
EXTRAÍDO DAS MEMÓRIAS DO VENTURA
197 a. da INDEPENDÊNCIA DO BRASIL. Foi o ato pelo qual
o BRASIL rompeu em definitivo sua ligação com PORTUGAL, criando uma monarquia
constitucional. As origens da Independência brasileira remontam à transferência
da família real portuguesa para o BRASIL, em 1808, quando D. JOÃO proclamou a
abertura dos portos, ato que acabou com o pacto colonial. Durante a década de
1820, quando eclodiu em PORTUGAL a revolução do PORTO, D. JOÃO, embora hesitante,
retornou à EUROPA, deixando como governante do BRASIL, D. PEDRO, na função de
regente. Logo, porém, tornou-se claro para os brasileiros a grande contradição
existente no novo parlamento português: ao mesmo tempo em que defendiam o
liberalismo como saída para PORTUGAL, não tinham nenhuma intenção de abrir mão
da colônia portuguesa. Logo o debate político no país radicalizou-se em três
posições distintas, defendidas pelos seus respectivos partidos. O PARTIDO
PORTUGUÊS, formado principalmente por funcionários e comerciantes portugueses,
defendia a recolonização do BRASIL. Por outro lado, o PARTIDO BRASILEIRO
formado pelos grandes latifundiários, por grande parcela da burguesia nacional
e por comerciantes brasileiros e estrangeiros, defendia a ruptura com PORTUGAL,
porém tinha uma visão bastante conservadora de como o novo país deveria
organizar-se. O terceiro grupo tinha como principal base de apoio os
profissionais liberais e a classe média urbana e era favorável à ruptura com
PORTUGAL. Sua semelhança com o PARTIDO BRASILEIRO, porém, acabava por aí:
defendia a abolição da escravatura e maior autonomia para as províncias.
Enquanto o príncipe regente D. PEDRO ainda hesitava em relação à independência,
o Parlamento português começou, porém, a dar início a seu projeto de
recolonização, desativando órgãos públicos no RIO DE JANEIRO e transferindo-os
de volta a LISBOA, por exemplo. Essas medidas polarizaram ainda mais as
opiniões. Em outubro de 1821, LISBOA exigiu a volta de D. PEDRO a PORTUGAL, o
que causou grande comoção no BRASIL. Após uma campanha popular, D. PEDRO tomou
a decisão do “FICO”, em 9 de janeiro de 1822. O FICO marcou o momento de
ruptura entre D. PEDRO e as cortes portuguesas. Mas, ao mesmo tempo, assinalou
o momento de seu compromisso como PARTIDO BRASILEIRO. Formou-se assim um bloco
que se opunha, simultaneamente, à ameaça de recolonização e ao perigo das
agitações dos radicais. Na realidade, o príncipe só tomou essa decisão após
ter-se assegurado do apoio da aristocracia rural. A partir daí os acontecimentos
precipitaram-se, com a demissão dos ministros portugueses, a nomeação de um
novo ministério sob a liderança de JOSÉ BONIFÁCIO e choques entre portugueses e
brasileiros na BAHIA. LISBOA reagiu declarando ilegais os atos do príncipe e
obrigando-o a retornar imediatamente a PORTUGAL. De posse dessa notícia, D.
PEDRO proclamou a INDEPENDÊNCIA em 7 de setembro de 1822, rompendo
definitivamente os laços de união política com PORTUGAL. Culminou, dessa forma,
o longo processo de emancipação, iniciado em 1808 com a vinda da família real.
A 12 de outubro de 1822, D. PEDRO foi aclamado e a 1º de dezembro de 1822
tornou-se o primeiro imperador do BRASIL. A partir daí os políticos
conservadores do PARTIDO BRASILEIRO manteriam o controle político do país recém-nascido.
