
DIA DE
SÃO PAULO APÓSTOLO. Nasceu na CILÍCIA, por volta do ano 10 da era cristã. Além
de ser judeu, era cidadão romano. É conhecido por suas quatorze cartas, lidas
freqüentemente nas celebrações eucarísticas, na Liturgia da Palavra.
Hoje é comemorada a conversão de SÃO PAULO, que ocorreu seis anos após ascensão
de CRISTO. Antes de se converter, PAULO era um perseguidor dos cristãos.
Plinio Maria Solimeo
De nenhum dos grandes santos penitentes a Igreja celebra
a conversão como a de São Paulo. E uma das razões é a excelência de toda s as
virtudes que Nosso Senhor comunicou-lhe.
Um dos maiores
santos do firmamento católico,São Paulo…
Nos diz que era judeu, nascido na “ilustre” Tarso, na
Cilícia, Ásia (At 21, 39), de pai cidadão romano (At 22, 26-28), de uma família
na qual a pureza de consciência era hereditária (II Tim, 1, 3), muito apegada
às tradições e observâncias dos fariseus
(Fil. 3, 5-6).
Como pertencia à tribo de Benjamim, foi-lhe dado o nome
de Saul (Saulo), muito comum nessa tribo em memória do primeiro rei dos judeus.
Como todo judeu respeitável tinha que ensinar a seu filho
uma profissão, o jovem Saulo aprendeu a tecer os fios dos quais eram feitas as
tendas e a confeccioná-las, o que lhe seria de muita utilidade no futuro. Ainda
muito jovem foi enviado a Jerusalém
para receber educação na escola de Gamaliel.
Ao contrário do que muitos imaginam, o grande São Paulo
era de pequena estatura, calvo, de fraca voz e má saúde. Por isso, não
impressionava à primeira vista.
Entretanto, a alma
que movia esse corpo frágil era toda de fogo, e praticamente não encontra
paralelo não só nos primeiros tempos do Cristianismo, mas em toda sua história.
De perseguidor a
Apóstolo de Cristo
Formado na tradição dos fariseus, que exageravam o
cumprimento das exterioridades da lei, seu fanatismo ardente, que nada podia
moderar, iria se chocar contra o Cristianismo nascente.
A doutrina deste,
dotada de força e vida, ameaçava tudo conquistar para Cristo, o que preocupava
muito a Saulo.
Diante dessa marcha conquistadora, ele não hesitava em
opor-se com todas suas forças e até pela violência, conforme narram os Atos dos
Apóstolos (9, 1-2):
“Respirando ameaças e morte contra os discípulos do
Senhor, apresentou-se ao sumo sacerdote e pediu-lhe cartas para as sinagogas de
Damasco, com o fim de levar presos a Jerusalém quantos achasse desta doutrina,
homens e mulheres”.
A isso comenta São João Crisóstomo:
“Que males não havia feito? Havia enchido de sangue
Jerusalém, matado os fiéis, afligido a Igreja, perseguido os Apóstolos, apedrejado
Estêvão,
e não perdoando a homem nem mulher, porque não se contentava com levá-los aos
tribunais e acusá-los ante os juízes, senão que os buscava em suas casas,
tirando-os delas; e, como uma fera, os arrebatava”.
“Saulo, Saulo, por
que me persegues?”
Entretanto, no caminho de Damasco o Senhor o esperava. “Saulo, Saulo, por que me
persegues?”. Ele caiu do cavalo diante da fulgurante
luz.
“Coisa maravilhosa é considerar que, tendo sido toda a
vida de Cristo, nosso Redentor, semeada de trabalhos, perseguições e penas, e
sua sagrada paixão cheia de tantas e tão inexprimíveis afrontas e tormentos,
nunca o Senhor se queixou nem abriu a boca para dizer: ‘Por que me persegues?’…
E agora, com voz portentosa e sonora, diz a Saulo: ‘Por
que me persegues?’. Como podia Saulo perseguir a Vós, Senhor, sendo ele um
pouco de pó, e vós o Rei da glória, estando ele na Terra e vós no Céu?
Mas, porque Saulo
perseguia os membros de Cristo, nossa cabeça, Ele tomava por próprias as
injúrias que contra seus membros se faziam”.
“Senhor, que quereis que eu faça?” Era a coerência falando. Se
Aquele que lhe aparecia era o próprio
Cristo, Filho de Deus, Saulo deveria, em vez de perseguir seus
discípulos, entregar-se inteiramente e de vez a seu serviço.
Os teólogos
asseguram que uma conversão é obra mais maravilhosa que a ressurreição dos
mortos.
Assim, a conversão de São Paulo constituiu fato maior e
mais notável que a ressurreição de Lázaro, encerrado havia quatro dias no
sepulcro, e já cheirando mal.
Para Santo Agostinho, se a ressurreição de um morto e a
conversão de um pecador são obras de igual poder, a conversão é obra de maior misericórdia. Se
isso se pode dizer de qualquer conversão, mais se pode dizer da de São Paulo.
“Com efeito, se todas as outras são milagrosas, estando
elevadas acima da ordem da natureza, esta o é na mesma ordem da graça, sendo
como um milagre estabelecido sobre outros milagres. O que parecerá evidente,
tanto se se consideram os efeitos que produziu, quanto os grandes frutos que a
Igreja dela tirou”
Realmente, vemos nessa conversão uma circunstância inteiramente
milagrosa, pois é milagre na ordem da graça que uma alma tão
carregada de pecados, e com disposições totalmente contrárias a
ela, se converta assim inopinadamente, sem ter sido preparada antes por atos
opostos a esses maus hábitos e a essas disposições perniciosas.
A conversão de São
Paulo foi também um “prodigioso acontecimento, de
incalculável importância, sem o qual todo o futuro do Cristianismo teria mudado
de feição. [...]
A transformação foi nele radical e completa. O que havia
odiado, passa, da noite para o dia, a adorar; e a causa que combateu com toda a
violência vai, igualmente com toda a violência, servi-la de futuro. Num
segundo, e na pista do deserto, Deus vencera o adversário e o ligara a Si, para
todo o sempre”)
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