domingo, 6 de junho de 2021

85 ANOS DO NASCIMENTO DA CANTORA MAYSA (6 DE JUNHO DE 1936/2021)

 




  85 a. nasce MAYSA no dia 6 de junho de 1936. Cerca de um mês antes de morrer, em 1977, em um trágico acidente na ponte RIO-NITERÓI, MAYSA faria a última anotação em seu diário particular. “Tenho 40 anos, 20 de carreira. Sou uma mulher só. O que dirá o futuro?”. Não houve tempo, infelizmente, para que respondesse à própria pergunta. Em seus muitos cadernos íntimos, cultivados religiosamente, com capricho, desde a adolescência, MAYSA mantinha um embate permanente consigo mesma. Fazia desabafos, promessas, confissões. De quando em vez, desenhava-se de perfil, em pequenos auto-retratos rabiscados a lápis. Da ponta da caneta, derramava-se a letra inclinada e nervosa, que não raro chegava a furar o papel, denunciando a voracidade com que se entregava a esse ritual, reservado e cotidiano. Os momentos mais marcantes dos diários de MAYSA estão na biografia que é lançada em 2007, com 500 páginas, pela editora GLOBO, quando se completam os 30 anos de morte daquela que foi uma das maiores divas da música brasileira de todos os tempos. Além dos cadernos pessoais de MAYSA, a pesquisa para o livro inclui pelo menos uma centena de entrevistas e o mergulho em cerca de 30 quilos de material, fornecidos pelo filho dela, o diretor de cinema e TV JAYME MONJARDIM. São milhares de recortes de jornais e revistas, do BRASIL e dos vários países por onde MAYSA viveu e cantou. Na FRANÇA, ITÁLIA, ESTADOS UNIDOS, PORTUGAL e ESPANHA, por exemplo, gravou discos hoje raríssimos, disputados avidamente por fãs e colecionadores. Aos 17 anos, saiu praticamente direto do colégio interno para casar com o milionário ANDRÉ MATARAZZO. Mas, para escândalo da tradicional família paulistana, logo trocaria o casamento pela “duvidosa” profissão de artista. Desquitada, MAYSA dedicou-se à música, viveu amores turbulentos, enfrentou problemas com a bebida. Engordou horrores, quebrou tabus, enfrentou preconceitos. Foi alvo recorrente das revistas de fofocas e, várias vezes, tentou o suicídio.  Foi a inconfundível deusa da música de fossa e da dor-de-cotovelo.  A frase “meu mundo caiu”, que dá título a uma de suas mais belas e doloridas composições, tornou-se bordão nacional para definir a angústia amorosa e o desencanto radical. Mas os que conviveram com ela também não esquecem de outro lado, menos conhecido, de MAYSA. Uma faceta insuspeitada pelos que se acostumaram a ouvi-la cantar, de modo obsessivo, a dor, o desespero e a separação. Isso mesmo. Os antigos amigos falam da existência de uma MAYSA solar, irreverente, desbocada, dona de uma gargalhada tonitruante, humor imprevisível, chegada a uma molecagem explícita. Para compreender uma mulher complexa e controvertida como MAYSA, é preciso evitar o estereótipo que ela mesma ajudou a construir em torno de si. A eterna cantora dos amores frustrados tinha a exata consciência de que, à certa altura, tornara-se refém da própria imagem pública. No fim da vida, recolhida à sua casa de praia, em MARICÁ, longe dos holofotes da mídia, ensaiava um lento e gradual reencontro consigo. “Não tenho medo da morte. Tenho a impressão de que jamais morrerei”, disse, nessa época, a um repórter. “Continuo a mesma, apenas encaro a vida com sereno otimismo”, completou. Em seu diário íntimo, porém, revelava a dúvida que alimentava sobre as próprias palavras: “E se o amanhã não chegar?”, indagava, na derradeira anotação de seu caderno. No dia 22 de janeiro de 1977, perdeu a vida no acidente de carro na ponte RIO-NITERÓI. MAYSA é mãe do hoje diretor de televisão, JAYME MONJARDIM. Uma rua no bairro da SAÚDE leva o seu nome. 

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