90 anos de Cauby Peixoto: relembre a trajetória de sucessos do “professor da MPB”
Em reportagem especial, o Antena MEC homenageia um dos maiores ídolos da música brasileira, que completaria 90 anos em fevereiro
No AR em 10/02/2021 - 18:00
A voz única, o timbre aveludado, o estilo extravagante e a dedicação total à música são marcas da personalidade artística de Cauby Peixoto, uma das mais importantes vozes da arte nacional. Em 60 anos de carreira, o artista fluminense lançou mais de 100 discos, recebeu diversas premiações nacionais e internacionais, encantou diferentes gerações de brasileiros, e demonstrou o seu talento em múltiplos gêneros musicais.
Em 10 de fevereiro, data em que Cauby completaria 90 anos, o Antena MEC preparou uma homenagem especial para este intérprete inesquecível. Foram anos dedicados ao show, em uma história de grande profissionalismo, respeito ao público e inovação na música popular brasileira. Da jovem guarda às novas gerações de cantores, todos reverenciam a trajetória de sucessos de Cauby Peixoto, o “professor da MPB”. Ouça no player acima a reportagem completa.
O Antena MEC é transmitido de segunda a sexta, às 18h, na Rádio MEC e MEC FM.
90 a. nasce
CAUBY PEIXOTO BARROS em
Niterói RJ em 10 de Fevereiro de 1934. De família de artistas
populares, o pai, conhecido por Cadete, tocava violão, a mãe tocava bandolim, o
tio, Nono (Romualdo Peixoto) era pianista e homem de Rádio, o primo Ciro
Monteiro foi cantor e compositor famoso, os irmãos Moacir e Araquem tornaram-se
instrumentistas e a irmã Andiara foi cantora. Estudou num colégio de padres
salesianos no Rio de Janeiro RJ, e já no tempo de estudante cantava no coral da
igreja. Mais tarde, quando trabalhava no comercio, apresentou-se no programa de
calouros da Rádio Tupi, Hora dos Comerciários, patrocinado pelo SESC e dirigido
pela pianista Babi de Oliveira, conseguindo então chamar a atenção da Revista
do Rádio, em 1949. Cantou também no conjunto de seu irmão Moacir, na boate
carioca Casablanca e, em 1951, gravou seu primeiro disco, pela Som, lançando o
samba Saia branca (Geraldo
Medeiros), para o Carnaval. Em 1952, mudou- se para São Paulo SP, passando a
cantar nas boates Oásis e Arpege, e na Rádio Excelsior, destacando-se sempre
com repertório de músicas estrangeiras. Por volta de 1954, foi ouvido pelo
empresário Di Veras, que, pretendendo renovar o elenco da Rádio Nacional, do
Rio de Janeiro, então dominado por ídolos como Emilinha Borba e Orlando Silva,
o convidou para atuar naquela emissora. Seu lançamento na Rádio foi preparado
nos moldes norte-americanos, com grande publicidade e muita promoção, e, em
pouco tempo, ele também se tornaria um ídolo, adorado e perseguido pelas fãs.
Sua imagem foi forjada para agradar: vestindo-se de maneira extravagante para a época, e colocando trinados e
versos inexistentes em suas canções, criou um tipo diferente, obtendo sucesso
imediato. Ainda em 1954, gravou com êxito o fox Blue Gardenia (Bob Russel e Lester Lee, versão de Antônio
Almeida e João de Barro) e, nos cinco anos seguintes, foi considerado o cantor
mais popular do pais. Em 1956 gravou em disco de 78 rpm, pela Columbia, Conceição (Jair Amorim e Dunga), que
se transformou no maior sucesso de seu repertório. Da Rádio Nacional, passou
para a Rádio Tupi e gravou Nono
mandamento (Rene Bittencourt e Raul Sampaio), em 1957; Prece de amor (Rene Bittencourt), em
1958; Ninguém é de ninguém
(Humberto Silva, Toso Gomes e Luís Mergulhão) e É tão sublime o amor
(P. Francis Webster e Sammy Fain, versão de Antônio Carlos). Depois de aparecer
na revista norte-americana Time
como o maior ídolo da canção popular brasileira, foi convidado para uma
excursão aos EUA, onde gravou, com o nome de Ron Coby, um LP com a orquestra de
Paul Weston, cantando em
inglês. De volta ao Brasil, comprou, em sociedade com os
irmãos, a boate carioca Drink, passando a se dedicar mais a administração da
casa e interrompendo, assim, suas apresentações. Em 1959, retornou aos EUA para
uma temporada de 14 meses, durante os quais realizou espetáculos, apresentou-se
na televisão e gravou, em inglês,
Maracangalha (Dorival Caymmi), que recebeu o titulo de I Go. Numa terceira visita aos EUA, algum tempo depois, participou
do filme Jamboreé, da Warner
Brothers. Durante toda a década de 1960, limitou-se a apresentações em boates e
clubes. Em 1970 reapareceu como vencedor do Festival de San Remo, na Itália,
classificando em primeiro lugar a música que defendeu, Zíngara (R. Alberteli, versão de Nazareno de Brito). Em 1971
participou do VI FIC da TV Globo, no Rio de Janeiro, cantando Verão vermelho (Sérgio Ferreira da
Cruz). A partir da década de 1970, passou a se apresentar em programas de
televisão no Rio de Janeiro, e a realizar pequenas temporadas em casas de
diversão noturnas do Rio de Janeiro e de São Paulo. Em 1979 apresentou-se
também em Vitoria ES
e Recife PE, no Projeto Pixinguinha da Funarte, ao lado de Zezé Gonzaga. Em
1980, em comemoração aos 25 anos de carreira, lançou pela Som Livre o disco Cauby, Cauby, com músicas feitas
especialmente para ele por Caetano Veloso
(Cauby, Cauby), Chico Buarque
(Bastidores), Tom Jobim
(Oficina), Roberto e Erasmo Carlos
(Brigas de amor) e outros. No mesmo ano, apresentou-se nos shows Bastidores, da Funarte, Rio de Janeiro, e Cauby, Cauby, os bons tempos voltaram, na
boate Flag, São Paulo. Em 1982 apresentou no 150 Nigth Club, em São Paulo, ao lado dos
irmãos Moacir (piano) e Araquem (piston) e lançou o LP Ângela e Cauby, o primeiro encontro dos dois cantores em disco,
com sucessos como Começaria tudo outra
vez (Gonzaguinha), Recuerdos de
Ipacaray (Z. de Mirkin e Demetrio Ortiz) e a valsa Boa-noite, amor (José Maria de Abreu
e Francisco Matoso). Em 1989, os 35 anos de carreira foram comemorados no bar e
restaurante A Baiuca, em São
Paulo, ao lado dos irmãos Moacir, Araquem e Iracema e Andiara
(vozes). No mesmo ano, a RGE relançou o LP Quando os Peixotos se encontram, de 1957. Em 1993 foi o grande
homenageado, ao lado de Ângela Maria, no Prêmio Sharp de Música. Em 1996, foi
lançada pela Columbia caixa com 2 CDs abrangendo suas gravações de 1953 a 1959, com sucessos
como Conceição. No dia 11 de abril de
2009 RAUL GIL faz uma homenagem a CAUBY PEIXOTO em seu programa dos sábados.
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