
56 a. da
DECLARAÇÃO DE ASPIRANTES A OFICIAL, TURMA "JOSÉ BONIFÁCIO DE ANDRADA E
SILVA", da qual pertenço. ANO 14º - MÊS 2º - DIA 60º. 5 anos e 95 dias na
FORÇA PÚBLICA. 1670 dias na ESCOLA DE OFICIAIS. Surge a grande data! A espera
foi longa e custosa. Quantas lutas tive de travar para conquistar o galhardão
da vitória. Como tudo aquilo que é custoso é melhor, esse prêmio vem coroar todos
os meus esforços e compensar todas as energias despendidas durante os anos que
enfrentei a Escola de Oficiais, de fevereiro de 1959 a setembro de 1963. As
vitórias se faziam sentir nas promoções a anos superiores, mas a Escola era a
mesma e aluno oficial continuava sendo. Agora as coisas se solidificam de uma
vez: a Declaração a Aspirante a Oficial é algo fascinante para mim. A festa é
contagiante e nesse 7 de setembro veremos a verdadeira pujança da Força
Pública, estimada do povo, com 131 anos de tradições.
Pela manhã os alunos oficiais desfilariam no
ANHANGABAÚ, sendo que aqueles que serão aspirantes daqui a algumas horas estão
dispensados do desfile. Isso me faz recordar 1962 quando o 7 de setembro marcou
época por ocasião do grandioso desfile no RIO DE JANEIRO. E em 1961 o 7 de
setembro também marcou época, mas de forma diferente; passei essa data em
CAPUAVA, na famosa Guarnição da Refinaria daquela localidade (Refinaria de
Petróleo UNIÃO). Portanto, vejamos os acontecimentos desse brilhante 7 de setembro,
quando deixo a Escola de Oficiais e ascendo mais um degrau na hierarquia
militar: Aspirante a Oficial.
Levanto-me às 8 horas. Pensava que a noite fosse
difícil de ser vencida, mas dormi muito bem, para meu espanto. Arrumada a farda
de Aspirante para a solenidade da tarde, vou até o quartel levá-la. O CFA está
uma maravilha e, a essas horas, uma turma de soldados dá os últimos retoques
aproveitando que os alunos oficiais e alunos sargentos estão no ANHANGABAÚ,
prontos para o desfile da Pátria, marcado para às 10 horas.
Recordo as quatro outras solenidades, quando tive
oportunidade de ver quatro turmas deixarem a Escola de Oficiais (1959, 60,61 e
62). Se naquelas vezes vibrei por causa da formatura daqueles que hoje são
tenentes, calcule a emoção que hoje me surpreende quando ainda faltam algumas
horas para o momento supremo. Daqui por diante passarei algumas horas
infindáveis, esperando a hora da promoção quando deixarei de ser aluno oficial,
deixarei a Escola que me acalentou durante quase cinco anos, sendo obrigado a
despedir dos bancos escolares e daqueles que ainda lutarão pelo galão que hoje
colocarei nos ombros.
O momento não é só meu, como também de toda minha
família, que sabe que hoje serei declarado Aspirante a Oficial, iniciando uma
vida nova, cheia de esperanças e de trabalho profícuo. Termina aquela
insegurança tremenda que passei como aluno oficial, dependendo das notas e às
vezes dos instrutores. Meu diário conta bem todos os meus apuros que passei na
Escola de Oficiais; dos amigos e inimigos que tive e das traições pelas quais
passei vitorioso. A inveja daqueles que me viram subindo era algo de espantoso
e se não fossem amigos de verdade que encontrei nas pessoas até de soldados e
cabos, a essas horas não estaria no momento supremo da carreira que abracei.
Venci os inimigos com denodo, luta pelo desprezo e de saber que tais elementos
não valem aquilo que são e que não merecem a honra de ter vencido sem muito
esforço.
