domingo, 28 de outubro de 2018

NELSON CAVAQUINHO - História de um Valente

107 a. nasce NELSON CAVAQUINHO em 28 de outubro de 1911. Até o fim de sua vida, no dia 18 de fevereiro de 1986, ele se lembrava com carinho de SÉRGIO PORTO. Foi o jornalista que, nos momentos de dificuldades financeiras do sambista, quando teve até de vender a autoria de alguns de seus temas, quem ajudou o compositor mangueirense a comprar, por exemplo, os móveis de sua casa. Figura de extrema simplicidade, mesmo nos tempos mais prósperos, estourando com suas composições – principalmente nas vozes de grandes intérpretes como ELIS REGINA, BETH CARVALHO e CLARA NUNES – NELSON saía das noites de sucesso no TEATRO OPINIÃO, no RIO, com os bolsos forrados do cachê. Virava as madrugadas nos botequins e não negava um prato de comida ou uma birita a quem quer que fosse, voltando para casa sem um tostão. Daí a alcunha de SÃO FRANCISCO DO SAMBA. Entre tantos apelidos recebidos por NELSON, talvez o mais coerente tenha sido o dado por CARLINHOS VERGUEIRO, que batizou o amigo de GARRINCHA DO SAMBA. O compositor, violonista e cantor é o responsável por uma da série de homenagens que são prestadas aos 100 anos de NELSON, com o disco CARLINHOS VERGUEIRO INTERPRETA NELSON CAVAQUINHO, que é lançado em 2011. “Ele e o GARRINCHA eram dois gênios bem loucos, puros. Depois, eu ainda fui descobrir que os dois nasceram no mesmo dia (em anos diferentes: NELSON é de 1911; GARRINCHA, de 1933). Acho que é uma comparação cirúrgica”, conta CARLINHOS. Poucas pessoas entendem tanto do assunto quanto ele, que desfrutou do convívio estreito com NELSON. Em 1984, produziu o álbum FLORES EM VIDA, reunindo diversos intérpretes para cantarem os temas do compositor da MANGUEIRA, pelo selo ELDORADO. No ano seguinte, participou do documentário NELSON DE COPO E ALMA, dirigido pelo cineasta RUY SOLBERG. No disco novo, CARLINHOS reuniu gente que teve ligação com NELSON, convidando, por exemplo, o amigo CHICO BUARQUE para cantar NOME SAGRADO. CRISTINA BUARQUE, que também havia produzido o LP de 1984, interpreta BEIJA-FLOR. Além de WILSON DAS NEVES, com FOLHAS SECAS, e MARCELINHO MOREIRA, com shows em CURITIBA e em SÃO PAULO (dia 22 de outubro de 2011, no TOM JAZZ). Os tributos ao centenário de NELSON, em 2011, não se resumem ao trabalho de CARLINHOS VERGUEIRO. No dia 25 de outubro de 2011, no auditório do Instituto MOREIRA SALLES, no RIO, houve uma mesa-redonda com a presença do jornalista e escritor SÉRGIO CABRAL, de JOSÉ NOVAES, autor do livro NELSON CAVAQUINHO: LUTO E MELANCOLIA NA MPB, e do jornalista JOÃO PIMENTEL, com mediação da presidente do Museu da Imagem e do Som, do RIO, ROSA ARAÚJO. O mesmo IMS recebe em 27 de outubro de 2011, às 20horas, show com MOACYR LUZ e GABRIEL CAVALCANTE em homenagem ao sambista. Em SÃO PAULO, os tributos ao compositor ficaram marcados para novembro de 2011. Do dia 3 ao dia 6 de novembro, o Centro Cultural de SÃO PAULO apresenta o espetáculo UMA FLOR PARA NELSON, com a apresentação de nomes como BENITO DE PAULA e MARCOS SACRAMENTO (dia 3), ANGELA RO RO e CIDA MOREIRA (dia 4), ZEZÉ MOTTA e FILIPE CATTO (dia 5) e TERESA CRISTINA, GRAÇA BRAGA e VERÔNICA FERRIANI (dia 6). Ainda em novembro, de 25 a 27, o SESC POMPEIA recebe o show FELIZ DAQUELE QUE SABE SOFRER, lembrando o centenário de NELSON e outro gigante do samba, ASSIS VALENTE. No palco, interpretações de NÁ OZZETTI, ARRIGO BARBABÉ e RENATO BRAZ. No dia 27 de outubro de 2011, também no RIO, no Museu da República, em cerimônia que contou com a presença de NELSON LUIZ DA SILVA, único filho vivo do sambista, DONA NENA, viúva de GUILHERME DE BRITO, parceiro mais constante de NELSON, BETH CARVALHO, PAULO CÉSAR PINHEIRO, PAULÃO SETE CORDAS, NEI LOPES, NELSON SARGENTO, HAROLDO COSTA e MILTON GONÇALVES. “Meu pai fez aquele samba lindo, que dizia “depois que o tempo passar, sei que ninguém vai se lembrar que eu fui embora”. Ele está sendo lembrado, é bonito de ver. Em novembro, até já me mandaram passagem para outra homenagem em PERNAMBUCO, ate a DILMA deve ir”, conta NELSON LUIZ DA SILVA. A solenidade no MUSEU DA REPÚBLICA também teve dois outros lançamentos importantes à obra do sambista, ambos capitaneados por AFONSO MACHADO. O compositor, arranjador, bandolinista e pesquisador lançou o livro NELSON CAVAQUINHO – VIOLÃO CARIOCA e um disco gravado por seu conjunto, o GALO PRETO. A idéia de escrever o livro surgiu em 2000, quando AFONSO começou a fazer uma pesquisa para registrar a obra de NELSON em partituras. Para isso, entrevistou amigos e parceiros do sambista, garimpando histórias – muitas delas pitorescas, marcantes na vida de NELSON. Sobre o disco, o repertório incluiu alguns temas mais obscuros e que se encaixam bem para arranjos instrumentais do brilhante GALO PRETO. Em 2011, NELSON já havia sido homenageado em diversos momentos. No carnaval, a MANGUEIRA prestou seu tributo. Outras lembranças também foram feitas, como os discos da EMI e da LUA MUSIC, além do show feito por ADRIANA MOREIRA, KARINA NINNI, ILANA VOLCOV e KARINE TELLES, com EDUARDO GUDIN, que conviveu com NELSON e, ao lado dele e ROBERTO RIBERTI, compôs EUFORIA. “O NELSON era um cara simples. A gente não imaginava que dali pudessem sair músicas com tanta categoria, que podiam ser feitas por TOM JOBIM. Era muito original nas letras e nas melodias, muito sofisticadas. Ele vem de uma linhagem de gente que usa o choro no samba, como ELTON MEDEIROS, CARTOLA, ZÉ KETTI e PAULINHO DA VIOLA”, disse GUDIN.        

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