101 a. nasce ELIZETE
CARDOSO VALDEZ, no RIO DE JANEIRO, em 16 de julho de 1920. Começou a cantar em
público aos 5 anos, junto com o pai, que a acompanhava ao violão. JACOB DO
BANDOLIM a apresentou à direção da Rádio GUANABARA, onde ela cantaria com NOEL
ROSA, ARACY DE ALMEIDA, MOREIRA DA SILVA, entre outros. Fez também alguns
filmes, como “NA CORDA BAMBA” e “COM A MÃO NA MASSA”. Seus maiores sucessos
foram: BARRACÃO, CHEGA DE SAUDADE e TUDO É MAGNÍFICO. Ficou conhecida como “A
DIVINA”. Teve vários romances, inclusive com o jogador LEÔNIDAS DA SILVA.
Morreu no RIO em 7 de maio de 1990. Uma rua em sua homenagem fica no TREMEMBÉ.
“Ela foi levada ao
rádio por JACOB DO BANDOLIM, foi a primeira a gravar um samba de NOEL ROSAS
(QUEM RI MELHOR), que ele mesmo ensinou a ela”, diz JOÃO MÁXIMO. “Só que,
quando consegue um contrato com gravadora, ela não canta os sambas originais,
mais brasileiros que tinha aprendido. Vai ser lançada como cantora de
samba-canção”.
Seu primeiro sucesso
foi CANÇÃO DE AMOR, de 1950 e, ao longo daquela década, ela lançou diversos
discos e compactos. Em 1958, acabou sendo uma protagonista do surgimento da
bossa nova.
É dela a voz de CANÇÃO
DO AMOR DEMAIS, com composições de TOM JOBIM e VINÍCIUS DE MORAES e um violão
tímido, mas já revolucionário de JOÃO GILBERTO. O álbum, feito com poucos
recursos, tem o primeiro registro de CHEGA DE SAUDADE.
Em ELIZETE SOBE O
MORRO, de 1965, ela grava sambas de CANDEIA, PAULINHO DA VIOLA, CARTOLA, ZÉ
KETI e ÉLTON MEDEIROS. “É um disco genial, que a reaproxima daquele samba”, diz
MÁXIMO. “Os LPs dela eram irregulares. Tinham duas ou três faixas boas, algumas
ruins. Ela não teve sorte até começar a ser produzida por gente melhor, com
NELSON CAVAQUINHO, volta a cantar com PIXINGUINHA, mas jamais coma popularidade
que mereceu”.
ELIZETE CARDOSO estava
no JAPÃO em 1987, quando descobriu que tinha um câncer no estômago. Se já havia
perdido espaço nos anos 1970, na década seguinte, ficou encostada pelas
gravadoras.
“Ela teve um final de
vida complicado”, diz JOÃO MÁXIMO. “Os discos não vendiam, ninguém mais queria
fazer disco com ela. Mas como pode? Era uma cantora de primeiríssimo nível”,
questiona o jornalista e pesquisador.
ELIZETE acabou sendo
um pouco de tudo. Por um lado, sua carreira esteve à mercê da indústria
fonográfica. Por outro, mostra como ela participou intimamente da evolução do
samba no século passado.
PAULO CEZAR, que está
lançando uma cerveja com o apelido da avó, DIVINA, diz que ela comentava que
tinha sido esquecida no fim da carreira. Ele se lembra de ELIZETE como uma
pessoa humilde e muito parceira dos músicos. Suas maiores paixões eram o
FLAMENGO, a PORTELA e o bloco CORDÃO DA BOLA PRETA.
Na visão do
historiador LUIZ ANTONIO SIMAS, o legado de ELIZETE inclui alguns dos discos
mais importantes do BRASIL. “Se a carreira dela talvez tenha sofrido por causa
dessa variação, por outro lado, ela se encaixou muito bem em qualquer gênero
que cantou. Se você fizer uma discografia do mais importante do samba, os
álbuns dela vão aparecer”. “Era uma voz potente, aberta e com cara. Uma das
maiores do BRASIL. ELIZETE foi tudo, menos uma cantora genética”, finaliza.
No dia 18 de julho de
2020, LUCAS BRÊDA escreve um texto para o caderno AGORA! SHOW!, quando ELIZETE
CARDOSO faria 100 anos de idade. “Estou até bobo de ver como as pessoas estão
tendo carinho e lembrando da minha avó”, diz PAULO CESAR VALDEZ JÚNIOR, neto de
ELIZETE CARDOSO. Para a surpresa do dentista, mesmo no meio de uma pandemia, o
centenário da cantora, uma das mais importantes da música brasileira, morta em
1990, não foi esquecido.

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