Hoje sou um vencedor porque não tive padrinhos, não
fui filhinho de papai, não sou filho de oficial, não persegui ninguém na Escola
de Oficiais, não desonrei a farda que vesti. Usei como lema “não faça aos
outros aquilo que não queres que vos façam”. Como sofri muito, a vitória tem
mais valor. Enfrentei a Escola com a condição de casado e pai de três filhos;
estudei muito e obtive a terceira colocação na turma. Sou vencedor com honra e
não como muitos que tiveram facilidades em concluir essa Escola.
No momento em que escrevo esse diário sinto-me
contente, eufórico, por saber que minha vitória é bem maior do que muitos. Eles
também tiveram seus problemas, mas não se compararam aos meus. São 10:30 horas,
portanto os ponteiros do relógio mostram que faltam ainda quatro horas e meia
para o momento supremo.
Almoço quase ao meio dia e em seguida rumo para a
Escola de Oficiais. Ali já me encontro com alguns colegas que, tal como eu,
estão eufóricos nesta data. Apronto-me para a primeira parte da solenidade,
envergando pela derradeira vez o uniforme de gala de aluno oficial.
Meus pais chegam às 14 horas e logo em seguida tenho
de entrar em forma. A tropa recebe a bandeira e nota-se que o CFA se engalana
pela presença de tanta gente, de tantos oficiais: Força Pública, Exército,
Aeronáutica e Marinha. Noto a presença de minha madrinha, Prima NAIR, e do tio
RENATO FONSECA.
O governador do Estado, Doutor ADEMAR DE BARROS,
faz-se presente na primeira parte da solenidade e é ele o paraninfo da turma de
Aspirantes de 1963. Depois da revista à tropa pelo doutor ADEMAR DE BARROS, há
a passagem do fanhão da Escola de Oficiais: o BORINI SOARES passa-o para o
aluno oficial FERREIRA DE SOUZA.
Um momento de intensa emoção foi a leitura do Boletim
publicando o resultado dos cursos e a promoção nossa a Aspirante a Oficial.
Desse instante em diante a Força Pública ganhou mais quinze aspirantes:NILSON
GIRALDI, JOSÉ CARLOS BORINI SOARES, MÁRIO FONSECA VENTURA, ALBINO CARLOS
PAZELLI, MÁRIO FAUSTO RODRIGUES PINHO, ARLINDO DE MOURA, ANTONIO CARLOS MENDES,
DALMIRO GOMES, LUÍS ANTONIO ARAÚJO ROCHA, ALUÍZIO SILVEIRA DE CARVALHO PEREIRA,
MARCO RÉGIS RAGHIANTI CORDEIRO, UBIRAJARA GUIMARÃES, AMÉRICO VICTOR SALVATO,
ELYSEU GUILHERME SALGADO ROCHA, NINO ANTÔNIO MEDEIROS CALESTINI.
A solenidade prossegue com a entrega dos espadins,
outro fato culminante da Festa. Enquanto há a entrega de divisas aos novos
sargentos e a entrega de espadas aos tenentes da Rodoviária, nós vamos ao
alojamento trocar a farda de aluno oficial pela de Aspirante – túnica branca e
calça diagonal. Os cumprimentos não faltam, principalmente por parte da
oficialidade que nos recebem no novo quadro com bons olhos. Os alunos oficiais
que não deixaram de ser nossos amigos, também vinham dar os seus parabéns
singelos e emocionantes. Era aquilo que esperávamos tanto tempo e que agora se
realizava. Não era mais sonho, mas sim realidade.
Converso com meus parentes, agora com Tia IRENE, Tia
CATARINA, Tia MANOELA, Prima NAIR, Tio RENATO, meus pais e minha madrinha. A
alegria era emocionante e fazia vir lágrimas aos olhos de meus pais.
Na segunda parte da Festa há a passagem do estandarte
que o NILSON GIRALDI entrega ao primeiro colocado do 2º CFO para o 3º CFO –
ARSONVAL VALÉRIO SBRISSA. Depois há a entrega das espadas aos novos Aspirantes.
