107 a. nasce NELSON
CAVAQUINHO em 28 de outubro de 1911. Até o fim de sua vida, no dia 18 de
fevereiro de 1986, ele se lembrava com carinho de SÉRGIO PORTO. Foi o
jornalista que, nos momentos de dificuldades financeiras do sambista, quando
teve até de vender a autoria de alguns de seus temas, quem ajudou o compositor
mangueirense a comprar, por exemplo, os móveis de sua casa. Figura de extrema
simplicidade, mesmo nos tempos mais prósperos, estourando com suas composições
– principalmente nas vozes de grandes intérpretes como ELIS REGINA, BETH
CARVALHO e CLARA NUNES – NELSON saía das noites de sucesso no TEATRO OPINIÃO,
no RIO, com os bolsos forrados do cachê. Virava as madrugadas nos botequins e
não negava um prato de comida ou uma birita a quem quer que fosse, voltando
para casa sem um tostão. Daí a alcunha de SÃO FRANCISCO DO SAMBA. Entre tantos
apelidos recebidos por NELSON, talvez o mais coerente tenha sido o dado por
CARLINHOS VERGUEIRO, que batizou o amigo de GARRINCHA DO SAMBA. O compositor,
violonista e cantor é o responsável por uma da série de homenagens que são
prestadas aos 100 anos de NELSON, com o disco CARLINHOS VERGUEIRO INTERPRETA NELSON
CAVAQUINHO, que é lançado em 2011. “Ele e o GARRINCHA eram dois gênios bem
loucos, puros. Depois, eu ainda fui descobrir que os dois nasceram no mesmo dia
(em anos diferentes: NELSON é de 1911; GARRINCHA, de 1933). Acho que é uma
comparação cirúrgica”, conta CARLINHOS. Poucas pessoas entendem tanto do
assunto quanto ele, que desfrutou do convívio estreito com NELSON. Em 1984,
produziu o álbum FLORES EM VIDA, reunindo diversos intérpretes para cantarem os
temas do compositor da MANGUEIRA, pelo selo ELDORADO. No ano seguinte,
participou do documentário NELSON DE COPO E ALMA, dirigido pelo cineasta RUY
SOLBERG. No disco novo, CARLINHOS reuniu gente que teve ligação com NELSON,
convidando, por exemplo, o amigo CHICO BUARQUE para cantar NOME SAGRADO. CRISTINA
BUARQUE, que também havia produzido o LP de 1984, interpreta BEIJA-FLOR. Além
de WILSON DAS NEVES, com FOLHAS SECAS, e MARCELINHO MOREIRA, com shows em
CURITIBA e em SÃO PAULO (dia 22 de outubro de 2011, no TOM JAZZ). Os tributos
ao centenário de NELSON, em 2011, não se resumem ao trabalho de CARLINHOS
VERGUEIRO. No dia 25 de outubro de 2011, no auditório do Instituto MOREIRA
SALLES, no RIO, houve uma mesa-redonda com a presença do jornalista e escritor
SÉRGIO CABRAL, de JOSÉ NOVAES, autor do livro NELSON CAVAQUINHO: LUTO E
MELANCOLIA NA MPB, e do jornalista JOÃO PIMENTEL, com mediação da presidente do
Museu da Imagem e do Som, do RIO, ROSA ARAÚJO. O mesmo IMS recebe em 27 de
outubro de 2011, às 20horas, show com MOACYR LUZ e GABRIEL CAVALCANTE em homenagem
ao sambista. Em SÃO PAULO, os tributos ao compositor ficaram marcados para
novembro de 2011. Do dia 3 ao dia 6 de novembro, o Centro Cultural de SÃO PAULO
apresenta o espetáculo UMA FLOR PARA NELSON, com a apresentação de nomes como
BENITO DE PAULA e MARCOS SACRAMENTO (dia 3), ANGELA RO RO e CIDA MOREIRA (dia
4), ZEZÉ MOTTA e FILIPE CATTO (dia 5) e TERESA CRISTINA, GRAÇA BRAGA e VERÔNICA
FERRIANI (dia 6). Ainda em novembro, de 25 a 27, o SESC POMPEIA recebe o show
FELIZ DAQUELE QUE SABE SOFRER, lembrando o centenário de NELSON e outro gigante
do samba, ASSIS VALENTE. No palco, interpretações de NÁ OZZETTI, ARRIGO BARBABÉ
e RENATO BRAZ. No dia 27 de outubro de 2011, também no RIO, no Museu da
República, em cerimônia que contou com a presença de NELSON LUIZ DA SILVA,
único filho vivo do sambista, DONA NENA, viúva de GUILHERME DE BRITO, parceiro
mais constante de NELSON, BETH CARVALHO, PAULO CÉSAR PINHEIRO, PAULÃO SETE
CORDAS, NEI LOPES, NELSON SARGENTO, HAROLDO COSTA e MILTON GONÇALVES. “Meu pai
fez aquele samba lindo, que dizia “depois que o tempo passar, sei que ninguém
vai se lembrar que eu fui embora”. Ele está sendo lembrado, é bonito de ver. Em
novembro, até já me mandaram passagem para outra homenagem em PERNAMBUCO, ate a
DILMA deve ir”, conta NELSON LUIZ DA SILVA. A solenidade no MUSEU DA REPÚBLICA
também teve dois outros lançamentos importantes à obra do sambista, ambos
capitaneados por AFONSO MACHADO. O compositor, arranjador, bandolinista e
pesquisador lançou o livro NELSON CAVAQUINHO – VIOLÃO CARIOCA e um disco
gravado por seu conjunto, o GALO PRETO. A idéia de escrever o livro surgiu em
2000, quando AFONSO começou a fazer uma pesquisa para registrar a obra de
NELSON em partituras. Para isso, entrevistou amigos e parceiros do sambista,
garimpando histórias – muitas delas pitorescas, marcantes na vida de NELSON.
Sobre o disco, o repertório incluiu alguns temas mais obscuros e que se
encaixam bem para arranjos instrumentais do brilhante GALO PRETO. Em 2011,
NELSON já havia sido homenageado em diversos momentos. No carnaval, a MANGUEIRA
prestou seu tributo. Outras lembranças também foram feitas, como os discos da
EMI e da LUA MUSIC, além do show feito por ADRIANA MOREIRA, KARINA NINNI, ILANA
VOLCOV e KARINE TELLES, com EDUARDO GUDIN, que conviveu com NELSON e, ao lado
dele e ROBERTO RIBERTI, compôs EUFORIA. “O NELSON era um cara simples. A gente
não imaginava que dali pudessem sair músicas com tanta categoria, que podiam
ser feitas por TOM JOBIM. Era muito original nas letras e nas melodias, muito sofisticadas.
Ele vem de uma linhagem de gente que usa o choro no samba, como ELTON MEDEIROS,
CARTOLA, ZÉ KETTI e PAULINHO DA VIOLA”, disse GUDIN.
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