terça-feira, 25 de abril de 2023

119 ANOS DO NASCIMENTO DE ISMAEL TORRES GUILHERME CRISTIANO (25 DE ABRIL DE 1904)

 

119 a. nasce ISMAEL TORRES GUILHERME CRISTIANO em RIBEIRÃO PRETO em 25 de abril de 1904. Na revolução de 1930, ainda estudante do terceiro ano de Medicina, apresentou-se à SANTA CASA, e, até o final do movimento, a 28 de julho, ali permaneceu, incansável no tratamento dos feridos. Nessa ocasião, deu os primeiros passos no campo da cirurgia, em que mais tarde se tornou notável. Dias depois, a 23 de novembro de 1924, ingressou como interno do Hospital Militar da FORÇA PÚBLICA. No dia 4 de agosto de 1926 foi contratado como radiologista. Permaneceu prestando serviços no Hospital Militar e graduou-se pela Faculdade de Medicina na turma de 1927. Ingressou definitivamente no quadro médico da Corporação a 1º de agosto de 1928, com a nomeação de 1º Tenente, especializando-se em cirurgia. Os seis primeiros anos que passou arregimentado no HM constituem sua formação médico-militar e o desvelo e carinho com que assistia os Oficiais e Praças enfermos, o interesse pela sorte dos que estavam sob seus cuidados fazia de ISMAEL GUILHERME um personagem conhecido e querido em toda a FORÇA. Seu pendor pela aviação, que já despontava, firmou-se quando, desempenhando suas funções de médico, entrou em contato com o quadro mais doloroso que atingia aquela geração de pioneiros: o acidente aéreo. Prestou socorro ao TENENTE ROLDÃO CARNEIRO DA SILVA, vítima de grave acidente aviatório, o que motivou um elogio do Comandante-Geral ao Tenente ISMAEL GUILHERME em 29 de outubro de 1928. Ainda em 1928, obteve licença para frequentar a Escola de Aviação da FORÇA, onde se brevetou e passou, depois, a figurar no quadro de instrutores. A 10 de abril de 1930, foi promovido a CAPITÃO. Em outubro, seguiu para o PARANÁ, incorporado às forças legais, recebendo seu batismo de fogo em 12 de outubro, em CATIGUÁ.

Foi um dos idealizadores do Movimento Constitucionalista de 1932 e, quando da eclosão do mesmo, recebeu na madrugada de 9 de julho, a incumbência de tomar o CAMPO DE MARTE, que estava em poder da ditadura desde 1930. À testa de um pequeno grupo, tomou de assalto o CAMPO e, promovido a MAJOR, foi nomeado Comandante do Grupo Misto de Aviação Paulista – GMAP, os “GAVIÕES DE PENACHO”, unidade criada pelo Decreto Estadual nº 5.590, de 15 de julho de 1932. Como Comandante da Unidade, sua atividade foi frenética: improvisou o GMAP com o que restava da extinta ESQUADRILHA DE AVIAÇÃO DA FORÇA PÚBLICA e deu-lhe impulso vertiginoso, construiu hangares em poucos dias, distribuiu esquadrilhas e organizou os serviços auxiliares. A par das atividades administrativas, voou em missões de guerra, tendo sido o primeiro aviador constitucionalista a sobrevoar o RIO DE JANEIRO, onde espalhou boletins da revolução. Um acidente no Campo causou-lhe a fratura do quarto metacarpiano esquerdo, o que não lhe trouxe impedimento de um só dia em seu posto. Por sua habilidade como piloto e administrador, ficou conhecido em todo o Estado.

Com o término das hostilidades e a derrota militar, ISMAEL GUILHERME não foi confirmado em seu novo posto, retornando à condição anterior de Capitão Médico, e o GMAP teve seu funcionamento suspendo em 8 de outubro de 1932. No dia 21 de outubro de 1932, passou a adido ao QG; em dezembro, foi reformado, administrativamente, em companhia de outros oficiais, considerados próceres da revolução. Afastado da FORÇA, dedicou-se intensamente à medicina. Em 5 de setembro de 1933, foi revertido à ativa.

Em agosto de 1934, integrou a comissão que se dirigiu a CANANÉIA, com a incumbência de trasladar para SÃO PAULO os restos mortais do TENENTE-CORONEL PEDRO ARBUES RODRIGUES XAVIER. Nesse mesmo ano, ISMAEL GUILHERME foi eleito deputado estadual pelo PARTIDO REPUBLICANO PAULISTA. Deputado à Constituinte Paulista e à primeira legislatura, de 1935 a 1937, atuou com vigor em defesa da Instituição Policial-Militar. A definição da FORÇA PÚBLICA como instituição permanente, a garantia plena das patentes e dos postos, a exclusividade dos uniformes, as condições básicas de alistamento, a ação fiscalizadora da FORÇA às demais instituições congêneres estaduais ou municipais, presentes na Constituição, além de projetos de leis ordinárias, em benefício da FORÇA e de seus integrantes, muito deveram à iniciativa e à combatividade do deputado ISMAEL GUILHERME. Em paralelo, seguia em sua carreira de médico: em 1936 fez curso de especialização de cirurgia em tuberculose.

Em 1937, implantou-se o “ESTADO NOVO” e o país voltou a viver sob a égide de um regime autoritário. A ditadura arrancou o mandato de ISMAEL GUILHERME, que impulsionou em nova direção sua energia inesgotável.

Em 18 de junho de 1938, ISMAEL passou à disposição da Interventoria Federal. O governo chamou-o para superintender a recém-criada VASP, confiando na sólida cultura aeronáutica e capacidade de administrador. Como superintendente da empresa, fez o curso de piloto comercial, estudou e criou as novas linhas da VASP, que se estenderam até GOIÂNIA e PORTO ALEGRE.

Quando voltava de um voo ao RIO DE JANEIRO, no dia 28 de setembro de 1942, comandando o LOCKHEEED 18 LODESTAR PP-PBG, sofreu um acidente em PEDRA BRANCA, município de SANTO ANDRÉ. Morreram os quinze ocupantes, entre eles o co-piloto WÁLTER SEIBEL e o COMANDANTE ISMAEL GUILHERME. O Comandante ISMAEL GUILHERME, cuja competência impressionavam todos os que o conheceram, dá nome à rua no IBIRAPUERA, Capital.     

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