sábado, 7 de setembro de 2019

56 ANOS DE MINHA DECLARAÇÃO DE ASPIRANTE A OFICIAL, EM 7 DE SETEMBRO DE 1963 "TURMA JOSÉ BONIFÁCIO DE ANDRADA E SILVA".

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  56 a. da DECLARAÇÃO DE ASPIRANTES A OFICIAL, TURMA "JOSÉ BONIFÁCIO DE ANDRADA E SILVA", da qual pertenço. ANO 14º - MÊS 2º - DIA 60º. 5 anos e 95 dias na FORÇA PÚBLICA. 1670 dias na ESCOLA DE OFICIAIS. Surge a grande data! A espera foi longa e custosa. Quantas lutas tive de travar para conquistar o galhardão da vitória. Como tudo aquilo que é custoso é melhor, esse prêmio vem coroar todos os meus esforços e compensar todas as energias despendidas durante os anos que enfrentei a Escola de Oficiais, de fevereiro de 1959 a setembro de 1963. As vitórias se faziam sentir nas promoções a anos superiores, mas a Escola era a mesma e aluno oficial continuava sendo. Agora as coisas se solidificam de uma vez: a Declaração a Aspirante a Oficial é algo fascinante para mim. A festa é contagiante e nesse 7 de setembro veremos a verdadeira pujança da Força Pública, estimada do povo, com 131 anos de tradições.
Pela manhã os alunos oficiais desfilariam no ANHANGABAÚ, sendo que aqueles que serão aspirantes daqui a algumas horas estão dispensados do desfile. Isso me faz recordar 1962 quando o 7 de setembro marcou época por ocasião do grandioso desfile no RIO DE JANEIRO. E em 1961 o 7 de setembro também marcou época, mas de forma diferente; passei essa data em CAPUAVA, na famosa Guarnição da Refinaria daquela localidade (Refinaria de Petróleo UNIÃO). Portanto, vejamos os acontecimentos desse brilhante 7 de setembro, quando deixo a Escola de Oficiais e ascendo mais um degrau na hierarquia militar: Aspirante a Oficial.
Levanto-me às 8 horas. Pensava que a noite fosse difícil de ser vencida, mas dormi muito bem, para meu espanto. Arrumada a farda de Aspirante para a solenidade da tarde, vou até o quartel levá-la. O CFA está uma maravilha e, a essas horas, uma turma de soldados dá os últimos retoques aproveitando que os alunos oficiais e alunos sargentos estão no ANHANGABAÚ, prontos para o desfile da Pátria, marcado para às 10 horas.
Recordo as quatro outras solenidades, quando tive oportunidade de ver quatro turmas deixarem a Escola de Oficiais (1959, 60,61 e 62). Se naquelas vezes vibrei por causa da formatura daqueles que hoje são tenentes, calcule a emoção que hoje me surpreende quando ainda faltam algumas horas para o momento supremo. Daqui por diante passarei algumas horas infindáveis, esperando a hora da promoção quando deixarei de ser aluno oficial, deixarei a Escola que me acalentou durante quase cinco anos, sendo obrigado a despedir dos bancos escolares e daqueles que ainda lutarão pelo galão que hoje colocarei nos ombros.
O momento não é só meu, como também de toda minha família, que sabe que hoje serei declarado Aspirante a Oficial, iniciando uma vida nova, cheia de esperanças e de trabalho profícuo. Termina aquela insegurança tremenda que passei como aluno oficial, dependendo das notas e às vezes dos instrutores. Meu diário conta bem todos os meus apuros que passei na Escola de Oficiais; dos amigos e inimigos que tive e das traições pelas quais passei vitorioso. A inveja daqueles que me viram subindo era algo de espantoso e se não fossem amigos de verdade que encontrei nas pessoas até de soldados e cabos, a essas horas não estaria no momento supremo da carreira que abracei. Venci os inimigos com denodo, luta pelo desprezo e de saber que tais elementos não valem aquilo que são e que não merecem a honra de ter vencido sem muito esforço.
