
191 a. nasce LEON TOLSTÓI, em IÁSNAIA
POLIANA, província de TULA, em 28 de agosto de 1828. Com a morte do pai, em
1837, LEON vai ser cuidado pela tia ALIEKSANDRA OSTEN-SACKEN. Quatro anos dura
o encargo da tia, pois ela morre em 1841. LEON e seus quatro irmãos são
entregues aos cuidados de outra irmã de seu pai, PIELAGUEIA, que mora em KAZAN.
É uma mulher severa e áspera, de rígidos princípios morais. Assim que Poe os
olhos em LEON, decide fazer dele um militar; como alternativa, pode ser
diplomata. Em 1844, aos dezesseis anos, LEON vi estudando línguas orientais na
Universidade de KAZAN. Mas revela-se uma decepção para PIELAGUEIA; nem se porta
de acordo com o manual de boas maneiras da aristocracia, nem se distingue nos
estudos. Transfere-se para o curso de Direito, mas é reprovado nos primeiros
exames. Desiludido com a escola e cansado de ouvir as recriminações da tia,
retorna a IÁSNAIA POLIANA em 1847. Porém o tempo que fica naquele lugar
desolado é pouco. Meses depois vai para MOSCOU. Essa cidade, contudo, também
parece não ter muito a lhe oferecer. Em 1849, aos 21 anos, parte para SĂO
PETERSBURGO, e aí retoma o curso de Direito. Não se distingue como aluno, e sim
como farrista de primeira e namorador incorrigível. Instável, nem as noites nem
as mulheres conseguem retê-lo. Meses mais tarde volta a IÁSNAIA POLIANA. Começa
a ler a Bíblia e as obras de JEAN-JACQUES ROUSSEAU. Ao terminar as leituras,
sente-se ainda mais inquieto.
Em 1851 está no CÁUCASO, combatendo com
bravura. Encorajado pelos elogios e encantado com a vida militar, presta exame
em janeiro de 1852 para ingressar no Exército e é admitido. Ao mesmo tempo
publica os capítulos de A HISTÓRIA DA MINHA INFÂNCIA, em relato autobiográfico
de sua meninice, na revista O CONTEMPORÂNEO, de SĂO PETERSBURGO. Dois anos
depois explode a GUERRA DA CRIMÉIA, conflito que opôs FRANÇA, INGLATERRA,
TURQUIA e o PEIMONTE à RÚSSIA. TOLSTÓI é designado para lutar em SEBASTÓPOL,
onde compõe os contos que tanto comoveriam a rainha MARIA ALEXÁNDROVNA. Volta a
SĂO PETERSBURGO depois do final da guerra e é recebido como herói. O tempo que
ali fica é pouco. Em 1857 parte para o exterior – ALEMANHA, FRANÇA, ITÁLIA,
SUÍÇA. Dois anos depois, volta a IÁSNAIA POLIANA carregado de livros e de
idéias formigando na cabeça. Sente urgência em fazer algo pela RÚSSIA, e acha
que deve começar pelos que lhe estão mais próximos: os servos. Preocupa-se,
sobretudo com o analfabetismo, e em 1859, aos 31 anos, funda em sua propriedade
uma escola para crianças e adultos. Vai ao sul da FRANÇA, onde seu irmão
NICOLAU tenta se curar de uma enfermidade pulmonar. Ao lado dele começa a
escrever OS COSSACOS, em 1863. Apesar dos cuidados médicos, NICOLAU sucumbe à
doença, o que abala profundamente LEON. Aos 34 anos, novamente está em IÁSNAI
POLIANA, casando-se com SÓFIA ANDRIĘIEVNA.
Escreve GUERRA E PAZ, a partir de 1863, concluindo a obra em 1869.
Uma mulher, sobrinha e amante de um
homem poderoso da aldeia de IÁSSIENKI, desesperada com sua vida amorosa,
joga-se à linha do trem. TOLSTÓI parte imediatamente para a vila, quer ver o
cadáver. Decide investigar as razőes que teriam levado a mulher ao suicídio. Há
tempo que pretende escrever a história de uma dama da alta sociedade russa
envolvida numa trama de paixões e decadência. O suicídio da mulher fornece-lhe
o desfecho para seu romance e o perfil para a protagonista. E ANA KARĘNINA
ganha vida. Publicado de 1875 a 1877 no jornal MENSAGEIRO RUSSO, ANA KARĘNINA
agrada intensamente ao público e provoca variadas reações entre os críticos.
Dentre os grandes romancistas russos, o único a aplaudir irrestritamente o
livro é DOSTOIÉVSKI.
Em 1886, aos 58 anos, por insistência
da mulher e os admiradores, temerosos que ele abandone a literatura, TOLSTÓI
abre um parêntese em suas investigações religiosas para escrever A MORTE DE
IVAN ILITCH. Em SONATA A KREUTZER, publicado em 1889, prega a abstinência
sexual entre os casais. No mesmo ano da publicação nasce-lhe o décimo terceiro
filho. Em 1899, publica RESSURREIÇĂO, a história de uma camponesa que, seduzida
e, depois, abandonada pelo filho da patroa, torna-se prostituta. Em 1901,
TOLSTÓI é excomungado. O País inteiro protesta. Naquele verão parte para a
CRIMÉIA, a conselho médico. Acompanha a declaração de guerra entre RÚSSIA e
JAPĂO à distância. Com a derrota, a RÚSSIA perde a ilha de SACALINA, milhares
de soldados e qualquer pretensão sobre a posse da CORÉIA. O descontentamento
popular explode no ano seguinte nos episódios do “DOMINGO SANGRENTO”, de
MOSCOU, quando mil operários são mortos pela guarda czarista, e na revolta do
couraçado POTEMKIN. Cansado em enfermo, aos oitenta anos TOLSTÓI redige um
artigo vibrante de indignação, que a censura imperial veta. NĂO POSSO CALAR,
contudo, sai impresso em jornais estrangeiros, despertando a consciência da
EUROPA para os problemas russos. Apesar da severa vigilância, o artigo circula
na RÚSSIA de maneira clandestina. A polícia nada pode fazer contra TOLSTÓI –
velho e amado -, mas sai à caça dos que participam da veiculação do escrito e
prende quantos pode.
Rebeliões, matanças, enfermidades,
disputas – os últimos anos de TOLSTÓI transcorrem dolorosos. SÓFIA começa a
atormentá-lo para morar na corte. Pressiona-o de tal modo que em outubro de
1910 o escritor foge de casa. Conforme declara, deseja “viver em solidão e
recolhimento os últimos dias de minha existência”. Pressentindo que não seriam
muitos esses dias, leva consigo ALIEKSANDRA, a filha mais querida, e o médico
PIETRÓVITCH, um velho amigo. Pretende tomar o rumo do sul, mas o corpo cansado
não consegue ultrapassar a aldeia de ASTÁPOVO. A notícia da fuga espalha-se
rapidamente. A pequena vila inunda-se de discípulos, admiradores, fotógrafos,
cinegrafistas. O escritor permanece encerrado em seu quarto, esperando mansamente
a morte. Na manhă de 7 de novembro de 1910 a espera acaba. Dois dias depois
TOLSTÓI é enterrado no bosque onde brincara na infância, em IÁSNAIA POLIANA.
Ninguém lhe constrói monumentos nem lhe grava lápides. Seu túmulo é uma
elevação de terra, coberta de grama.
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