domingo, 19 de agosto de 2018

86º ANIVERSÁRIO DA SEGUNDA BATALHA DE BURY (15 E 16 DE AGOSTO DE 1932)


  86 a. da SEGUNDA BATALHA DE BURY. Acontece em 15 e 16 de agosto a chamada segunda batalha de BURY, operação culminante das operações comandadas por BASILIO TABORDA. Diz ALVES BASTOS que “os meios postos em ação e o caráter acentuadamente clássico de que (o combate) se revestiu, poderiam mesmo indicá-lo como um caso concreto digno de estudo”. “O emprego combinado das diferentes armas combatentes aí pode ser apreciado fielmente” de acordo com os regulamentos então vigentes no Exército. A nossa aviação “estava em período de sua máxima eficiência”. Os adversários eram cerca de dez mil homens. Ao clarear o dia começava o bombardeio, pelas oito baterias, que vomitaram centenas de projéteis até que, pelas 14 horas, “sucessivos batalhões transpuseram as pontes de BURY e infletindo para sul e este procuravam recalcar nosso flanco esquerdo cuja resistência desconheciam. Por toda a frente se generaliza a luta”. O CAPITÃO DJALMA PINHEIRO e o TENENTE OTAVIO DE MENEZES PÓVOA, junto ao CORONEL KLINGELHOEFER fazem-se esteios de nossa resistência”. A infantaria adversária investe contra o 6º B.C.R. e a COMPANHIA ERNANI DE BORBA GATO, recorrendo mesmo a arma branca, ao que os nossos revidam a baioneta. Mas, ao fim da jornada, nossa linha estava rota, desarticulado o dispositivo KLINGELHOEFER. Chegam reforços do 9 de Julho, sob o comando do MAJOR TENÓRIO DE BRITO, batalhão que passava a arcar com a maior responsabilidade. Debaixo de uma chuva de granadas, os bravos voluntários chegados de APIAÍ entrincheiram-se nas posições que o 6º B.C.R. fora obrigado a abandonar. A fuzilaria é forte – narra HONÓRIO DE SYLOS – A artilharia não nos dá tréguas. “Vão a braço lá para cima, comida, metralhadora e munição! (...) O intendente DURVAL AMORIM dá provas de sua energia férrea, de seu sangue-frio admirável.” Médicos como o 1º TENENTE Dr JOAQUIM GOMES DOS REIS JÚNIOR e os Aspirantes Drs ANTONIO PINHEIRO e ARISTIDES PERES corajosamente levam comida e munição aos atiradores. O Dr ARIOVALDO DE CARVALHO socorre os feridos. A colocação da metralhadora pesada trazida a braço dá lugar a gestos de inaudita coragem, praticados pelo MAJOR TENÓRIO, e por seus subordinados, entre os quais HONÓRIO DE SYLOS cita o TENENTE DURVAL AMORIM, o SARGENTO MAYER, os CABOS GETÚLIO GIMILI e CLÉO FERREIRA e os SOLDADOS VITOR ATOLIN e ESMERADILNO SERPA. A metralhadora “varre” furiosamente todo o cima da colina por onde vinha descendo a onda de soldados da Ditadura. Estava defendida a nossa posição, que deveríamos manter a todo custo”. O próprio HONÓRIO DE SYLOS acompanha o MAJOR TENÓRIO em arriscada inspeção. A metralhadora funciona novamente – e o inimigo recua em desordem, quando a noite do dia 16 de agosto vem descendo. Mas no dia seguinte, forçoso foi o retraimento de todo o dispositivo. O BATALHÃO TIETÊ, que tinha 56 soldados na 2ª Companhia, perdeu doze homens nesse combate. Entre eles o SARGENTO VILHENA e o enfermeiro ESCOBAR. O trem-blindado é desativado e suas metralhadoras pesadas passam a reforçar o centro. Não há mais nada a fazer – diz KLINGELHOEFER - nem mais um homem, nem mais um cartucho” É preciso recuar.
Tópico do relatório do CAPITÃO HELIODORO TENÓRIO DA ROCHA MARQUES, então comandante do 14 de Julho: “As forças constitucionalistas do SETOR SUL lavraram nos dias 15 e 16 de agosto uma página de bravura e civismo. A maneira brilhante com que suportaram a preparação da artilharia inimiga, que durou das 6 até às 16 horas de 15, o denodo com que se mantiveram nas trincheiras para deter as vagas sucessivas de assalto que eram precedidas de poderoso fogo de acompanhamento, diz bem alto do valor do soldado paulista e da Justiça pela qual se bate”.
De ARACAÇÚ a PINHAL, o ponto nevrálgico era a estrada BURY – CAPÃO BONITO, onde permanecia o BATALHÃO ARLINDO. Do dia 17 ao dia 20, escaramuças. O Destacamento é reforçado pelo BATALHÃO PIRASSUNUNGA e por duas companhias da LEGIÃO NEGRA, unidades ainda inexperientes. A 20,21 e 22 é um martelar constante de artilharia e da aviação. A 23 já a infantaria adversária, sob a proteção de bombardeios, procura progredir, mas nossos elementos não cedem palmo de terreno. E os moços do batalhão 14 de Julho lutavam denodadamente, manejando não somente armas de guerra, mas também a picareta e a pá, “com a mesma ligeireza e disposição do nosso peão rude do campo”. Pouco depois atingido por um estilhaço de granada, perecia o ginasiano RUBENS FRAGA DE TOLEDO ARRUDA.     

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