EXTRAÍDO DAS MEMÓRIAS DO VENTURA
1934 a. da erupção do VESÚVIO, em 24 de
agosto de 79 d.C. De repente, ouve-se uma explosão. Espanto! Num instante,
todos os habitantes de POMPÉIA estão na rua. Espetáculo alucinante, o topo do
VESÚVIO havia se partido em
dois. Uma coluna de fogo escapa dali. É uma erupção! De
início, todos se assustam e se interpelam. Havia pelo menos 900 anos que o
vulcão não dava sinais de vida. Dizia-se que ele estava extinto. Logo depois é
a agitação. Em volta começa a desabar uma chuva de projéteis: pedras-pomes,
lapíli e, às vezes, pedaços de rochas –fragmentos arrancados do topo da
montanha e da tampa de lava resfriada que obstruía a cratera. Num instante, as
praças e ruas se esvaziam. Aqueles que não moram no bairro correm para se
refugiar sob uma abóbada, um pórtico, qualquer abrigo, enquanto outros se
apressam em correr para se proteger em casa. O que fazer, pensam, a não ser esperar? O
bombardeio terminaria mais cedo ou mais tarde.
Durante 20 minutos, a erupção faz misérias, cobrindo a cidade com 2,60 metros de
escórias. Em seguida, uma poeira arenosa toma o lugar das pedras-pomes e os
lapíli diminuem. A esperança aumenta. Alguns audaciosos arriscam até a colocar
o nariz para fora. Do VESÚVIO sai somente uma coluna de fumaça. Mais um pouco
de paciência e tudo deverá voltar ao normal.
Assim, duas horas se passam. O que
fizeram os habitantes de POMPÉIA durante esse período? Não se sabe muito. Em
compensação, sabemos o que fez o VESÚVIO. No interior da cratera, após a
expulsão da tampa de lava, a pressão começou a cair vertiginosamente. O magma
vulcânico, que dormia há séculos, começou lentamente a espumar e, às 13 horas,
rasgando o ar, destruindo as casa, virando de ponta-cabeça as colunas dos
pórticos, saiu bruscamente numa série de explosões. Do vulcão vê-se escapar uma
nuvem monstruosa em forma de pinheiro – um cogumelo, como nós diríamos hoje. E, subitamente, fez-se noite em pleno dia.
Uma noite marcada por alguns raios lívidos. As cinzas agora caem na forma de
uma chuva tão densa que obscurece o sol. Infelizmente, a chuva não é somente
densa: ela está carregada de vapores clorídricos. É pela intoxicação por gás, e
não por soterramento que morrerão as pessoas em POMPÉIA. A primeira guerra
química contra o homem foi feita pelo VESÚVIO. Só agora, enfim, os habitantes
de POMPÉIA decidem fugir. Mas eles haviam perdido duas horas preciosas.
Abandonando seus abrigos, suas casas, tomando ou não o cuidado de levar consigo seus tesouros,
milhares de dirigem às portas da cidade nesta noite negra.
Aqueles que moravam no noroeste se
precipitaram naturalmente para a porta de HERCULANUM. Alguns carregavam diante
de si uma lâmpada de óleo, como se uma chama pudesse resistir algum tempo
àqueles vetos, àquela chuva viscosa de cinzas. A maioria colocou sobre a boca
uma almofada ou uma telha encontrada pelo caminho. Mas será que alguém pode se
defender contra um inimigo que se insinua em todas as partes através de uma
fina poeira carregada de vapores clorídricos? Mas não há caminho para a
salvação. Todas as vias estão bloqueadas. Na noite escura, no meio de assovios
do vento que, à beira do mar, recobrou toda a sua fúria, as pessoas se esmagam umas
contra as outras. Muitos morrerão pisoteados. Morte relativamente doce, no
entanto, se pensarmos que, nessa mesma margem, todos os sobreviventes
terminarão com os pulmões tomados de gases. Não havia porta de salvação para os
habitantes de POMPÉIA. Chance de salvação só houve para aqueles que moravam no
sul e no sudeste da cidade. E, ainda assim, somente se eles não tivessem
demorado para fugir e, durante a fuga, tivessem passado pela porta de NOCERA em
vez da porta de STÁBIA. A porta de STÁBIA também tinha sido soterrada. Mas essa
dupla condição foi poucas vezes encontrada. Desse lado, portanto, foram
igualmente numerosas as cenas de desolação. Mesmo a porta de NOCERA não foi
para todos a porta da salvação. Um jovem casal chegou até ela e conseguiu mesmo
atravessá-la. Como os outros, os dois se trancaram em casa durante o primeiro
bombardeio de pedras-pomes. Agora, para avançar, tinham de lutar contra essa
tempestade de cinzas que cega, que se cola à pele e queima a garganta. Grande,
vigoroso, com corpo de atleta, o homem caminha na frente, tentando abrir
passagem para sua companheira em meio dos montes de lixo. De repente, a mulher
cai com o rosto no chão e não consegue mais se levantar. O homem quer ajudá-la,
mas também cai. Num último esforço, suas mãos tentam unir-se, mas a chuva de
cinzas lhe nega esse último favor. Muitos outros episódios inenarráveis
aconteceram na tentativa de fuga. Vinte séculos mais tarde, modelados pelas
cinzas, na mesma posição, com as expressões de seus últimos momentos, as vítimas
poderiam mostrar o que teria acontecido naquele dia 24 de agosto de 79 d.C.
Durante todo o dia 24 e todo o dia 25, e ainda no dia 26, a chuva de cinzas não
parou. Quando, enfim, na aurora do dia 27, o sol reapareceu, o VESÚVIO tinha
mudado de forma. Ele possuía agora um topo duplo e, no lugar da antiga cratera,
um cone havia se formado.
Quanto aos habitantes de POMPÉIA, 80%
deles – 16 mil numa população de 20 mil – jaziam a vários metros de
profundidade. A cidade estava morta, mas uma morte que a tornaria imortal.
A REVISTA HISTÓRIA VIVA, ano III, nº
30, publica na capa “POMPÉIA, CIDADE DO PRAZER”. Novas descobertas
arqueológicas contam o cotidiano da província soterrada pelo VESÚVIO em 79 D.C.
É um dos documentos muito bem elaborado, devido às imagens remanescentes. As
escavações conseguiram retratar um cotidiano vivido há dois milênios, como
aconteceu em POMPÉIA. Os
trabalhos foram iniciados no século XVIII.
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