sábado, 24 de agosto de 2019

1934 ANOS DA ERUPÇÃO DO VESÚVIO, EM 24 DE AGOSTO DE 79.


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EXTRAÍDO DAS MEMÓRIAS DO VENTURA



1934 a. da erupção do VESÚVIO, em 24 de agosto de 79 d.C. De repente, ouve-se uma explosão. Espanto! Num instante, todos os habitantes de POMPÉIA estão na rua. Espetáculo alucinante, o topo do VESÚVIO havia se partido em dois. Uma coluna de fogo escapa dali. É uma erupção! De início, todos se assustam e se interpelam. Havia pelo menos 900 anos que o vulcão não dava sinais de vida. Dizia-se que ele estava extinto. Logo depois é a agitação. Em volta começa a desabar uma chuva de projéteis: pedras-pomes, lapíli e, às vezes, pedaços de rochas –fragmentos arrancados do topo da montanha e da tampa de lava resfriada que obstruía a cratera. Num instante, as praças e ruas se esvaziam. Aqueles que não moram no bairro correm para se refugiar sob uma abóbada, um pórtico, qualquer abrigo, enquanto outros se apressam em correr para se proteger em casa. O que fazer, pensam, a não ser esperar? O bombardeio terminaria mais cedo ou mais tarde.  Durante 20 minutos, a erupção faz misérias, cobrindo a cidade com 2,60 metros de escórias. Em seguida, uma poeira arenosa toma o lugar das pedras-pomes e os lapíli diminuem. A esperança aumenta. Alguns audaciosos arriscam até a colocar o nariz para fora. Do VESÚVIO sai somente uma coluna de fumaça. Mais um pouco de paciência e tudo deverá voltar ao normal.
Assim, duas horas se passam. O que fizeram os habitantes de POMPÉIA durante esse período? Não se sabe muito. Em compensação, sabemos o que fez o VESÚVIO. No interior da cratera, após a expulsão da tampa de lava, a pressão começou a cair vertiginosamente. O magma vulcânico, que dormia há séculos, começou lentamente a espumar e, às 13 horas, rasgando o ar, destruindo as casa, virando de ponta-cabeça as colunas dos pórticos, saiu bruscamente numa série de explosões. Do vulcão vê-se escapar uma nuvem monstruosa em forma de pinheiro – um cogumelo, como nós diríamos hoje.  E, subitamente, fez-se noite em pleno dia. Uma noite marcada por alguns raios lívidos. As cinzas agora caem na forma de uma chuva tão densa que obscurece o sol. Infelizmente, a chuva não é somente densa: ela está carregada de vapores clorídricos. É pela intoxicação por gás, e não por soterramento que morrerão as pessoas em POMPÉIA. A primeira guerra química contra o homem foi feita pelo VESÚVIO. Só agora, enfim, os habitantes de POMPÉIA decidem fugir. Mas eles haviam perdido duas horas preciosas. Abandonando seus abrigos, suas casas, tomando ou  não o cuidado de levar consigo seus tesouros, milhares de dirigem às portas da cidade nesta noite negra.
Aqueles que moravam no noroeste se precipitaram naturalmente para a porta de HERCULANUM. Alguns carregavam diante de si uma lâmpada de óleo, como se uma chama pudesse resistir algum tempo àqueles vetos, àquela chuva viscosa de cinzas. A maioria colocou sobre a boca uma almofada ou uma telha encontrada pelo caminho. Mas será que alguém pode se defender contra um inimigo que se insinua em todas as partes através de uma fina poeira carregada de vapores clorídricos? Mas não há caminho para a salvação. Todas as vias estão bloqueadas. Na noite escura, no meio de assovios do vento que, à beira do mar, recobrou toda a sua fúria, as pessoas se esmagam umas contra as outras. Muitos morrerão pisoteados. Morte relativamente doce, no entanto, se pensarmos que, nessa mesma margem, todos os sobreviventes terminarão com os pulmões tomados de gases. Não havia porta de salvação para os habitantes de POMPÉIA. Chance de salvação só houve para aqueles que moravam no sul e no sudeste da cidade. E, ainda assim, somente se eles não tivessem demorado para fugir e, durante a fuga, tivessem passado pela porta de NOCERA em vez da porta de STÁBIA. A porta de STÁBIA também tinha sido soterrada. Mas essa dupla condição foi poucas vezes encontrada. Desse lado, portanto, foram igualmente numerosas as cenas de desolação. Mesmo a porta de NOCERA não foi para todos a porta da salvação. Um jovem casal chegou até ela e conseguiu mesmo atravessá-la. Como os outros, os dois se trancaram em casa durante o primeiro bombardeio de pedras-pomes. Agora, para avançar, tinham de lutar contra essa tempestade de cinzas que cega, que se cola à pele e queima a garganta. Grande, vigoroso, com corpo de atleta, o homem caminha na frente, tentando abrir passagem para sua companheira em meio dos montes de lixo. De repente, a mulher cai com o rosto no chão e não consegue mais se levantar. O homem quer ajudá-la, mas também cai. Num último esforço, suas mãos tentam unir-se, mas a chuva de cinzas lhe nega esse último favor. Muitos outros episódios inenarráveis aconteceram na tentativa de fuga. Vinte séculos mais tarde, modelados pelas cinzas, na mesma posição, com as expressões de seus últimos momentos, as vítimas poderiam mostrar o que teria acontecido naquele dia 24 de agosto de 79 d.C. Durante todo o dia 24 e todo o dia 25, e ainda no dia 26, a chuva de cinzas não parou. Quando, enfim, na aurora do dia 27, o sol reapareceu, o VESÚVIO tinha mudado de forma. Ele possuía agora um topo duplo e, no lugar da antiga cratera, um cone havia se formado.
Quanto aos habitantes de POMPÉIA, 80% deles – 16 mil numa população de 20 mil – jaziam a vários metros de profundidade. A cidade estava morta, mas uma morte que a tornaria imortal.
A REVISTA HISTÓRIA VIVA, ano III, nº 30, publica na capa “POMPÉIA, CIDADE DO PRAZER”. Novas descobertas arqueológicas contam o cotidiano da província soterrada pelo VESÚVIO em 79 D.C. É um dos documentos muito bem elaborado, devido às imagens remanescentes. As escavações conseguiram retratar um cotidiano vivido há dois milênios, como aconteceu em POMPÉIA. Os trabalhos foram iniciados no século XVIII.

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