Tribunal Federal durante o julgamento do tal do Mensalão.

Desde que passou a prestar atenção ao que se dispôs a lhe contar Meire Poza, Tuma Junior se deu conta de que havia muito mais a revelar do que se conhece pelo noticiário diário da devassa do maior escândalo de corrupção da história do Brasil, quiçá da humanidade. Este livro foi ao prelo no momento em que o propinoduto da Petrobras foi considerado pela Transparência Internacional o segundo maior caso de corrupção do mundo, perdendo o primeiro lugar para  Viktor Yanukovich, deposto da presidência da Ucrânia em fevereiro de 2014 depois de ter sido denunciado por protagonizar um cabeludo caso de corrupção. A ONG com sede em Berlim, na Alemanha, levou em conta apenas a Petrobras e nisso o subestimou, pois, como registrou em editorial o jornal O Estado de S. Paulo em 12 de fevereiro de 2016, “hoje se pode afirmar que a corrupção só não é encontrada onde não é procurada”. Isso não é má vontade do Partido da Imprensa Golpista (PIG), que, conforme petistas e seus asseclas e aliados, não aceita povo andando de avião (quando andava) e saindo da pobreza (à qual a maioria está voltando depois do tsunami de fiascos da quarta gestão consecutiva do PT no desgoverno da República). Os fatos reproduzem uma avalanche de denúncias e escândalos que não deixam o jornalão mentir.

Essa verdade saltará a seus olhos quando chegar à última página deste livro. Nas 140 horas de gravação com Meire Poza, que Tuma Junior aqui resumiu, o autor ouviu da contadora que, na mesma época em que Valério depôs em vão na PF, ela foi à sede dos federais na Lapa, em São Paulo, para contar o que sabia – praticamente tudo – do esquema de lavagem de dinheiro que, como contou aos agentes da lei, enriquecia não traficantes de drogas, mas maganões da República.  Nenhum  deles  lhe  deu  a  mínima atenção. Habituada à aritmética dos livros de contabilidade, Meire Poza calculou a exata soma  de quanto gastou do próprio bolso para denunciar os crimes dos clientes: R$ 23 mil, como ficará sabendo mais adiante.

A chance que teve, depois, de se colocar à disposição do grupo da PF e do Ministério Público Federal do Paraná lhe permitiu entregar o documento que põe fim à farsa dos vários escândalos isolados e os resume todos num só. Enivaldo Quadrado, personagem importante do Mensalão e sócio de Youssef, procurou-a para pedir que guardasse um documento valioso:
– Este documento vai me salvar do Lula – disse-lhe.

Munida do contrato do empréstimo de Schahin para Bumlai e deste para Ronan Maria Pinto, contado por Marcos Valério Fernandes de Souza, objeto do depoimento ao qual o MPF e a PF preguiçosos, a oposição cúmplice ou alienada e a imprensa amestrada e acomodada não deram a mínima atenção, ela o levou à força-tarefa da Lava Jato, em Curitiba. E assim permitiu que esta desvendasse o falso empréstimo do Banco Schahin ao pecuarista José Carlos Bumlai, que perambulava pelo Palácio do Planalto com salvo-conduto assinado pelo então presidente Lula. E deste a Ronan Maria Pinto, personagem do caso Celso Daniel e hoje proprietário do Diário do Grande ABC, jornal mais importante do ABC paulista, região onde Lula deu início a sua trajetória política e Celso Daniel se fez quadro importante do partido do qual o ex-dirigente sindical é o maior e mais popular prócer. Foi a ele que o operador do Mensalão se referiu no depoimento esquecido. Isso agora é história. Tudo está publicado e foi divulgado em noticiários do rádio e da televisão.

Mas este livro vai muito além disso. Nele Meire Poza mostra a Tuma Junior e a Claudio Tognolli – que escreveu com ele o texto desta obra, investigou e estava ao seu lado no depoimento de Meire – como foi ameaçada de morte pelo advogado Costa e Silva.

Mas, felizmente, está entrando viva na história do Brasil, desempenhando papel similar ao cumprido pelo contador de Al Capone. Assim como um dos maiores assassinos da História só foi preso pelos Intocáveis de Eliot Ness na Chicago da Lei Seca por crime fiscal, tão sofisticado era o planejamento dos crimes de morte pelo chefão da Máfia siciliana nos Estados Unidos, a minuciosa documentação da contadora  detalhista permite aos investigadores darem cabo de uma devassa gigantesca e traz no depoimento ao autor de Assassinato de Reputações II – muito além da Lava Jato uma oportunidade decisiva e documentada de desmascarar a farsa montada pelos gatunos, travestidos de comissários do povo, de que tudo não passa de uma conspiração absurda e inviável contra socialistas bem-intencionados.

Neste longo depoimento, que transita entre manual de história, tratado de ciência política de uma República que nem Maquiavel foi capaz de prever e romance policial que poderia inspirar um clássico do cinema noir, são narrados episódios fantásticos e extraordinários com enorme contribuição de um oculto roteirista surrealista, o acaso. O leitor desta saga impressionante vai ficar sabendo que a morte de Márcio Thomaz Bastos pode ter sido um elemento capital para o sucesso de público da Lava Jato hoje. Pois lhe ocorreu na longa narrativa a lembrança de que a Operação Castelo de Areia, um tiro n’água, seria um capítulo a mais no Petrolão (até com alguns réus repetidos) se não fosse a ação solerte e competente do criminalista-mor e ex-ministro da Justiça de Lula. Se nem a ficção consegue imitar a vida real, um poeta, sempre profeta, resumiu tudo no verso mais famoso da literatura mundial no século 20: “un coup des dés jamais n’ abolira le hasard” – escreveu o francês Stéphane Mallarmé. É isso mesmo, mestre: “um lance de dados jamais abolirá o caso”.

A tentação de continuar este prefácio é enorme, mas é preciso dar-lhe ponto final, para que você enverede pelo mundo  da realidade político-criminal brasileira, cujo nexo não é a redenção do povo, mas seu surrado dinheirinho, que com a miséria da maioria enriquece minorias de espertalhões sem caráter nem moral. Esta é muito mais sórdida e surrealista do que qualquer ficção policial jamais chegaria a ser.

José Nêumanne
[Jornalista, poeta, escritor e comentarista de TV]

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