119 a. nasce ISMAEL TORRES
GUILHERME CRISTIANO em RIBEIRÃO PRETO em 25 de abril de 1904. Na revolução de
1930, ainda estudante do terceiro ano de Medicina, apresentou-se à SANTA CASA,
e, até o final do movimento, a 28 de julho, ali permaneceu, incansável no
tratamento dos feridos. Nessa ocasião, deu os primeiros passos no campo da
cirurgia, em que mais tarde se tornou notável. Dias depois, a 23 de novembro de
1924, ingressou como interno do Hospital Militar da FORÇA PÚBLICA. No dia 4 de
agosto de 1926 foi contratado como radiologista. Permaneceu prestando serviços
no Hospital Militar e graduou-se pela Faculdade de Medicina na turma de 1927.
Ingressou definitivamente no quadro médico da Corporação a 1º de agosto de
1928, com a nomeação de 1º Tenente, especializando-se em cirurgia. Os seis
primeiros anos que passou arregimentado no HM constituem sua formação
médico-militar e o desvelo e carinho com que assistia os Oficiais e Praças
enfermos, o interesse pela sorte dos que estavam sob seus cuidados fazia de
ISMAEL GUILHERME um personagem conhecido e querido em toda a FORÇA. Seu pendor
pela aviação, que já despontava, firmou-se quando, desempenhando suas funções
de médico, entrou em contato com o quadro mais doloroso que atingia aquela
geração de pioneiros: o acidente aéreo. Prestou socorro ao TENENTE ROLDÃO CARNEIRO
DA SILVA, vítima de grave acidente aviatório, o que motivou um elogio do
Comandante-Geral ao Tenente ISMAEL GUILHERME em 29 de outubro de 1928. Ainda em
1928, obteve licença para frequentar a Escola de Aviação da FORÇA, onde se
brevetou e passou, depois, a figurar no quadro de instrutores. A 10 de abril de
1930, foi promovido a CAPITÃO. Em outubro, seguiu para o PARANÁ, incorporado às
forças legais, recebendo seu batismo de fogo em 12 de outubro, em CATIGUÁ.
Foi um dos idealizadores do
Movimento Constitucionalista de 1932 e, quando da eclosão do mesmo, recebeu na
madrugada de 9 de julho, a incumbência de tomar o CAMPO DE MARTE, que estava em
poder da ditadura desde 1930. À testa de um pequeno grupo, tomou de assalto o
CAMPO e, promovido a MAJOR, foi nomeado Comandante do Grupo Misto de Aviação
Paulista – GMAP, os “GAVIÕES DE PENACHO”, unidade criada pelo Decreto Estadual
nº 5.590, de 15 de julho de 1932. Como Comandante da Unidade, sua atividade foi
frenética: improvisou o GMAP com o que restava da extinta ESQUADRILHA DE
AVIAÇÃO DA FORÇA PÚBLICA e deu-lhe impulso vertiginoso, construiu hangares em
poucos dias, distribuiu esquadrilhas e organizou os serviços auxiliares. A par
das atividades administrativas, voou em missões de guerra, tendo sido o primeiro
aviador constitucionalista a sobrevoar o RIO DE JANEIRO, onde espalhou boletins
da revolução. Um acidente no Campo causou-lhe a fratura do quarto metacarpiano
esquerdo, o que não lhe trouxe impedimento de um só dia em seu posto. Por sua
habilidade como piloto e administrador, ficou conhecido em todo o Estado.
Com o término das
hostilidades e a derrota militar, ISMAEL GUILHERME não foi confirmado em seu
novo posto, retornando à condição anterior de Capitão Médico, e o GMAP teve seu
funcionamento suspendo em 8 de outubro de 1932. No dia 21 de outubro de 1932,
passou a adido ao QG; em dezembro, foi reformado, administrativamente, em
companhia de outros oficiais, considerados próceres da revolução. Afastado da
FORÇA, dedicou-se intensamente à medicina. Em 5 de setembro de 1933, foi
revertido à ativa.
Em agosto de 1934, integrou
a comissão que se dirigiu a CANANÉIA, com a incumbência de trasladar para SÃO
PAULO os restos mortais do TENENTE-CORONEL PEDRO ARBUES RODRIGUES XAVIER. Nesse
mesmo ano, ISMAEL GUILHERME foi eleito deputado estadual pelo PARTIDO
REPUBLICANO PAULISTA. Deputado à Constituinte Paulista e à primeira
legislatura, de 1935 a 1937, atuou com vigor em defesa da Instituição
Policial-Militar. A definição da FORÇA PÚBLICA como instituição permanente, a
garantia plena das patentes e dos postos, a exclusividade dos uniformes, as
condições básicas de alistamento, a ação fiscalizadora da FORÇA às demais
instituições congêneres estaduais ou municipais, presentes na Constituição,
além de projetos de leis ordinárias, em benefício da FORÇA e de seus
integrantes, muito deveram à iniciativa e à combatividade do deputado ISMAEL
GUILHERME. Em paralelo, seguia em sua carreira de médico: em 1936 fez curso de
especialização de cirurgia em tuberculose.
Em 1937, implantou-se o
“ESTADO NOVO” e o país voltou a viver sob a égide de um regime autoritário. A
ditadura arrancou o mandato de ISMAEL GUILHERME, que impulsionou em nova
direção sua energia inesgotável.
Em 18 de junho de 1938,
ISMAEL passou à disposição da Interventoria Federal. O governo chamou-o para
superintender a recém-criada VASP, confiando na sólida cultura aeronáutica e
capacidade de administrador. Como superintendente da empresa, fez o curso de
piloto comercial, estudou e criou as novas linhas da VASP, que se estenderam
até GOIÂNIA e PORTO ALEGRE.
Quando voltava de um voo ao
RIO DE JANEIRO, no dia 28 de setembro de 1942, comandando o LOCKHEEED 18
LODESTAR PP-PBG, sofreu um acidente em PEDRA BRANCA, município de SANTO ANDRÉ.
Morreram os quinze ocupantes, entre eles o co-piloto WÁLTER SEIBEL e o
COMANDANTE ISMAEL GUILHERME. O Comandante ISMAEL GUILHERME, cuja competência
impressionavam todos os que o conheceram, dá nome à rua no IBIRAPUERA,
Capital.
Nenhum comentário:
Postar um comentário