Na noite de 7 de setembro de 1822, D. PEDRO I compareceu ao TEATRO DA ÓPERA
envergando no braço direito, preso por um laço de fita verde e amarela, o
dístico de ouro “INDEPENDÊNCIA OU MORTE”, onde executou o “HINO DA
INDEPENDÊNCIA”, de sua autoria.
DOM PEDRO I tinha 24 anos quando proclamou a
libertação do BRASIL.
Em visita a amigos, D. PEDRO passa dois dias em
SANTOS, onde permanece até a madrugada do dia 7 de setembro, quando inicia sua
viagem de volta a SÃO PAULO. É na Estrada Velha de SANTOS que, reza a lenda, se
localiza a casa onde D. PEDRO e a MARQUESA DE SANTOS se encontravam. No caminho
LAVAPÉS, havia um pequeno córrego que servia como divisão natural entre a
cidade e a zona rural – para lavar os pés. Canalizado, ele virou uma rua cujo
nome lembra sua antiga função. Quase chegando ao histórico PÁTIO DO COLÉGIO, a
comitiva de D. PEDRO passou pelo SOLAR DA MARQUESA, localizado na antiga RUA DO
CARMO.
O grito de “INDEPENDÊNCIA OU MORTE” foi proferido
exatamente às 16:30 horas do dia 7 de setembro de 1822. DOM PEDRO teria acabado
de se encontrar com sua amante DOMITILA DE CASTRO, a MARQUESA DE SANTOS, na
hora da Proclamação. Ele viajava secretamente, por isso não poderia estar com
grande comitiva, nem usando o traje oficial sugerido na lenda e como está no
quadro de PEDRO AMÉRICO. Sobre a obra do pintor PEDRO AMÉRICO, que entrou para
a História como um retrato do momento da proclamação, foi ela feita apenas em
1888, em FLORENÇA, ITÁLIA, por encomenda da CORTE. O artista nem era nascido em
1822. Quatro horas após a declaração da Independência, dom PEDRO foi à Ópera,
em SÃO PAULO, escutar o hino que ele compôs: “JÁ PODEIS DA PÁTRIA FILHOS...”.
O BRASIL pagou dois milhões de libras a PORTUGAL pela
Independência.
Pela promulgação da LEI 63, de 23 de
março de 1885, definiu-se que o dinheiro resultante das loterias seria aplicado
pelo presidente da província, de acordo com a COMISSÃO DO MONUMENTO DO
IPIRANGA, na implantação de um estabelecimento de ensino científico. Dois dias
depois da promulgação da lei teve início a construção do edifício, a partir de
projeto do arquiteto italiano TOMMASO GUADENZIO BEZZI, aprovado em 1881. O
edifício, em estilo eclético, então na moda na EUROPA, buscava recuperar os
estilos arquitetônicos históricos. BEZZI utilizou, de forma simplificada, o
modelo de um palácio renascentista. A construção do prédio foi dada como
concluída em 1890, apesar de grande número de tarefas ainda incompletas. Ele
foi inaugurado em 15 de novembro de 1890, como parte das celebrações do primeiro
aniversário da proclamação da República. O edifício permaneceria vazio algum
tempo. Em 1892, foi declarado bem estadual. Em 1893, foram aprovadas as leis
que o destinaram a sediar um museu do Estado e que instituíram o nome que
mantém até hoje: MUSEU PAULISTA. A data de 3 de fevereiro de 1894 marca o
início das atividades do MUSEU PAULISTA, mas sua inauguração solene só se deu
em 7 de setembro de 1895. Além disso, somente em 1909 foi entregue o jardim à
frente do edifício, concebido pelo paisagista belga ARSENIO PUTTEMANS,
inspirado nos jardins barrocos franceses. No primeiro centenário da Proclamação
da Independência se concluiu o que, na configuração atual, é o PARQUE DA
INDEPENDÊNCIA: em 7 de setembro de 1922 foi inaugurado o Monumento da
Independência, obra do escultor italiano ETTORE XIMENES.
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