Hoje sou um vencedor porque não tive padrinhos, não fui filhinho de papai, não sou filho de oficial, não persegui ninguém na Escola de Oficiais, não desonrei a farda que vesti. Usei como lema “não faça aos outros aquilo que não queres que vos façam”. Como sofri muito, a vitória tem mais valor. Enfrentei a Escola com a condição de casado e pai de três filhos; estudei muito e obtive a terceira colocação na turma. Sou vencedor com honra e não como muitos que tiveram facilidades em concluir essa Escola.
No momento em que escrevo esse diário sinto-me contente, eufórico, por saber que minha vitória é bem maior do que muitos. Eles também tiveram seus problemas, mas não se compararam aos meus. São 10:30 horas, portanto os ponteiros do relógio mostram que faltam ainda quatro horas e meia para o momento supremo.
Almoço quase ao meio dia e em seguida rumo para a Escola de Oficiais. Ali já me encontro com alguns colegas que, tal como eu, estão eufóricos nesta data. Apronto-me para a primeira parte da solenidade, envergando pela derradeira vez o uniforme de gala de aluno oficial.
Meus pais chegam às 14 horas e logo em seguida tenho de entrar em forma. A tropa recebe a bandeira e nota-se que o CFA se engalana pela presença de tanta gente, de tantos oficiais: Força Pública, Exército, Aeronáutica e Marinha. Noto a presença de minha madrinha, Prima NAIR, e do tio RENATO FONSECA.
O governador do Estado, Doutor ADEMAR DE BARROS, faz-se presente na primeira parte da solenidade e é ele o paraninfo da turma de Aspirantes de 1963. Depois da revista à tropa pelo doutor ADEMAR DE BARROS, há a passagem do fanhão da Escola de Oficiais: o BORINI SOARES passa-o para o aluno oficial FERREIRA DE SOUZA.
Um momento de intensa emoção foi a leitura do Boletim publicando o resultado dos cursos e a promoção nossa a Aspirante a Oficial. Desse instante em diante a Força Pública ganhou mais quinze aspirantes:NILSON GIRALDI, JOSÉ CARLOS BORINI SOARES, MÁRIO FONSECA VENTURA, ALBINO CARLOS PAZELLI, MÁRIO FAUSTO RODRIGUES PINHO, ARLINDO DE MOURA, ANTONIO CARLOS MENDES, DALMIRO GOMES, LUÍS ANTONIO ARAÚJO ROCHA, ALUÍZIO SILVEIRA DE CARVALHO PEREIRA, MARCO RÉGIS RAGHIANTI CORDEIRO, UBIRAJARA GUIMARÃES, AMÉRICO VICTOR SALVATO, ELYSEU GUILHERME SALGADO ROCHA, NINO ANTÔNIO MEDEIROS CALESTINI.
A solenidade prossegue com a entrega dos espadins, outro fato culminante da Festa. Enquanto há a entrega de divisas aos novos sargentos e a entrega de espadas aos tenentes da Rodoviária, nós vamos ao alojamento trocar a farda de aluno oficial pela de Aspirante – túnica branca e calça diagonal. Os cumprimentos não faltam, principalmente por parte da oficialidade que nos recebem no novo quadro com bons olhos. Os alunos oficiais que não deixaram de ser nossos amigos, também vinham dar os seus parabéns singelos e emocionantes. Era aquilo que esperávamos tanto tempo e que agora se realizava. Não era mais sonho, mas sim realidade.
Converso com meus parentes, agora com Tia IRENE, Tia CATARINA, Tia MANOELA, Prima NAIR, Tio RENATO, meus pais e minha madrinha. A alegria era emocionante e fazia vir lágrimas aos olhos de meus pais.
Na segunda parte da Festa há a passagem do estandarte que o NILSON GIRALDI entrega ao primeiro colocado do 2º CFO para o 3º CFO – ARSONVAL VALÉRIO SBRISSA. Depois há a entrega das espadas aos novos Aspirantes. O Governador do Estado, nosso paraninfo, faz a saudação a seus afilhados e assina duas importantes leis: o aumento do efetivo da Força Pública para 31 mil homens e a concessão de CR$12.500,00 às praças da FP como gratificação.
