53 a. do roubo de
MEIO MILHÃO DE CRUZEIROS, em 27 de janeiro de 1965. Às 13:45 horas, no LARGO
SÃO FRANCISCO, o trânsito se complicou. Na RUA LÍBERO BADARÓ um carro escuro
fechou a kombi do BANCO MOREIRA SALLES. Três homens de bigode e armados,
renderam os cinco funcionários que levavam o malote para o BANCO DO BRASIL.
ORLANDO SIMONE, de 40 anos, que seguia no banco traseiro da perua, escapou e se
escondeu na igreja SÃO FRANCISCO. ANTÔNIO ALVES FEITOSA, de 47 anos, que
substituía o motorista dispensado do serviço, foi obrigado a passar para os
fundos da kombi. Outros dois funcionários –JOÃO DOS REIS e HUMBERTO ZUMELLO- já
estavam amordaçados. Mas JOSÉ PEPE, o quinto bancário, resistia à investida dos
ladrões. Levou dois tiros e morreu na rua. Era pai de três filhos. Para os
criminosos deu tudo certo. A kombi e o carro escuro sumiram pelas ruas
desobstruídas. Não houve perseguição: a polícia não foi avisada. Os ladrões
levavam dois galões de gasolina para incendiar a perua caso algum policial
viesse ao encalço. O crime mobilizou toda a polícia paulista. Nunca a
Secretaria de Segurança Pública, na época comandada por CANTÍDIO SAMPAIO, havia
gasto tanto dinheiro para elucidar o caso. Apesar do banco MOREIRA SALLES ter
coberto parte das despesas, a polícia gastou em um mês a verba prevista para o
primeiro trimestre. O delegado CORIOLANO NOGUEIRA COBRA era o responsável pelas
investigações. Já no primeiro dia, disse que os ladrões eram estrangeiros.
Baseava no depoimento de um dos bancários que estava na perua: o motorista
ANTÔNIO ALVES FEITOSA observou que um dos criminosos tinha um “sotaque
germânico”. Depois de prender dezenas de suspeitos, CORIOLANO decidiu dar sua
última cartada. Um fusca, com placas do RIO DE JANEIRO, havia sido guinchado na
hora do crime. Estava estacionado em lugar proibido e tinha ajudado a
congestionar o trânsito que ajudou na ação. Era o fusca de MICHEL BASILI
NOCOLAIDIS. O grego não reclamou do guinchamento. Retirou o carro do pátio do
DST dias depois e pagou a multa. A atitude era estranha. Investigadores foram
ao RIO e passaram a procurar MICHEL sob o argumento que era por causa de um
cheque sem fundo. MICHEL foi abordado e convidado a entrar no carro dos
investigadores. Na VIA DUTRA, perto do km 300, MICHEL confessou: “Vocês pegaram
a pessoa errada ! Eu sou criminoso. E roubei o BANCO MOREIRA SALLES”. Era 27 de
fevereiro. Com informações de MICHEL, a polícia prendeu EVANGELUS DIMITRIUS
FLENGAS, de 24 anos, e GEORGES ANDREAS TSANTILLAS, de 29 anos, dois dias
depois, numa oficina da rua MARAMBAIA. No galpão estava quase todo o dinheiro
roubado: 465 milhões de cruzeiros guardados em barris. GARIFALOUS NICOLAS
KRASSAS e GERASIMOS ANDREAS TSOLIAS foram presos no final daquela semana.
Pretendiam fugir para o URUGUAI. Todos confessaram o crime. E GARIFALOUS
assumiu o assassinato de JOSÉ PEPE.
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