O Governador do Estado, nosso paraninfo, faz a saudação a seus afilhados e
assina duas importantes leis: o aumento do efetivo da Força Pública para 31 mil
homens e a concessão de CR$12.500,00 às praças da FP como gratificação.
A tropa desfila perante as autoridades e depois o
Escola de Oficiais presta significativa homenagem aos novos aspirantes. A
oração proferida pelo BELOTTI, do 2º CP foi de fazer vir lágrimas aos olhos.
Somos cumprimentados por muitos oficiais e logo depois reúno-me com a família.
Deixo o CFA emocionado com a festa. Minha prima NAIR
leva meus pais, eu, tia MANOELA e seu noivo até o CANINDÉ, onde mora a ERCÍLIA.
Fizemos uma visita a essa pessoa que é quase como um ente da família. NAIR
leva-nos até a estação ROOSEVELT e ali embarco com meus pais para POÁ.
Apresentar-me-ia à cidade que me viu nascer e crescer como Aspirante a Oficial,
no primeiro dia de minha nova promoção.
Converso com os soldados do Destacamento e com tio
RENATO FONSECA, soldado ÉLSIO e senhor JOSÉ RODRIGUES. Fico conversando com
amigos e andando por POÁ durante boa parte desse sábado feliz.
Quando o cansaço me venceu e sentia necessidade de
repouso, encaminho-me ao lar paterno e despeço-me do 7 de setembro, data que
ficará gravada em minha mente durante o resto de minha vida. Venci aquela luta
que registrei nesse diário desde fevereiro de 1959. Parto agora para outra luta
que me é desconhecida ainda.
25 ANOS DO OFICIALATO:
Almoço na APMBB, onde se reuniu a turma “JOSÉ BONIFÁCIO DE
ANDRADA E SILVA, aspirantes de 7 de setembro de 1963, comemorando os VINTE E CINCO ANOS DO OFICIALATO (foi no dia
10 de setembro de 1988). Consta de minhas anotações: “Realizar-se-á hoje um
episódio marcante na vida daqueles que escolheram a carreira de oficial da
Polícia Militar e pertenceram a uma turma que foi declarada ASPIRANTE A OFICIAL
em 7 de setembro de 1963 –TURMA JOSÉ BONIFÁCIO DE ANDRADA E SILVA– São vinte e
cinco anos que nos separam daquela quarta-feira ensolarada. Levo LUCINDA e
PAULO CÉSAR a APMBB por volta das 11 horas. Ali, vamos encontrar o ALUÍZIO e
esposa, NILSON GIRALDI e o Professor LUIZ GONZAGA (nosso antigo mestre de
francês). Depois vão chegando: PINHO, ROCHA, AMÉRICO, UBIRAJARA, PAZELLI,
MENDES, RÉGIS, LUIZ ANTÔNIO, DALMIRO e seus familiares. O Capitão Reserva
ARLINDO DE MOURA vem sozinho, bem como o BORINI SOARES. O BORINI estava “desaparecido”
desde os anos 70. Comparecem o Coronel Res DIVO BARSOTTI (Cmt da Academia na
época), Coronel Res JOSÉ ALVES DE CARVALHO e Coronel Res ALBERTINO LOPES DE
AGUIAR (nossos antigos instrutores), Coronel FELICIANO (atual Cmt da APMBB).
Com a chegada do COMANDANTE GERAL - Coronel WILSON CORREIA LEITE – é descerrada
uma placa alusiva ao ato. Tudo isso está sendo filmado pelo Cabo DRAUZIO
FIGUEIREDO. O Coronel ROCHA faz um eloqüente discurso, relembrando também
momentos bons e maus que tivemos ao longo desses vinte e cinco anos. O Coronel
BARSOTTI fala nesse momento, bem como o PAZELLI e o nosso Comandante Geral.
Deixamos a APMBB quase às 15 horas.
Em 5 de setembro de 2003 os aspirantes de 7 de
setembro de 1963 reuniram-se novamente na ACADEMIA DE POLÍCIA MILITAR DO BARRO
BRANCO para a confraternização dos 40 ANOS do aspirantado.
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