62 a. das eleições de 4 de outubro de 1959,
onde o povo paulista votou no CACARECO para vereador. Em cada urna havia de 20
a 30 votos para o quadrúpede em todos os bairros paulistanos, sem exceção.
CACARECO recebeu quase 100 mil votos. Quinhentos e quarenta candidatos
disputaram as 45 cadeiras da Câmara Municipal de SÃO PAULO. Os mais votados
foram: MANOEL DE FIGUEIREDO FERRAZ foi eleito com 10.214 votos, do PSP (genro
do então prefeito ADHEMAR DE BARROS); VALÉRIO GIULI, com 9.550 votos, do PDC; o
radialista do programa “CLUBE DO PAPAI NOEL”, HOMERO SILVA, com 8.746 votos, da
UDN; o presidente da Câmara Municipal e ex-prefeito WILLIAM SALEM, com 8.512,
também do PSP; RIO BRANCO PARANHOS com 7.362, do PTB; o radialista da “HORA DA
VIRGEM MARIA”, PEDRO GERALDO COSTA, com 7.178, do PST; JANUÁRIO MANTELLI NETO,
com 6.245, do PRT; o médico SCALAMANDRÉ JÚNIOR com 6.113, do PTN; HEROTILDES
CARVALHO DE ARAÚJO com 5.310, do PR; a irmã do deputado ULYSSES GUIMARÃES, RUTH
GUIMARÃES, com 4.642, do PSD; JOSÉ MOLINA JÚNIOR, com 4.042, do PSB; ANTÔNIO
LAMANNA JÚNIOR com 3.887, do PRP e JOÃO BATISTA DA SILVA AZEVEDO com 3.617, do
PL.
A
votação recebida por CACARECO daria para eleger todos os 15 vereadores mais
votados, exatamente 1/3 da totalidade das cadeiras da Câmara de SÃO PAULO. O
partido que recebeu mais votos, com todos seus 45 candidatos, totalizou pouco
mais de 94 mil sufrágios. A inusitada “eleição” mereceu matérias em rádio,
televisão, revistas e jornais, inclusive um longo editorial em importante
matutino da capital, que analisou a reação da população de SÃO PAULO em
conseqüência da “consagradora vitória” do rinoceronte. A escritora RACHEL DE
QUEIROZ também escreveu, na mais importante revista da época, uma crônica
intitulada “O bicho”. Até um filme foi feito, “CACARECO VEM AÍ”, dirigido por
CARLOS MANGA e protagonizado pelo maior cômico da história do BRASIL, OSCARITO.
O jornalista STANISLAW PONTE PRETA (SÉRGIO PORTO) comentou em sua coluna no
jornal “ÚLTIMA HORA” que “diversos membros da cúpula do PSP andaram rondando a
jaula de CACARECO para o colocarem no lugar de ADHEMAR DE BARROS...”. ADHEMAR,
na ocasião, era prefeito de SÃO PAULO. O secretário da Agricultura do governo
do Estado, JOSÉ BONIFÁCIO COUTINHO NOGUEIRA, tentou comprar CACARECO, mas o
zoológico carioca recusou a proposta. Dois dias antes do pleito municipal,
acreditando talvez que o povo de SÃO PAULO fizesse empossar o rinoceronte no
Palácio “CONDE PRATES”, sede da Câmara Municipal paulistana, as autoridades
resolveram devolvê-lo e, assim, de caminhão, na calada da noite, retornou à
“CIDADE MARAVILHOSA”. Instado pela imprensa sobre o ocorrido em SÃO PAULO, o
presidente da República, JUSCELINO KUBITSCHEK DE OLIVEIRA, como bom mineiro
respondeu: “Não sou intérprete de acontecimentos sociais e políticos. Aguardo
as interpretações do próprio povo”. Atualmente, apesar das urnas eletrônicas
impossibilitarem esse tipo de votação, outros CACARECOS continuam a aparecer e
até a serem eleitos...
MÁRIO
LOPOMO, aposentado, diz o seguinte: “Trabalhei como cabo eleitoral naquele ano
e lembro que havia na população paulista uma insatisfação com os políticos
locais. Apesar de não existir uma campanha pela anulação dos votos, uma semana
antes da eleição começaram a surgir comentários sobre a “candidatura” do
CACARECO. Porém, ninguém imaginava que seria o fenômeno que foi. Depois do
resultado, os políticos disseram que a população não tinha civismo pela atitude
que tomou. Mas o povo foi sábio e soube responder nas urnas, como se fosse um
tapa na cara”.

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