86 a. da SEGUNDA BATALHA
DE BURY. Acontece em 15 e 16 de agosto a chamada segunda batalha de BURY,
operação culminante das operações comandadas por BASILIO TABORDA. Diz ALVES
BASTOS que “os meios postos em ação e o caráter acentuadamente clássico de que
(o combate) se revestiu, poderiam mesmo indicá-lo como um caso concreto digno
de estudo”. “O emprego combinado das diferentes armas combatentes aí pode ser
apreciado fielmente” de acordo com os regulamentos então vigentes no Exército.
A nossa aviação “estava em período de sua máxima eficiência”. Os adversários
eram cerca de dez mil homens. Ao clarear o dia começava o bombardeio, pelas
oito baterias, que vomitaram centenas de projéteis até que, pelas 14 horas,
“sucessivos batalhões transpuseram as pontes de BURY e infletindo para sul e
este procuravam recalcar nosso flanco esquerdo cuja resistência desconheciam.
Por toda a frente se generaliza a luta”. O CAPITÃO DJALMA PINHEIRO e o TENENTE
OTAVIO DE MENEZES PÓVOA, junto ao CORONEL KLINGELHOEFER fazem-se esteios de
nossa resistência”. A infantaria adversária investe contra o 6º B.C.R. e a
COMPANHIA ERNANI DE BORBA GATO, recorrendo mesmo a arma branca, ao que os
nossos revidam a baioneta. Mas, ao fim da jornada, nossa linha estava rota,
desarticulado o dispositivo KLINGELHOEFER. Chegam reforços do 9 de Julho, sob o
comando do MAJOR TENÓRIO DE BRITO, batalhão que passava a arcar com a maior
responsabilidade. Debaixo de uma chuva de granadas, os bravos voluntários
chegados de APIAÍ entrincheiram-se nas posições que o 6º B.C.R. fora obrigado a
abandonar. A fuzilaria é forte – narra HONÓRIO DE SYLOS – A artilharia não nos
dá tréguas. “Vão a braço lá para cima, comida, metralhadora e munição! (...) O
intendente DURVAL AMORIM dá provas de sua energia férrea, de seu sangue-frio
admirável.” Médicos como o 1º TENENTE Dr JOAQUIM GOMES DOS REIS JÚNIOR e os
Aspirantes Drs ANTONIO PINHEIRO e ARISTIDES PERES corajosamente levam comida e
munição aos atiradores. O Dr ARIOVALDO DE CARVALHO socorre os feridos. A
colocação da metralhadora pesada trazida a braço dá lugar a gestos de inaudita
coragem, praticados pelo MAJOR TENÓRIO, e por seus subordinados, entre os quais
HONÓRIO DE SYLOS cita o TENENTE DURVAL AMORIM, o SARGENTO MAYER, os CABOS GETÚLIO
GIMILI e CLÉO FERREIRA e os SOLDADOS VITOR ATOLIN e ESMERADILNO SERPA. A
metralhadora “varre” furiosamente todo o cima da colina por onde vinha descendo
a onda de soldados da Ditadura. Estava defendida a nossa posição, que
deveríamos manter a todo custo”. O próprio HONÓRIO DE SYLOS acompanha o MAJOR
TENÓRIO em arriscada inspeção. A metralhadora funciona novamente – e o inimigo
recua em desordem, quando a noite do dia 16 de agosto vem descendo. Mas no dia
seguinte, forçoso foi o retraimento de todo o dispositivo. O BATALHÃO TIETÊ,
que tinha 56 soldados na 2ª Companhia, perdeu doze homens nesse combate. Entre
eles o SARGENTO VILHENA e o enfermeiro ESCOBAR. O trem-blindado é desativado e
suas metralhadoras pesadas passam a reforçar o centro. Não há mais nada a fazer
– diz KLINGELHOEFER - nem mais um homem, nem mais um cartucho” É preciso
recuar.
Tópico do relatório do CAPITÃO HELIODORO
TENÓRIO DA ROCHA MARQUES, então comandante do 14 de Julho: “As forças
constitucionalistas do SETOR SUL lavraram nos dias 15 e 16 de agosto uma página
de bravura e civismo. A maneira brilhante com que suportaram a preparação da
artilharia inimiga, que durou das 6 até às 16 horas de 15, o denodo com que se
mantiveram nas trincheiras para deter as vagas sucessivas de assalto que eram
precedidas de poderoso fogo de acompanhamento, diz bem alto do valor do soldado
paulista e da Justiça pela qual se bate”.
De ARACAÇÚ a PINHAL, o ponto nevrálgico
era a estrada BURY – CAPÃO BONITO, onde permanecia o BATALHÃO ARLINDO. Do dia
17 ao dia 20, escaramuças. O Destacamento é reforçado pelo BATALHÃO
PIRASSUNUNGA e por duas companhias da LEGIÃO NEGRA, unidades ainda
inexperientes. A 20,21 e 22 é um martelar constante de artilharia e da aviação.
A 23 já a infantaria adversária, sob a proteção de bombardeios, procura
progredir, mas nossos elementos não cedem palmo de terreno. E os moços do
batalhão 14 de Julho lutavam denodadamente, manejando não somente armas de
guerra, mas também a picareta e a pá, “com a mesma ligeireza e disposição do
nosso peão rude do campo”. Pouco depois atingido por um estilhaço de granada,
perecia o ginasiano RUBENS FRAGA DE TOLEDO ARRUDA.
Nenhum comentário:
Postar um comentário