A tropa desfila perante as autoridades e depois o Escola de Oficiais presta significativa homenagem aos novos aspirantes. A oração proferida pelo BELOTTI, do 2º CP foi de fazer vir lágrimas aos olhos. Somos cumprimentados por muitos oficiais e logo depois reúno-me com a família.
Deixo o CFA emocionado com a festa. Minha prima NAIR leva meus pais, eu, tia MANOELA e seu noivo até o CANINDÉ, onde mora a ERCÍLIA. Fizemos uma visita a essa pessoa que é quase como um ente da família. NAIR leva-nos até a estação ROOSEVELT e ali embarco com meus pais para POÁ. Apresentar-me-ia à cidade que me viu nascer e crescer como Aspirante a Oficial, no primeiro dia de minha nova promoção.
Converso com os soldados do Destacamento e com tio RENATO FONSECA, soldado ÉLSIO e senhor JOSÉ RODRIGUES. Fico conversando com amigos e andando por POÁ durante boa parte desse sábado feliz.
Quando o cansaço me venceu e sentia necessidade de repouso, encaminho-me ao lar paterno e despeço-me do 7 de setembro, data que ficará gravada em minha mente durante o resto de minha vida. Venci aquela luta que registrei nesse diário desde fevereiro de 1959. Parto agora para outra luta que me é desconhecida ainda.          
25 ANOS DO OFICIALATO:
Almoço na APMBB, onde se reuniu a turma “JOSÉ BONIFÁCIO DE ANDRADA E SILVA, aspirantes de 7 de setembro de 1963, comemorando os   VINTE E CINCO ANOS DO OFICIALATO (foi no dia 10 de setembro de 1988). Consta de minhas anotações: “Realizar-se-á hoje um episódio marcante na vida daqueles que escolheram a carreira de oficial da Polícia Militar e pertenceram a uma turma que foi declarada ASPIRANTE A OFICIAL em 7 de setembro de 1963 –TURMA JOSÉ BONIFÁCIO DE ANDRADA E SILVA– São vinte e cinco anos que nos separam daquela quarta-feira ensolarada. Levo LUCINDA e PAULO CÉSAR a APMBB por volta das 11 horas. Ali, vamos encontrar o ALUÍZIO e esposa, NILSON GIRALDI e o Professor LUIZ GONZAGA (nosso antigo mestre de francês). Depois vão chegando: PINHO, ROCHA, AMÉRICO, UBIRAJARA, PAZELLI, MENDES, RÉGIS, LUIZ ANTÔNIO, DALMIRO e seus familiares. O Capitão Reserva ARLINDO DE MOURA vem sozinho, bem como o BORINI SOARES. O BORINI estava “desaparecido” desde os anos 70. Comparecem o Coronel Res DIVO BARSOTTI (Cmt da Academia na época), Coronel Res JOSÉ ALVES DE CARVALHO e Coronel Res ALBERTINO LOPES DE AGUIAR (nossos antigos instrutores), Coronel FELICIANO (atual Cmt da APMBB). Com a chegada do COMANDANTE GERAL - Coronel WILSON CORREIA LEITE – é descerrada uma placa alusiva ao ato. Tudo isso está sendo filmado pelo Cabo DRAUZIO FIGUEIREDO. O Coronel ROCHA faz um eloqüente discurso, relembrando também momentos bons e maus que tivemos ao longo desses vinte e cinco anos. O Coronel BARSOTTI fala nesse momento, bem como o PAZELLI e o nosso Comandante Geral. Deixamos a APMBB quase às 15 horas.
Em 5 de setembro de 2003 os aspirantes de 7 de setembro de 1963 reuniram-se novamente na ACADEMIA DE POLÍCIA MILITAR DO BARRO BRANCO para a confraternização dos 40 ANOS do aspirantado.

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